[eu_dividido]
[identidade]
Identidade:
Estado do que não muda, do que fica sempre igual. Conjunto
de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e
graças às quais é possível individualizá-la. Conjunto de caracteres próprios e
exclusivos de uma pessoa: nome, idade, estado, profissão, sexo, defeitos
físicos, impressões digitais, etc. Cédula de identidade. Ex: a identidade das
impressões digitais revelou o assassino
O aspecto coletivo de um conjunto de características pelas
quais algo é definitivamente reconhecível, ou conhecido: estabelecer a
identidade de peças tombadas.
Consciência da persistência da própria personalidade. Ex:
Crise de identidade. Perda de identidade.
O que faz que uma coisa seja a mesma (ou da mesma
natureza) que outra. Qualidade de idêntico: Há entre as concepções dos dois,
perfeita identidade. Ex: eles têm identidade de pensamento.
Identidade visual.
Personalidade visual da empresa, resultante do efeito
iterativo das características comuns de suas imagens visuais. Conjunto de
elementos gráfico-visuais padronizados (logotipo, uniformes, embalagens, papéis
de correspondência, etc.) que estabelece essa personalidade.
[eu]
Eu:
Pronome pessoal.
Palavra usada por aquele que fala ou escreve para se
referir a si mesmo, quando gramaticalmente é o sujeito da oração. Ex: <eu vou
sair> <eu sou professor>.
Substantivo masculino.
A individualidade da pessoa humana. A personalidade de
quem fala.
Derivação: por extensão de sentido.
Forma assumida por uma personalidade num momento dado. Ex:
Meu eu de outrora não mais existe.
A individualidade metafísica da pessoa: Ex: “No momento em
que ela [a inspiração do poeta romântico] se lhe revela..., inspiração e
expressão vão de par, indivíduo e universo consubstanciam-se, o eu e o
não-eu integram-se” (João Gaspar Simões, Liberdade do Espírito, p. 34).
Individualidade.
[individualidade]
Individualidade:
A individualidade da pessoa humana. A personalidade de
quem fala. A forma assumida por uma personalidade num momento dado. Ex: meu eu
de outrora não mais existe.
O certo seria usar o termo Eu para se referir ao ser na
primeira pessoa e usar identidade para se referir ao conjunto de qualidades
específicas e especiais do ser. Porém, muitas vezes eu uso o termo identidade
como sinônimo de Eu simplesmente porque não estou acostumado a usar o termo
individualidade.
Muito provavelmente as bases funcionais do Eu e da
identidade sejam as mesmas, isto é, uma mesma função; ou aspectos diferentes de
uma mesma função; porém, acompanhando o processo do desenvolvimento, no humano
pode ser também que elas sejam realmente separadas; agora, no
funcionamento virtual elas sim se separam; sendo
que às vezes temos a impressão que o Eu permanece no mesmo lugar com um ser
unitário e único; enquanto a identidade sai se dividindo e estabelecendo as mais
diversas conexões e identificações; e outras vezes, temos a impressão que a
identidade é quem fica parada e fixada num mesmo
estado enquanto o Eu sai
aprontando das suas. Na maioria das vezes podemos dizer que o Eu é quem se diluí
para conseguir fluir e tocar outros horizontes (nesta e em outras dimensões)
enquanto a identidade se agarra, se aferra e se ancora nos locais mais insólitos
do planeta em busca de seus pertences ou de suas raízes.
[eu_dividido]; [subjetividade].
Os
virtuais não permanecem
numa só posição do Eu; isto é, eles não apresentam um Eu constante; muito pelo
contrário, o que eles apresentam é uma alternância na vivência do Eu. Tanto é
assim que o costume é caracterizar os
virtuais como personalidades divididas ou
múltiplas; ou multifacéticas; por definição incoerente e contraditória ou em
constante conflito.
Os
virtuais a cada dia suportam menos viver de acordo com
uma identidade seja ela qual for; ao mesmo tempo em que eles não suportam
viverem desenraizados de suas próprias identidades. Por um lado estão
sistematicamente e constantemente bombardeando sua própria identidade de todas
as formas e o esforço para modelar sua identidade a partir do dever ser é
somente mais uma da muitas maneiras de não deixar a identidade tranqüila; sendo
que o dever ser muda suas diretrizes a cada momento; e por outro lado se agarram
em qualquer ponto externo ou interno, no campo,
no corpo ou fora dele, principalmente nos aspectos escuros (profundo, cavernoso)
de seu próprio funcionamento como eixo de sua noção
de identidade. O que significa dizer que o indivíduo em questão vai colocar seus
vários eus com suas diversas identidades no centro dos acontecimentos; e de
forma sobreposta, pressionada e fixada.
Ocorre que o
funcionamento virtual (paradigma) modificou a
dinâmica dos conflitos; o que na dinâmica do carácter recaia sobre a pauta da
relação eu-outro sociedade; na dinâmica virtual passou para a relação
consigo-mesmo (mantendo - em muitos casos - o discurso da relação eu outro como
fachada, como escudo); com isto, o que era identificar e reconhecer os outros passou
a ser identificar e reconhecer a si-mesmo.
Ocorre que a maioria destas
características físicas especiais usadas para identificar as pessoas como seres
únicos, não costumam servir para o reconhecimento da identidade da própria
pessoa, com ela mesma.
Ocorre também que quando se
muda do domínio das coisas físicas para o domínio da mente ou da
consciência; ou simplesmente para o domínio
subjetivo; a questão da identidade se transforma em algo bem mais complexa e
intruncada do que simplesmente reconhecer ou diferenciar as pessoas como seres
únicos e unitários. Entrando outros fatores em jogo como as características da
personalidade de cada um que no funcionamento estruturado era moldado pela
própria
couraça; e no
funcionamento virtual virou um salve-se quem puder.
Como exemplo, sito aqui a
identificação (funcionalmente ou fisicamente parecido, da mesma natureza ou
categoria) com a figura paterna e materna que pode ser encontrada como tendência
no funcionamento das pessoas, nos estudos de como se dá o desenvolvimento
infantil, na estruturação terapêutica das mais variadas correntes,
principalmente na psicologia dinâmica.
Porque mesmo nas postulações
psicológicas o processo de se identificar (copiar, encontrar semelhanças) com os
outros aparece como um dos principais elementos na composição da identidade?
Bem pode ser que inicialmente o
processo de identificação com os outros não esteja a serviço de modelar a
identidade, mas sim a serviço de se relacionar com o mundo e de apreender dele.
A questão seria então porque que ele deixe de operar como uma forma de
relacionar-se com o mundo e de aprender do mundo para invadir o domínio da
identidade dos indivíduos de tal forma que muitos pensam que sem a identificação
com a figura paterna e materna, ou com qualquer outra figura, não existe
identidade ou personalidade.
Reich
postulava que as crianças auto-reguladas (saudáveis) não desenvolviam esta busca
“neurótica” de identificação fixada nas figuras dos pais, que o processo de
identificação se dava com as crianças de sua mesma idade. Ele pensava que a
fixação paterna já era uma conseqüência da neurose.
A obrigatoriedade da
identificação com as figuras paternas apresenta uma norma que foi aceita como
natural durante muito tempo que simplesmente se constitui num contra-senso; pois
a identificação com qualquer outro que molde ou modele a identidade vai
justamente se contrapor com o elemento mais importante da identidade que é
nascer crescer e se desenvolver como um ser único e individual inserido numa
família, numa cultura, e principalmente num meio ambiente.
Nestes termos o sentido
psíquico ou mental de pertencer também é um perigo para a identidade individual
e vice-versa; pois diz que para pertencer a uma nação, a uma cultura ou a uma
família não se pode ter uma identidade própria, sendo que na prática se sabe que
isto não é assim, e não é assim nas coisas mais cotidianas e importantes como na
criatividade. Se a criatividade pode combinar tanto os elementos culturais como
as tendências individuais, porque a identidade não pode?
Na época da estrutura do
carácter não podia e o culpado disto era a relação funcional entre a estrutura
de carácter e a moral social. Mesmo assim o indivíduo se rebelava, se revoltava,
virava rebelde, principalmente na adolescência quando tinha força vital para
tentar ser do seu próprio jeito, e acabava mantendo em sua identidade a
identidade do outro por contraposição. Parece uma maldição; primeiro a pessoa
como criança se identifica, depois se rebela, e logo compacta tudo isto num
funcionamento estruturado e logo o individuo está pronto para viver em
sociedade.
Porém estas são questões que
surgem quando se olha para o funcionamento do antigo império do carácter; agora,
depois da revolução
virtual, do advento do
funcionamento virtual, que muitos identificam entre o período da modernidade e o
da pós-modernidade; cabe se perguntar por que mesmo que as pessoas fazem tanto
esforço para serem cópias uma das outras?
Não que o fenômeno de
identificação inicial seguido da rebeldia desapareceu; mas eles não cumprem a
mesma função na economia perceptiva (psíquica) e também não se estruturam num
funcionamento. O problema deixou de ser identificação e desidentificação com os
pais para ser identificação massiva e generalizada e vale para tudo regendo
inclusive a economia de mercado.
Mesmo a capacidade para ter experiências subjetivas pode
ser compreendida como algo ontologicamente a priori de toda experiência, algo
evolutivamente adquirido e geneticamente herdado que pouco deve a cultura
particular de cada um; sendo o que fica para cada um é justamente a experiência
adquirida com as experiências vividas; e isto acaba resultando que cada um vai
compor uma consciência de si e do mundo única e individual; supostamente, mesmo
que duas pessoas tenham as mesmas experiências de vida, estas duas pessoas vão
acabar sendo diferentes uma da outra; o que deveria deixar o esforço de ser
igual a este ou aquele fora do contexto da realidade.
Muito coerente; porém se sabe
que isto deveria ser assim, ou que no fundo é assim; mas não reflete a
intencionalidade do funcionamento das pessoas.
Inclusive nos textos, nas
investigações científicas ou no meio acadêmico, o conceito de individualidade só
aparece como um postulado geral onde a identidade, só aparece quando as
diferenças se revelam materialmente como no caso da constituição dos seres.
Agora, diante de seres da mesma
espécie, constituídos dos mesmos elementos, como no caso extremos dos gêmeos ou
dos clones, então as diferenças só podem ser formuladas e compreendidas como um
conceito a partir do desenvolvimento das experiências subjetivas de cada um.
O que significa dizer que sem a
subjetividade todos seriam exatamente iguais; o que é um tremendo erro do
pensamento, inclusive atual. Se tanto a unidade energética, como a unidade
material, como suas experiências subjetivas apontam para o desenvolvimento do
ser como uma unidade individual inserida num contexto que convive com os outros
seres de sua mesma espécie e de outras espécies; significa dizer que a
subjetividade é somente mais um domínio onde a unidade do ser se manifesta como
uma identidade.
Porém na prática, mesmo no
domínio da subjetividade, eu conheço poucas pessoas que apresentam em seu
discurso manifestações de sua consciência de si e do mundo como um ser único e
individual. O tema mais parece um tabu, intermediado pelo susto da solidão e
contraposto pela dimensão lingüística que valoriza e configura o ser humano a
partir da convivência grupal. A tal ponto que o conceito de subjetividade que
deveria ser relativo à experiência única e individual de cada ser (pois trata do
eu penso, eu sinto, eu experimento, relativo à vivência única de cada um) se
transforma num elemento que configura e caracteriza os diferentes grupos sociais
(repetindo o antigo modelo das castas); a subjetividade das mulheres versus a
subjetividade dos homens, a subjetividade das donas de casa versus a
subjetividade das empregadas domésticas (a conjugação de verbo nós em torno do
pertencer por afinidade ou por obrigação, por profissão ou por nascimento a um
determinado grupo); e assim vamos mesclando e desconfigurando todas as coisas.
Na história do desenvolvimento
da espécie humana; os esforços individuais, sociais e culturais realizados em
torno das diferentes formas de moldar os carácteres dos indivíduos; com estas ou
aquelas características, com esta ou aquela identidade, foi muito grande e
durante muito tempo para que não seja tomado em consideração. A própria
estrutura do encouraçamento do caráter que se
repetia automaticamente produzindo grupos de indivíduos funcionando do mesmo
jeito é um bom exemplo da modelação da identidade e da personalidade.
Quanto ao homem atual, o
relaxamento estrutural produzido pelo
funcionamento virtual, que aparentemente deveria permitir e possibilitar que cada um
fosse mais cada um na convivência com os outros, revelou que se separar da
manada e continuar habitando em seu próprio meio continua não sendo tão simples
assim. Muito pelo contrário, pois além dos conflitos em relação à identidade se
manifestarem como elementos centrais de desconformidade humana; a própria noção
de identidade está sendo bombardeada e desconfigurada por todos os lados.
A única coisa que posso
acrescentar aqui para completar este raciocínio; além de minha tradicional
postulação de que a questão da identidade de cada um deve ou deveria ser lidada
no âmbito da relação de cada um (consigo-mesmo), antes de se tornar uma questão
de domínio público; é que diante da confusão que os
virtuais estão montando em torno de sua própria identidade, cada vez
tenho mais claro que isto é somente a ponta de um iceberg que ainda não revelou
claramente a sua natureza e nem a sua dinâmica; simplesmente esta questão e seus
atores coadjuvantes se encontram longe de ser compreendida; portanto; é um
assunto que no mínimo deve ser tratado com muita cautela e cuidados.
[eu_identidade].
A função “eu” e a função
“identidade” são irmãs gêmeas, bisnetas longínquas das funções de energia
orgone livre de massa, que apesar de serem um
contínuo infinito de energia, levam consigo a mágica da individualidade, do ser
único. Cada micro vesícula de energia, ao mesmo tempo em que é idêntica ao mar
de orgone, que nasce do mar de orgone e se dissolve neste mesmo mar de orgone;
durante sua vida, enquanto estiver contida por uma membrana energética, ela é
única. E é única não porque seja constituída de forma diferente das outras
vesículas, mas porque seu campo de energia a
mantém como uma unidade coesa e porque tem uma freqüência única. Quando percorre
seu caminho espiralado (onda), e se expande e se contrair (pulso), monta um
percurso de vibrações que lhe é único no tempo e no espaço. Isto é, mesmo que
cada vesícula de energia nasça do mesmo campo orgone; que sejam constituídas
pelo mesmo orgone; que se mova pelo espaço da mesma forma em ondas espiraladas e
tendo a mesma propriedade de expandir e contrair; o percorrido de uma vesícula
que a leva a se contrair num lugar do espaço, para continuar seu percorrido e se
expandir em outro lugar do espaço; monta uma freqüência de movimento única,
diferente de todas as outras vesículas. O que significa dizer que as funções Eu
e Identidade são primas irmãs longínquas do tempo e do espaço.
Além disto, a função “eu” e a
“função identidade” são netas do sistema bioenergético de
defesa. Na vida esta mesma função onda e pulso se
cruzam e entrecruzam e se manifestam numa vibração única em cada ser vivo. É a
partir desta vibração que o sistema imunológico se desenvolve tornando-se capaz
de identificar se uma determinada parte pertence a este organismo específico;
agora, se esta outra parte vibra diferente, é uma invasora.
Como não poderia faltar à
filiação direta, a função “eu” e a função “identidade” são filhas diretas do
ramo perceptivo; este que acompanha, pertence e define os seres vivos da mais
simples das amebas até o mais complexo dos humanos. Aqui, no ramo perceptivo;
conforma a vida vai se desenvolvendo e ficando complexa; os processos vão se
parecem como uma trepadeira segmentar; com uma mistura de vegetal e animal; ao
mesmo tempo em que participam de um mesmo ramo, criam raízes em várias partes e
nestas partes funcionam de maneira independente. Nível de experiência, forma de
defesa, vida vivida, experiência adquirida, e
nível de memória se combinam nesta interação e se diferenciam e se defendem
entre si nesta complexidade do humano; sendo que junto com tudo isto, também
está presente às ramificações daquilo que nos seres humanos chamamos de Eu e de
identidade. Enquanto o “eu” se apresenta como uma onda em direção a (movimento
no espaço), a identidade se apresenta como um pulso de experiência (movimento no
tempo), onde cada nível apresenta uma correspondente memória que também se
ramifica. A onda é mais espaço, o pulso é mais tempo. Enquanto a função Eu é uma
identidade que se move; a função Identidade é um Eu que permanece.
A identidade como uma função é
um processo que identifica um ser-vivo como parte de uma espécie, e como um ser
único dentro desta espécie; que se manifesta objetivamente na forma material e
na constituição que apresenta este ser; que também se manifesta na subjetividade
da experiência vivida por este ser; escapa do domínio da constituição material e
do desenvolvimento subjetivo da percepção para se enraizar na capacidade
energética deste organismo manter-se coeso e se colocar em movimento. Portanto;
é só observar dois seres em movimento (clones) que a diferença entre eles vai se
manifestar. O que significa dizer que a capacidade de se
perceber como um ser único inserido num determinado contexto passa pela
capacidade de se colocar e se perceber em movimento e de parar ou modificar o
movimento e sua percepção. Eis aqui as bases com as quais podemos chegar até o
Eu, até a identidade e a subjetividade, sem colocar os elementos e os passos
anteriores dados pelo desenvolvimento da vida num estado de imobilidade ou
inexistência dissecada ou catatônica.
[self]
Self:
Substantivo masculino.
Rubrica: psicanálise.
Sentimento
difuso da unidade da personalidade (suas atitudes e predisposições de
comportamento).
indivíduo, tal como se revela e se conhece, representado em sua própria consciência.
Etimologia. Do inglês self,
tomado substantivamente. 'De ou por si próprio'.
O que nos complica um pouco, pois ou este Self não é o
mesmo que Eu-profundo ou Eu-espontâneo, ou esta definição veio depois do advento
do
funcionamento virtual.
Na
Arte Org O “Self” é a maneira como nomeamos o
“Eu”
profundo ou o “Eu” espontâneo. Em nossa linguagem chamamos o “Eu” que
se encarrega de organizar a experiência do amor, da plasticidade, da
espontaneidade genuína de “Self”.
O significado que damos para Self pode não ser o mesmo
significado que anda circulando por aí. E ai não tem jeito, ou chamamos o que
pensamos que é o Self de alma corpórea ou então continuamos chamando de
Self e avisamos que neste caso se trata da experiência sutil e profunda,
espontânea e na maior parte das vezes criativa; da pessoa que se desloca para a
superfície.
Se quisermos ser mais literais, o meu Self significa o que
concerne a minha pessoa, e o Self ou experiência sélfica significa a parte
bonita do interior de um ser corpóreo. E só lembrar disto que você entende do
que estamos falando quando falamos do Self.
[eu_mim_coligado]
[eu_descorporificado]
Na
Arte Org, principalmente na fase inicial da terapia,
não podemos e não devemos trabalhar diretamente com a identidade do indivíduo;
mas sim, esperamos que ela vá se manifestando como decorrência do trabalho de
organização da
corporalidade. Isto é, para nós,
no
funcionamento virtual a organização da
identidade passa pela organização da corporalidade. A
ausência virtual envolve justamente a descorporificação da
corporalidade,
portanto o que temos inicialmente no
funcionamento virtual é uma identidade
descorporificada que se encontra sobreposta por um tremendo esforço de compor
uma identidade qualquer mudando constantemente de identidade.
Agora, quando estes indivíduos ditos
virtuais ainda conseguem manter sua capacidade de
se ausentarem (de si-mesmo e do mundo e de voltar para si-mesmo e para o mundo)
relativamente funcionando, o trabalho de
reorganização da
corporalidade e da
percepção cumpre o que promete; porém, quando esta capacidade já entrou em
colapso e a pessoa se encontra amarrada em qualquer uma das etapas de seu
esgotamento e de sua
ressaca; a questão da
identidade se manifesta de forma bem mais intruncada e complexa. Neste caso não
é somente que os
virtuais apresentam uma confusão em torno de suas
identidades; não é somente uma questão da divisão da identidade ou de múltiplas
personalidades; além disto, temos uma
pressão
sobreposta
por vários lados sobre
a identidade seja ela qual for; e não é somente sobre um tipo de identidade ou
outro, ou sobre aspectos da identidade; mas sim sobre a própria
noção
de identidade.
Por um lado sabemos que terapeuticamente só podemos
aprofundar o trabalho com a forma de organização da identidade virtual em fazes
mais adiantadas do processo terapêutico, quando a pessoa já sabe relativamente
lidar com sua própria
ausência dela-mesma e com
voltar para ela mesma. Por outro lado à pressão sobreposta e fixada precisa
ceder inclusive para que o processo de organização da corporalidade e da
percepção possa seguir seu curso.
O que também significa dizer que as nomeações a seguir são
válidas para o desenvolvimento do processo terapêutico e não diretamente para a
pressão exercida (pelo próprio indivíduo) sobre a própria identidade; ou sobre o eu que vive no
cotidiano; pois este já tem problemas demais em torno de seus conflitos de
identidade para que nos dediquemos aumentar o seu dever ser.
[identidades_virtuais]
Na
Arte Org nós usamos “Eu” ou “eu” para nos
referir de forma geral ao eu cotidiano.
Usamos o termo eu-difuso; eu-etéreo ou o
não-eu para o eu estruturador da função virtual; este é o eu
envolvido com a
ausência e com a
percepção
difusa, se encontra fora da organização da consciência
objetiva e da organização linear, portanto fora do universo da linguagem
objetiva e seu maior parecido é com o próprio Self.
Usamos o termo eu-descorporificado como a
contraparte da identidade do eu-difuso, ou o correspondente terráqueo do
eu-etéreo. Ele aparece fora do contexto da ausência ida; está direcionado
para o mundo das pessoas e das coisas; carrega consigo as reminiscências da
freqüência e da conexão envolvida com o estar difuso e
ausente.
Ao que tudo indica, contra todos os costumes e todas as
tradições, o eu-descorporificado (também chamado de fabricante de
super-homens) perdeu a capacidade de diferenciar a conexão cósmica com a
vida comum e corrente no planeta terra, ou então acha que pode reinventar a
partir de sua própria visão do mundo, o jardim do Éden na terra.
Usamos o termo eu-observador; também chamado de
eu-intermediador ou eu-terapeuta (que também se compõe como uma
identidade e se diferencia do eu-difuso porque se aproxima mais da
percepção organizada, da consciência e do universo da linguagem) para
identificar o eu que interage na relação consigo-mesmo.
Para que a função de observar
possa aparecer como identidade ela precisa aprender a
sentir ou a pessoa precisa aprender observar sentindo; cabe esclarecer
agora que; na verdade, o eu-observador que costuma aparecer no
funcionamento virtual já não é mais o famoso
observador distanciado dos tempos antigos, que ficava prestando atenção nas
coisas sem se comprometer com elas. Conforme os
virtuais vão ficando mais
ressacosos e fixados, o eu-observador costuma ir se metamorfoseando no
infernal grilo falante virtual (com a diferença dos contos de fada que este
maneja a culpa do dever ser e a angustia existencial catastrófica). Sendo que a
próxima metamorfose ocorre conforme os
virtuais vão se enclausurando no mundo
das profundidades (com seus poços e cavernas) quando vai aparecendo o gusano
pestilento e este maneja as tristezas das catacumbas. Nestes casos, conseguir
que o eu-observador silencioso (acompanhado do som do silêncio) volte a
aparecer na superfície já corresponde a um bom tanto de caminho andado
consigo-mesmo (reorganização, reparação). Daí, recapacitar o eu-observador
silencioso a lidar com o “todo” para que ele
possa exercer as funções de intermediador de si-mesmo (a serviço de si-mesmo)
com propriedade; outro tanto de caminho andado consigo-mesmo (restauração ou
amistar-se).
Usamos o termo “Eu-coligado” para identificar o eu
que aparece no processo terapêutico por contraposição ao funcionamento
ausente e
ao funcionamento sobreexcitado.
Tanto a
ausência como a
sobreexcitação de campo
promoveram modificações no funcionamento humano em todos os níveis. Tantos que
nem sequer temos uma idéia clara de como dimensionar ou reavaliar as dinâmicas
atuais envolvidas nestas modificações.
Sendo que muitas das áreas que
conseguimos identificar com área problema, só conseguimos formar uma compreensão
parcial do que está acontecendo. Como é o caso da nossa membrana, ou periferia.
Sabemos que ela está sendo anestesiada e sobreestimulada tanto pela ausência
como pela sobreexcitação. Sabemos que tanto a anestesia como a sobreestimulação
interfere na organização da
percepção e da
corporalidade; na consciência e na
autopercepção do mundo e de si-mesmo.
Sabemos que o espaço do meio entre o corpo e a percepção e entre a
consciência e a autopercepção se constituiu como um
território, como um domínio com funções que nomeamos como sendo a
percepção difusa e a consciência difusa; e, com um
sentido de identidade como sendo o eu-difuso. Sabemos identificar e falar
de algumas funções de cada uma destas entidades; e, já sabemos lidar de uma
maneira ou outra com algumas delas; podemos estabelecer algumas relações e
algumas suposições, quanto ao resto continuamos no ar, sem procedência funcional
e histórica e sem destino; na verdade não sabemos para onde o nosso navio (como
seres humanos) está
se dirigindo.
Quando conseguimos
terapeuticamente manter o caminho da
reorganização perceptiva e da
corporalidade e lidar de forma coerente com a
ausência e com a sobreexcitação;
tampouco conseguimos voltar para o território comum e aparentemente conhecido do
antigo funcionamento humano, e mais, continuam aparecendo funções e situações
desconhecidas; algumas estimuladas, despertadas ou desenvolvidas por
contraposição ou oposição; que nem sequer estão presentes no funcionamento da ausência e da sobreexcitação; isto é, que não estão presentes no
funcionamento virtual aparente; como é o caso da
identidade periférica nomeada como sendo o “Eu-coligado” que vai
aparecendo como potencialidade conforme as pessoas vão conseguindo recuperar a
sua periferia da anestesia e sobreestimulação da ausência e da sobreexcitação.
Em outras palavras, temos na
profundidade do
funcionamento virtual; uma identidade que se desenvolve a partir
do
volume corporal e
autoperceptivo;
particularmente quando a percepção do volume (volume autoperceptivo com o campo
pessoal incluído) volta a se ligar na
corporalidade;
isto é, que se desenvolve a partir da autopercepção, mas com característica de
consciência; que habita a mesma região entre a autopercepção e a consciência;
que lida com os mesmos elementos ou freqüências de
campo
presente na profundidade do
funcionamento virtual; mas que não é virtual, pois
se desenvolve justamente do restabelecimento do
contacto
e da conexão com a corporalidade e com o aqui e agora, e do exercício prático e
experiencial de restabelecer a relação consigo-mesmo. Isto é, que coordena o
contacto consigo-mesmo, portanto, que leva junto consigo tanto a correspondente
angustia de contacto com a correspondente ética que nasce do contacto
consigo-mesmo. E veja bem, que neste caso, nós estamos falando, em primeiro
lugar, da relação entre o
campo
e a
membrana periférica; isto é, de uma
noção
de eu
que se desenvolve na periferia do corpo, percepção que nasce da corporalidade,
na pele, e não do eu corporal ou emocional e nem do
Self
como a experiência profunda de si-mesmo, que deveria permanecer tal qual na
profundidade do organismo.
Esta poderia ser a notícia mais
importante e esperançosa que tivemos desde o advento do
funcionamento virtual, se não fosse um pequeno detalhe; ela nos
deixa na mesma situação que o próprio
funcionamento virtual; em termos
experienciais e vivências, o desenvolvimento de um tipo de funcionamento que
aparece ninguém sabe de onde, sem caminho e sem cultura para chegar até ele. O
resto são considerações e suposições, não sabemos se o “Eu-coligado” pode
aparecer mesmo que parcialmente na vida cotidiana das pessoas e nem se ele já
existia em algum esconderijo do desenvolvimento da humanidade. O que sim sabemos
que desde seu surgimento no desenvolvimento do processo terapêutico começaram as
reformulações do caminho e da estratificação do processo terapêutico, isto é, o
caminho que usamos para chegar até a descoberta do “Eu-coligado” não dava
respaldo experiencial e vivencial necessário para que a pessoa pudesse se
relacionar com esta parte de si-mesma; ou usá-la para se relacionar com as
outras partes de si-mesma; e mesmo com ele por perto as pessoas podem romper sua
própria ética e, a manipulação virtual de si-mesmo pode derrubar o recém
desenvolvido “Eu-coligado”; e, a situação da relação consigo-mesmo pode
ficar seriamente destrutiva, pois o “Mim”, nestes casos, costuma reagir e
pestilência contra si-mesmo é coisa pouca.
Além disto, temos o eu-animista, que não se compõe
claramente como uma identidade como os outros referidos acima; mas sim como um
conjunto de ações, posturas e procedimentos e tem propriedades ou parentesco
tanto com o eu-observador como com o eu-difuso, como com o “Eu-coligado”.
Ainda no universo perceptivo, mas mais próximo da
corporalidade; entre o
eu-observador e o eu-difuso, temos uma
outra função eu que hora e mais observadora e hora mais difusa; que foi nomeada
como eu-organizador ou o eu-observador que observa sentindo; e
afastando-se da percepção e indo para a
corporalidade temos o “Mim” para
o eu corporal e “Self” para o eu profundo.
O eu-observador que observa sentindo e o Mim
são os que, inicialmente, apresentam maior presença no desenvolvimento do
trabalho, respondem por seus nomes, e apresentam correspondência direta com
sensações, sentimentos
e movimentos de ondas (eu) e de pulsos (Mim).
Com o “Self” a coisa
ainda não é tão clara, parece se referir a um bloco de experiências e vivências
sem uma correspondência direta com sensações, sentimentos e movimentos.
Além disto, podemos dizer que a
noção
de estar presente, que aparece
principalmente nos trabalhos bem feitos com a
corporalidade; também se configura
como uma identidade apesar de que nunca nos referimos a ela como uma identidade;
mas sim como o sentimento de
presença.
[super_homem]; [micro_homem].
De acordo com a compreensão vigente na
Arte Org sobre o
super-homem; ele nasce de uma disposição perceptiva liberada pela função ida
difusa (ausência), particularmente da
percepção difusa e enquanto está restrito ao
território intermediário é coordenado pelo “eu-difuso”.
Porém, somente se manifesta como um super-homem quando
esta disposição perceptiva se muda ou é transladada para o mundo cotidiano,
geralmente a partir de um chamamento da pessoa direcionado a resolver esta ou
aquela situação ou mesmo para compor esta ou aquela realidade virtual. Sendo que
neste transladar; muita coisa se mescla; entre
elas a sua ética, sua composição e sua coordenação (Quando o super-homem se
manifesta na vida; ele é coordenado pelo eu-descorporificado).
Em outras palavras o
contacto
do
virtual com o mundo não têm a ver diretamente com a ausência, mas sua forma
mais poderosa de se mover no mundo nasce dela.
O super-homem sim é uma forma de
contacto com o mundo; mas
a pessoa não se sente ela quando funcionando como um super-homem.
A
Arte Org propõe que o micro-homem, além de ser uma forma
de estabelecer
contacto com o mundo é uma reação “Mim”; e mais, é uma defesa
direta contra o ido-distante-desconectado e contra o super-homem.
O que significa dizer que o Micro-homem é
exatamente a contra parte do super-homem.
Seu funcionamento nasce da
corporalidade. Neste caso todas as bases dos movimentos do micro-homem
podem ser encontradas na corporalidade. E são sentidas e reconhecidas, mas como
algo que deve ser mudado, ou melhor, extirpado. A defesa
micro-homem tampouco é sentida nem como defesa e nem como forma de contacto com
o mundo.
Aqui realmente é necessário fazer um acordo com a
terminologia usada, pois a confusão pode ser grande. Em primeiro lugar o termo
“forças” tal como é usado na
Arte Org, vem da esquizofrenia e tem o sentido de
algo externo que toma conta da personalidade e que a pessoa não pode reconhecer,
nenhum dos elementos presentes, como sendo próprio. Isto é, quando tomada pelas
forças, não pode reconhecer a si mesma, nem em suas ações, movimentos,
pensamentos e sentimentos. No fundo, nos dois
casos se trata de uma possessão; somente que o esquizofrênico percebe sua
possessão de forma completamente diferente de um místico; sua consciência não desaparece da experiência e ela
sabe que é uma força que está atuando, mas ele não se refere à força como sendo
ele; enquanto que no místico, durante o processo sua consciência de si-mesmo
desaparece; depois ele diz que era um espírito tomando conta de seu corpo e de
sua consciência.
No caso dos
virtuais, o que
está em jogo é uma sobre ação descorporificada; isto é, uma ação ou um conjunto
de ações que passa da capacidade que o indivíduo tem quando está vestido com as
roupas e os hábitos de um cidadão comum; e, descorporificada porque a pessoa não
costuma apresentar em seu corpo os gestos, as posturas e os hábitos coerentes
com a ação que está sendo realizada; também é descorporificada por que a
destreza de movimento presente na sobre ação não tem nenhum treinamento por traz
que de respaldo para as ações realizadas; e, também é descorporificada por que
faz parte do processo
ausente, isto é, para que a sobre ação possa ocorrer de
forma natural e automática, a pessoa precisa estar ausente de si-mesma.
Exatamente como se o
campo perceptivo amplificado
amplificasse as possibilidades de movimentos da pessoa sem passar pela
corporalidade da pessoa. Portanto temos uma
conexão do campo perceptivo que amplifica a capacidade de se mover de tal forma
que a pessoa não pode reconhecer a si-mesma na ação realizada, isto é, uma forma
de possessão que ocorre dentro do âmbito do campo perceptivo da própria pessoa
que não é nem mística e nem esquizofrênica.
Agora, quando isto ocorre no contexto cotidiano, é chamado
de
super-homem e quando ocorre no contexto da
ausência
é chamado de forças dos campos (sobreposto) de
cima ou de baixo. Os
virtuais também não reconhecem a si-mesmos quando estão
atuando como possuídos pelas forças, mas também não perdem a
consciência no processo; a não ser quando as
sobre ações se fundem com as diferentes identidades ou quando apresentam duplas
personalidades cindidas, quando uma não sabe da existência da outra.
É muito difícil modificar (lingüisticamente ou
corporalmente) as sobre ações descorporificadas, quando estas se manifestam na
vida cotidiana da pessoa.
De acordo com a
Arte Org, as questões das sobre ações
descorporificadas devem ser lidadas em território difuso, coligadas a ausência, que é onde elas surgem. É exatamente isto que foi
dito: a disponibilidade perceptiva (sobreposta)
de campo (que permitem as sobre ações descorporificadas) surge da ausência no
território difuso (território intermediário
virtual fronteiriço); do território difuso essas impressões
são deslocadas e
transladadas de forma compactada para a vida cotidiana; onde se
constituem em sobre ações ou
fixações. Isto não significa que a forma como se
manifestam as sobre ações surjam no domínio da ausência; mas a capacidade para
atuar, a disponibilidade ou a forma de funcionar que permite que uma ação se
manifeste como uma sobre ação sim.
O desenho da metodologia da Arte Org que permite lidar com
as forças
(sobrepostas) de campo; entra em
vigência numa fase bem adiantada do processo terapêutico; chamada de
acompanhando a
ausência e sua viajem para “nenhum
lugar”. Este trabalho é específico da Arte Org e toma em consideração uma grande
quantidade de elementos; porém todos estes elementos passam por uma questão que
é básica; justamente o que não queremos é que as forças se manifestem como
elementos da identidade do individuo; muito pelo contrário; a metodologia usada
pelo Arte Org para esta etapa do trabalho está configurada justamente para que
as forças (sobrepostas) dos campos se manifestem como personagens dos campos e
que estes atuem e se manifestem de forma separada da individualidade da pessoa e
que principalmente não se fundam nem com o Eu perceptivo ativo e nem com o Mim
corporal. Tampouco pretendemos que a forma de agir dos personagens dos campos ou
das forças (sobrepostas) dos campos seja
identificada diretamente com os personagens que habitam a vida cotidiana dos
virtuais; muito pelo contrário e usamos todos os
recursos disponíveis para que isto não ocorra dessa forma. O que significa dizer
que a metodologia da Arte Org não toma em consideração; não estimula e nem
desenvolve os processos psíquicos considerados como identificação histórica; mas
sim está interessada no funcionamento da
percepção
e da
corporalidade que permite que a experiência
se manifeste como tal.