[metodologia_paralela]; [caminho_paralelo]
O conceito de metodologia paralela é bem antigo na Arte
Org; esteve tanto presente na prática da Arte Org da
ausência, como, por
exemplo, nos princípios de compor e lidar com o processo terapêutico de forma
intermediadora e indireta, ou no paralelismo entre os trabalhos corporais e os
trabalhos
perceptivos de campo; como estava
presente na própria estratificação da
ausência que por definição; como também foi à base da estrutura de pensamento (funcionalismo paralelo) usada como plano de fundo para a organização da metodologia da Arte
Org. Porém, foi somente com o projeto reciclagem que o trabalho paralelo se
corporificou como um caminho (entre a terapia da ausência e o viver cotidiano).
De acordo com a proposta da Arte Org; toda a configuração
do
funcionamento virtual deve ser trabalhada num
laboratório à parte, separado do mundo real e de suas forças, dentro do marco da
relação consigo-mesmo e isto faz parte da própria ética do funcionamento
ausente
e, portanto do mundo
virtual em geral.
Esta diretriz se torna mais necessária quanto mais o
funcionamento virtual se encontra fixado em sua configuração polar do “aqui”
(conexão – terra => pressionado no “aqui”).
Diante da forma pressionada e exigente que costuma
aparecer na vida cotidiana dos
virtuais pressionados no “aqui”, a reconstrução deste espaço intermediário, preservado e paralelo
transforma-se em mais do que uma necessidade; numa urgência. Um caminho que tem
a função de ir deslocando a
pressão do viver
cotidiano; de tal forma que estas
pressões, ou melhor, esta forma de
pressionar-se possa ser lidada no domínio da própria pessoa com ela-mesma;
promovendo assim uma despressão na relação consigo-mesmo e na vida cotidiana.
Do ponto de vista da Arte Org,
a ética imposta pela direção do voltar para si mesmo diz que não se pode e nem
deve interferir diretamente na vida cotidiana das pessoas e menos ainda em seu
“Eu” cotidiano. Que todas as modificações no funcionamento cotidiano das pessoas
devem ocorrem como conseqüência e não como objetivo ou metas. A despressão da
vida cotidiana deve ser uma conseqüência do trabalho consigo-mesmo e não a meta
ou o objetivo da terapia Arte Org ou do caminho da Arte Org.
Encontrar formas de melhorar a
relação da pessoa com ela-mesma sim faz parte dos objetivos da Arte Org e de
nossas metas, da mesma maneira que lidar com a ausência ou com o ausentar-se
(desconectado ou não) de si-mesmo também faz parte de seus objetivos.
[reciclando]
“Reciclagem” foi à forma como os arteorguianos nomearam o
projeto terapêutico orientado para lidar com as
pressões que habitam o “aqui”
(voltar para si mesmo aqui e agora) e que muitas vezes invadem e dominam a vida
cotidiana. Como muitas vezes um puro nome não serve para contextualizar a
situação; ele também é denominado como sendo a metodologia org do “aqui”; ou
simplesmente de caminho paralelo; e se trata da arte de se mover pelos caminhos
de si-mesmo no “aqui” e tem como objetivo, além de intermediar e lidar com as
pressões cotidianas, resgatar, restaurar, reparar e desenvolver a relação
consigo-mesmo (acompanhando e sendo acompanhado por si-mesmo, amistando-se -
consigo-mesmo).
O termo reciclagem foi usado em
primeiro lugar para a situação dos que já tinham feito ou andado um bom caminho
na terapia org; sendo que chegado o momento de lidar de forma mais pormenorizada
com o voltar para eles-mesmos seu processo terapêutico se colocou como
paralisado. O momento pedia uma pequena revolução para colocar as coisas e a
si-mesmo em movimento e, portanto, o conceito não servia para quem está
começando o seu processo terapêutico. Porém, pensando na situação das
pressões,
do desgaste, do ser consumido, do perder-se de si-mesmo ou de seu próprio
caminho e mesmo da
sobreexcitação de campo; que
são situações vigentes e comuns a qualquer pessoa pressionada no “aqui”; o
conceito de reciclar também parecia vigente; principalmente porque este se opõe
a sair mudando tudo, a trocar o velho pelo novo, está centrado em cuidar,
reparar e investir no que já existe, em atualizar-se para obter melhores
rendimentos. Por isto ficou reciclando inclusive para os novos na Arte Org; e,
de acordo com as normativas atuais, o projeto reciclando de cada um deve começar
paralelo e ao mesmo tempo em que começa a terapia Arte Org e seguir
acompanhando-a.
Sobre o paradigma paralelo dos terapeutas org.
[funcionalismo_paralelo]
O trabalho prático e investigativo com o
funcionamento virtual propõe um perigo constante
que pode ser colocado como sendo o perigo de ser inundado por um dos domínios
envolvidos (confusão mescolativa por interpretar o funcionamento de um nível por
leis de outro nível como a psicologização do corpo ou a somatização da
percepção); ou o perigo de ficar fixado num dos
pólos do funcionamento virtual. Sendo que a ferramenta prática para lidar com
isto são os próprios exercícios procedimentos e a ferramenta fenomenológica é o
pensamento funcional
paralelo (desenvolvido no próprio âmbito da Arte Org).
Porém quando queremos checar de forma epistemológica o que estamos propondo ou
fazendo; na resta outra; o mais atinado é recorrer ao
pensamento funcional tal qual proposto por
Reich.
Agora, para falar um pouco do vem a ser o
pensamento
funcional paralelo preciso me referir ao primeiro período da Arte Org; quando
ainda estávamos metabolizando o mundaréu de informações que surgiram da
desconexão
ausente e seus atores coadjuvantes.
O céu do
ido-distante-desconectado tinha caído bem em cima de nossas cabeças e ainda estamos meios zonzos, se
perguntando o que foi mesmo que tinha acontecido.
Todos os elementos que nós tínhamos para serem
relacionados; surgiram por um lado de um
território (por funcionamento e por definição)
fronteiriço, intermediário e difuso;
e por outro lado eram
fixações e
pressões direcionadas para todas as partes,
sendo que o compromisso com qualquer uma delas coloca o delicado equilíbrio da
tribo do si-mesmo (e suas éticas) em risco.
Em termos da
orgonoterapia clássica e de acordo com o
funcionalismo orgonômico podemos tomar várias
direções com um processo terapêutico.
No âmbito do próprio indivíduo, de seu corpo e
de seu funcionamento perceptivo, temos a alternativa do
encouraçamento, e esta nos apresenta três possiblidades para seguir, a primeira
em direção à profundidade, ao biossistema
(encouraçamento profundo);
a segunda em direção ao corpo (couraça
corporal) e a terceira em direção a percepção
(couraça caracterológica). Por um lado, da superfície para as profundidades,
no
sentido da estratificação do desencouraçamento, seja
pela percepção ou pelo corpo; e por outro lado, da profundidade para a
superfície, em direção ao desenvolvimento, ao encouraçamento,
ou fechamento do carácter; seja pela percepção ou
pelo corpo.
O relevante aqui é que de acordo com aquele então da
descoberta e do desenvolvimento da Arte Org; a questão do funcionamento
fronteiriço nos pegou exatamente entre três direções de investigação. A
diferenciação de níveis (centro, periferia e campo),
a direção do desenvolvimento (encouraçamento, superfície) e a direção do
desencouraçamento (de fora para as profundidades do biossistema).
Na direção da relação do indivíduo com o mundo é outro
Deus nos acuda com a
pressão do próprio individuo contra ele-mesmo que se
combina com as mais estranhas necessidades impostas pelo viver no mundo nos dias
de hoje.
E nós estávamos exatamente em cima do muro, querendo
permanecer aí. Do ponto de vista do funcionamento fronteiriço; a direção do
biossistema
(profundidade) nem pensar,
pois ela é muito perigosa. A direção do
corpo (couraça
muscular) é inundar mais ainda
a
corporalidade com as
pressões, as angústias e o
contacto e
esta já está por demais inundada e
sobreexcitada. A direção
da
percepção (estrutura, comportamento) é inundar a
percepção objetiva, com os assuntos dos
estados alterados de
consciência e da
desconexão
ausente; e a
consciência objetiva também já está inundada e
desconectada. E a direção para o mundo é continuar amplificando os conflitos do
individuo com sua própria identidade.
Isto é, necessitamos de uma quarta direção e essa não
estava descrita nos manuais das terapias vigentes e de abordagem corporal.
Restava agarrar o
funcionalismo orgonômico, inverter as
suas setas e sair em busca de outras possibilidades; porém, usar o funcionalismo
orgonômico como uma ferramenta de investigação é uma atividade bastante difícil;
e colocar o funcionalismo para operar em pleno campo
perceptivo difuso sem a correspondente prática é ficar
atolando na própria compreensão. Simplesmente o funcionalismo orgonômico precisa
de funções que possam ser enraizadas energeticamente e logo biofisicamente e
logo corporalmente; e estas precisam ser pareadas com a organização
perceptiva. Além disto,
cada duas funções pareadas; pede um principio funcional mais global e mais amplo
em sua base. Cada par funcionalmente pareado pede uma nova divisão em mais duas
funções mais específicas e desenvolvidas ou uma fusão numa função comum como é
caso do fechamento do carácter ou dos traços.
Para não dissociar a prático do que os exercícios
procedimentos estavam revelando da nossa capacidade de racionar a respeito; o
funcionalismo orgonômico ia ter que nos esperar um pouquinho mais.
Aqui, conseguimos abrir (não sei como) um espaço entre o
funcionalismo primitivo e o
funcionalismo orgonômico, que foi chamado
simplesmente de funcional, de funcionalismo paralelo ou funcionalismo
intermediário, para, pelo menos, manter e colocar as nossas compreensões de
forma funcional... Quem sabe, um dia, consigamos inter-relacionar esses
elementos orgonicamente.
Espero que ninguém se esqueça,
que em muitas questões ainda estamos lidando com compreensões. E que
compreensões não são verdades estabelecidas, não são suposições, não são
hipóteses e nem postulados. Nelas nós temos mesclado estas estranhas
impressões sensoriais que aparecem como insights,
as dificuldades que enfrentamos e as explicações sensoriais destas próprias
dificuldades que aparecem como constatações e como soluções ou respostas a algo
que não conhecemos bem.
Para transformarmos grande
parte dos elementos dos insights e compreensões do funcionamento fronteiriço em
postulações funcionais temos ainda que percorrer um longo caminho. A começar por
separar os fatos das interpretações sobre os fatos.
E por favor, não me misturem
interpretações com compreensões, estes dois fenômenos se encontram em categorias
diferentes. A interpretação é uma função de uma linguagem sobre essa própria
linguagem. Compreender => apreender é uma forma de aproximação. As nossas
compreensões nascem diretamente da arte de mover-se. São aproximações de
diferentes níveis, por si só contraditórias que estão ligadas diretamente aos
nossos exercícios-procedimentos.
E não era só a
ausência e a
percepção difusa que tinham que ser explicadas funcionalmente; a descorporificação da
corporalidade também; a
sobreexcitação de
campo também; sem falar que logo começaram aparecer
outros fatos como, por exemplo, o da
consciência difusa; a
autopercepção que começava a aparecer
na superfície; logo a
couraça de campo e assim
por diante; o virtualismo estava passando como um trator arando a terra e
soltando pó; simplesmente revirando tudo.
Por falar em
exercícios-procedimentos,
acho bom recordar, que são eles que constituem os nossos primitivos fatos.
Para passarmos, da categoria de
aproximação por compreensões, para a categoria de interpretações, devemos, em
primeiro lugar, passarmos da categoria de exercícios-procedimentos, para
linguagem em movimento. Isto é, nos faltava um bom caminho pela frente.
Mesmo tendo, nos primórdios da Arte Org, todo esse caminho
ainda por ser percorrido, o nosso funcionalismo já apresentava algumas pautas para ajudar o nosso trabalho com o funcionamento
fronteiriço (intermediário); e este sim estava voando a olhos vistos.
Daí em diante; foram bem poucos os momentos que eu posso
dizer que as compreensões estavam adiante da prática. Os insights sim; estes
podem se multiplicar e inundar com a pessoa completamente parada sem fazer nada;
mas as compreensões dos processos; parece que entrou na freqüência de como mesmo
podemos compreender o que está passando com este ou com aquele movimento, e aí
ficou.
Assim foi que começamos a formular as primeiras linhas do
funcionalismo paralelo.
• Em primeiro lugar, mantemos a divisão e a diferenciação
entre as funções perceptivas (objetivas e difusas), das funções corporais, do
biossistema que as origina e coordena, e do
campo energético que as permeia.
• Em segundo lugar, nos perguntamos qual a maneira que
podemos lidar com a
pressão de voltar a ser uma unidade, um organismo, sem que
isso seja uma fusão de funções, mas sim uma conseqüência de lidar com a
problemática da
ausência de
si-mesmo.
• Em terceiro lugar, sem a utilização prática da
diferenciação da função em si mesma do seu órgão correspondente, nós não
daríamos um passo sequer no difuso e obscuro
estado
confusional, que,
de acordo comigo, se encontra em
território limite, exatamente entre a
percepção (objetiva) e seu órgão correspondente.
Enquanto o
funcionalismo orgonômico,
na maior parte das vezes, tinha assegurado a pareação antitética, e dela partia
em busca do princípio funcional ou denominadores comuns (como no caso da
pareação entre psique - couraça caracterológica -
e corpo - couraça muscular - e daí em busca do biossistema - encouraçamento
central -); o funcionalismo intermediário nasceu do exercício de desmesclar, de
separar, de resgatar as antíteses de seus próprios princípios funcionais.
Nossa suposição é que a
percepção difusa é um princípio funcional que
deveria estar na base da
percepção objetiva; e
que vem inundando gradativamente a
percepção objetiva como um todo.
Principalmente no que se refere
à percepção do
"todo" difuso, que inunda a
percepção objetiva de conjunto e com o tempo à própria percepção objetiva focal.
Com isto estamos querendo dizer
que a desorganização da percepção objetiva encontrada nos
estados
alterados é
mais que uma simples desorganização; é uma inundação de funções. Na verdade uma
sobreposição de funções.
O mesmo, e de forma antagônica,
está acontecendo com o ramo corporal.
Tanto as reações impulsivas como a
sobreexcitação de campo quando direcionada ao corpo indicam inundação de funções
primitivas, de princípios funcionais, no funcionamento específico ou
superficial. As alterações do metabolismo do
funcionamento
emocional
do virtuais e a própria torpeza, tão característica dos
estados ausentes, apontam
na mesma direção.
Isto reforça nossa suposição
que o inocente ido-distante-desconectado conseguiu despertar um relativo
pandemônio de forças que ninguém sabe muito bem o que fazer com elas.
De qualquer forma isto é o que
temos feito sistematicamente, desmesclar, desfundir, separar, dividir.
• Em quarto lugar, em nosso trabalho, o
pensamento funcional paralelo se encontra pareado
com outro método de pensamento, ainda mais antigo que o próprio funcionalismo
primitivo, e, que muitos outros métodos de pensamento. A saber: o pensamento
animista (contacto
animista).
Como diz o poeta... Os olhos
são as portas de entrada e saída de uma alma que já não existe.
De acordo com
Reich, o pensamento animista se encontra na
base e tanto do pensamento mecanicista como do pensamento místico.
No desenvolvimento do trabalho
e das investigações com a
ausência, abertura de
um espaço animista pareceu como uma necessidade. Simplesmente porque o
pensamento animista é a linguagem utilizada pela maior parte das pessoas, quando
estas conseguem se referir as suas
impressões
sensoriais difusas, isto é, na maioria das vezes, os insights (sobre o
ido-distante-desconectado) foram formulados da forma animista.
E não somente como pensamento;
mas sim como procedimento; isto é, os
virtuais usavam o animismo como uma forma
de estabelecer
contacto; isto é, o
contacto animista estava envolvido na ausência.
Conseguimos compor e afinar a
nossa metodologia e compor o corpo de conhecimentos da Arte Org com os insights
e com as compreensões que aparecem como decorrência do trabalho em território difuso; sendo que estas compreensões e
insights apareceram com uma textura animista. Isto é, o animismo é uma forma de comunicação que os fronteiriços usam para se
referir ou traduzir as suas
impressões ou sensações difusas. Foi assim que aprendemos que o
animismo era uma linguagem natural e nativa usada para relacionar-se com
consigo-mesmo e com um mundo de experiências, de impressões e sensações soltas
no ar pela ausência ida. Foi assim que nasceu a nossa proposta de manter o
animismo como linguagem e procedimento por um lado; e, pelo outro lado usar o
funcionalismo paralelo como método.
Por mais objetivo que são
nossos olhos, sabemos, em algum lugar, que mesmo com os olhos abertos e vendo,
ora vemos e ora não vemos...
Quando o ver se retira para
dentro, para o fundo da cabeça, a gente fica como olhando o mundo por uma
janela, como se estivesse distante do mundo, isolado.
Quando o ver volta para os
olhos, e saí para o mundo, é neste então, que o mundo se abre, adquire cor,
vida, se coloca em movimento, sendo que às vezes as nuvens brincam pelos céus
como coelhos felizes, e outras vezes, elas colocam-se tristes, e choram como eu
quando me sinto sozinho.
Quando o ver vagueia por
nenhum-lugar é que ficamos com a impressão de estarmos idos, muito, muito
distantes, vagando pelas terras de não sei onde, e não dá vontade de voltar para
cá.
Porém, quando mesmo assim,
voltamos. Voltamos?
Quando conseguimos novamente
sentir o vento que nos acaricia o corpo; o pasto
que nos faz um agrado nos pés; o cheiro da terra molhada que refresca os nossos
pulmões; e ouvimos a alegria dos pássaros cantando pelo dia; e vemos ao longe a
fumaça do velho forno que ainda teima em fazer o pão, e vem àquela fome danada
como se o pão estivesse nos pedindo para ser saboreado; pronto. Aí sim que
voltamos.
Até que a função de ver volte a
habitar nossos olhos...
Portanto, várias de nossas compreensões, apareceram
formuladas de maneira animista, sendo que para algumas delas apresentamos sua
correlação funcional.
Outras tantas apresentamos da maneira funcional
orgonômica, o que nos permitiu manter uma ponte de conexão entre a
Orgonoterapia
Funcional Intermediária e a
orgonomia.
Além disso, o animismo foi mantido como forma de proteção,
como organização intermediária, o que nos assegurou, tanto contra o misticismo,
como contra o mecanicismo.
Como estamos trabalhando em
território intermediário e difuso corremos o constante risco, por
necessidade de se enraizar em algum lugar, de propor uma saída mecânica ou
mística. Tanto uma como a outra só iria nos confundir mais ainda.
E mais do que isto, sair do status de
ausente de si mesmo,
para um si mesmo presente e existindo na
corporalidade é, principalmente e especificamente, mudar a forma de se relacionar
consigo-mesmo. O animismo é a única forma de relação que conhecemos capaz de
realizar esta proeza.
É evidente que o sobrenome de nosso trabalho deveria ser
funcional animista, mas como sabemos que seremos mal compreendidos, neste caso,
ficamos somente com o termo funcional.
Porém na prática, resultou que esta confusão podia ser
abordada de uma forma mais simples; era somente manter a pareação entre a
corporalidade e a
percepção de campo de forma que
uma fosse combinando com a outra. Ou mesmo nas pautas dos exercícios onde sempre
temos presente mais de uma direção se contrapondo, se defendendo e se
completando.
Com os anos; conforme as direções de trabalho foram se
manifestando e se clareando o pensamento funcional paralelo foi ficando mais
automático e menos angustiante; até quando nem sequer estávamos preocupados com
sua existência; surgiu o caminho paralelo do projeto reciclando ou a composição
polar para os caminhos de si-mesmo no “aqui”; que nada mais é do que o mais puro
dos pensamentos paralelos.