Do Funcionamento virtual:

[do_funcionamento_virtual]

Sobre a ausência.

Sobre a ausência virtual

Ausência no (do) aqui.

Sobre o termo virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

Sobre a divisão, a cisão, a mescolância e desdobramento.

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

Sobre o encouraçamento do campo e a sobreexcitação nos virtuais.

Sobre o eu dividido e as divisões do eu.

Sobre a Identidade:

Sobre o eu.

Sobre a individualidade:

Sobre o eu-dividido dos virtuais e a subjetividade.

Sobre a função eu e a função identidade.

Sobre o Self.

Sobre o Eu; o eu-difuso; o eu-descorporificado; o eu-observador; o eu-organizador; o Mim e o Eu-coligado.

Identidade descorporificada.

Identidades dos virtuais relacionadas ao desenvolvimento do processo terapêutico da Arte Org.

Sobre o super-homem e o micro-homem

Sobre a pressão do - aqui.

Algumas características do funcionamento virtual.

 

Nesta sessão do glossário da Arte Org, nós colocamos os conceitos mais comuns relacionados com o funcionamento virtual começando pela ausência e seguindo com alguns elementos envolvidos com o voltar para si-mesmo do mundo ausente que se manifestam de forma mais ou menos característica.

Esclarecendo: todos os conceitos desta sessão foram extraídos do livro “história e desenvolvimento da metodologia da Arte Org” de Jovino Camargo Junior. Para efeitos legais e éticos; o resultado final tem sua autorização e revisão.
 

 

Sobre a ausência.

[ausência] [ausencia]

Na Arte Org, a escolha do termo ausência como o conceito representativo do funcionamento virtual como um todo, passou por um longo caminho. Começando por ser desconexão, depois ido, logo distante, para chegar finalmente a simplesmente ausente. Também teve os seus conflitos principalmente por que o termo é usado pela psiquiatria para se referir ao autismo e a esquizofrenia; e usar um termo carregado psiquicamente ou psiquiatricamente acaba na maior parte das vezes mais confundindo do que esclarecendo. Porém quando mudamos o termo funcionamento limítrofe ou fronteiriço para funcionamento virtual; também mudamos o termo ido-distante-desconectado para simplesmente ausente. Foi somente depois disto que à situação foi confirmada e esclarecida com o mais obvio, isto é, recorrendo ao dicionário.

De acordo com o Aurélio Eletrônico:
A ausência: Estado ou condição de ausente. Afastamento, apartamento. Falta de comparecimento; falta. Carência, inexistência.  Jurídico: desaparecimento da pessoa do seu domicílio, sem deixar ou dar notícia do seu paradeiro e sem deixar representante para zelar pelos seus interesses. Psiquiatria: lapso de memória. Falha do raciocínio.
O ausentar-se: Deixar um lugar qualquer; ir-se; retirar-se. Afastar-se, apartar-se. Desaparecer; acabar-se. Tornar-se ausente; ser afastado.
O ausente: Não presente. Afastado, distante. Brasileiro de Minas Gerais: Separado do cônjuge. Distraído, desatento; alheio. Psiquiatria: Diz-se da pessoa que sofre de lapso de memória, que se encontra incapaz de raciocinar; esquecido, distraído. Pessoa que deixou o seu domicílio e que se encontra em outro lugar. Jurídico: Pessoa cuja ausência se declara ou reconhece em juízo. Ausente de: Distante de.

Como ponto de partida nós podemos ficar com o que diz o dicionário, pois exatamente disto se trata, porém conforme vamos lidando com a ausência e compreendendo-a o conceito vai ficando mais abrangente, mais abarcador.

Na Arte Org, nós chamamos de ausência ao processo (ato completo) de distanciar-se de si e do mundo e voltar a conectar-se consigo-mesmo e com o mundo.

De acordo com a Arte Org; a ausência é o principal sistema defensivo da forma de funcionar dos virtuais, o fio vermelho, ou o elemento central sobre o qual estão compostas todas as formas de funcionamento dos virtuais. Desenvolveu-se, se multiplicou e se alastrou no século passado e já modificou todas as bases do funcionamento humano anterior, isto é, modificou a forma de se encouraçar do homem antigo (neurose de caráter), despertando e transformando o encouraçamento energético numa nova forma de encouraçamento: a couraça de campo. E sim, a ausência existia anteriormente ao funcionamento virtual como elemento crônico isolado pertencente a certos quadros como no caso da loucura, do autismo, do misticismo e da genialidade. Suspeitamos também que ela estava presente no animismo primitivo e nas culturas primitivas, pelo menos nestas que apresentam o costume de ficar olhando para o horizonte com o olhar perdido conectados com nada.

A ausência envolve diferentes níveis de distanciamento, mas não envolve necessariamente a desconexão.

O comum é encontrarmos a ausência operando junto com a desconexão ou a desconexão sendo usada para ausentar-se, mas a ausência simples pode ocorrer sem que a pessoa se desconecte dela-mesma. Apesar de que é muito difícil encontrar alguém que se ausente sem se desconectar; a não ser os que foram capacitados por suas terapias para lidar com o seu ausentar-se.

Neste sentido, o ato de ausentar-se é uma função perceptiva pendular que contém em si dois pólos, o pólo ausente e o pólo presente e uma oscilação entre estes dois pólos. Tal qual um pêndulo, a presença de dois pólos cria um terceiro pólo, o pólo do meio, que também chamamos de pólo intermediário.

Em termos dinâmicos o ato de ausentar-se (sair de si-mesmo e voltar para si-mesmo) pode nos deixar em qualquer lugar entre estes três pólos, isto é, pode nos deixar desde mais ausente até mais presente, sendo que o ponto de retorno “transforma-se” num novo ponto de partida. Este “transforma-se” envolve conexão, freqüência e estado anímico e, principalmente, metabolismo corporal. Isto é, entre um ciclo de ausência e outro ciclo de ausência às pessoas passam por um outro processo desta vez coordenado pelo metabolismo corporal, que os deixa num determinado estado que oscila do mais ausente ao mais presente.

Portanto, a cada vez que nos ausentamos terminamos num novo estado com um novo ponto de partida com duas direções, para longe de si-mesmo e de volta para si-mesmo.

 

Sobre a ausência virtual

[ausência_virtual]

Na Arte Org, a ausência virtual diz de um grupo de experiências vividas sem a coordenação do corpo (organização corporal) e sem a coordenação da consciência (organização perceptiva) no momento da experiência, onde a identidade – noção de eu - se desloca da corporalidade (percepção e corpo) para a experiência vivida.

Isto não significa que as pessoas não coordenam a experiência ausente, pois sim, coordenam, mas sim significa que o processo não é coordenado pela consciência objetiva e nem pela atividade motora muscular. Também não podemos dizer que o processo seja autônomo, isto é, coordenado pelo sistema vegetativo ou pela atividade dos músculos finos; mas sim podemos dizer que essa coordenação está justamente no limite entre um universo e outro; isto é, coordenada pela percepção difusa ou pela consciência difusa ou pelo “eu-difuso”. Os ausentes virtuais apresentam em todos os casos alterações do metabolismo energético, corporal e perceptivo.

Na maior parte das vezes nós usamos somente o conceito de ausência; sendo que algumas vezes usamos ausência virtual como sinônimo de ausência. Porém o conceito de ausência virtual é apropriado para a ausência que se sobrepõe ao ausentar-se. Neste caso uma ausência sobreposta. Também usamos o termo ausência clara para a ausência simples; e ausência escura para a ausência sobreposta ou virtual que navega pelos escuros dos campos.

 

Ausência no (do) aqui.

[ausência_do_aqui].

Ausência do "aqui":
Este tipo de
ausência só foi reconhecido depois da segunda reformulação do projeto Arte Org; costuma acontecer fora da superposição virtual, isto é, com a pessoa conectada com a natureza; e, pode manter tanto a noção de distanciamento ausente como a noção do estar aqui ao mesmo tempo ou unificada. Isto é, ela inclui a noção perceptiva de estar em dois lugares ao mesmo tempo, ou de estar num mesmo lugar de forma multidimensional.
 

 

Sobre o termo virtual.

[virtual]

Virtual: De corpo ausente. Aquele que projeta sua existência ou se sente existindo onde seu corpo esteve ou vai estar, ou onde seu corpo nunca poderá chegar, mesmo que estes lugares ocupem exatamente o mesmo espaço físico que ocupa seu corpo. Que existe lá no ali depois.

Veja bem, virtual é uma terminologia do “computês”.

Quando dizemos virtual nos referimos exatamente ao que não existe no concreto, mas que pode ser experimentado quase como se fosse concreto e que provoca conseqüências no concreto. Nada mais exato para definir a experiência que nós vivemos, quando estamos (ausentes) ido-distantes-desconectados.

Neste caso, quando falamos de elementos virtuais estamos nos referindo justamente a este algo inconcreto, que ainda não se corporificou; que tanto pode ser de natureza energética como de natureza sensorial e perceptiva difusa, como um campo desenraizado, como impressões sem casa ou a caminho de uma casa que pode ser inclusive as idéias, o que significa que também podemos ter idéias virtuais, descorporificadas, ou idéias corporificadas. E este algo quando se corporifica ou se enraíza; na maior parte das vezes; se manifesta literalmente como fixação. Sendo que algumas vezes, quando o funcionamento virtual não se fixa; quando o voltar da pessoa é mais harmonioso com a pessoa e com o lugar onde ela se encontra, este algo se manifesta como insights, compreensões, sensações, contacto, sentimentos ou mesmo como criatividade.

Agora, quando falamos do processo virtual; também está incluído o enraizamento ou a corporificação dos elementos virtuais. Em qualquer domínio (seja energético, seja organísmico, seja corporal; seja perceptivo; inclusive nas idéias; seja no mundo, nos lugares, nas coisas e nos outros) a corporificação virtual é sobreposta; é um tipo de colagem de algo sobre outro algo; exatamente como uma fixação. O que significa que se conseguimos soltar esta coisa que foi corporificada para o seu devido campo, se manifesta novamente os elementos nativos que estavam sobreposto pela tal colagem virtual. Nestes termos; corporificação, descorporificação; corporificação coerente; e expressão do funcionamento despressionado da colagem virtual, tomam significados práticos bem diferente um dos outros.
Assim, aparece um outro conceito que é de virtualismo
sobreposto; ou melhor, o virtualismo que já é sobreposto pode se manifestar em qualquer dos domínios de forma mais sobreposta ainda; sendo que está sobreposição pode se especificar e se compactar em blocos, em compartimentos; se corporificando tanto no corpo do indivíduo com em sua relação com o mundo em geral.

Veja também:

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o homem virtual...

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.
 

 

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

[os_virtuais]

Sobre o funcionamento virtual.

[funcionamento_virtual]

Funcionamento virtual foi à forma como nomeamos o funcionamento do homem do nosso tempo, engloba a estrutura do homem moderno e do homem pós-moderno.

Ou simplesmente virtual foi à forma como nomeamos os indivíduos que apresentam em seu funcionamento uma “certa” (certeira, efetiva) ausência ou desconexão de si-mesmo.

Veja que usamos o temo funcionamento virtual de uma forma ampla que engloba tanto os virtuais modernos (nos quais; o funcionamento virtual se apresenta de forma coerente, sem os sinais característicos da desorganização ou do colapso do funcionamento virtual; aqueles que ainda conseguem se ausentar sem tantas desconexões; portanto, virtuais normais, virtualmente organizados); como para os virtuais pós-modernos (aqueles que o funcionamento virtual normal já se colapsou; cheio de sintomas por todos os lados; com mesclas de comportamento; fixados num pólo ou outro de suas ressacas; que sua ausência já não é mais efetiva).
Porém de forma mais estrita; o conceito de funcionamento virtual deveria ser para os virtuais normais (os modernos); e estrutura virtual para os virtuais desorganizados (os pós-modernos).

Na Arte Org, a investigação do funcionamento do homem virtual está tão diretamente relacionada com a investigação do funcionamento da ausência de si-mesmo que uma noção não existe sem a outra.

Quando falamos da ausência virtual estamos nos referindo a um funcionamento que, de acordo com nossas investigações, já ultrapassou os limites da couraça caracterológica e da couraça muscular e está pressionando para ultrapassar os limites do funcionamento energético organísmico (unidade entre funções energéticas e massa viva).

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.

 

Sobre as estruturas virtuais.

[estruturas_virtuais]

Geralmente usamos o termo estrutura virtual como sinônimo de funcionamento virtual; porém quando podemos ou conseguimos ser um pouco mais específicos; o termo funcionamento virtual deveria ficar para os virtuais que ainda funcionam de forma virtual; isto é, que não estão diante de uma desorganização massiva de seu próprio funcionamento.

E quando falamos de estruturas virtuais de forma mais específica; estamos nos referindo ao ser limítrofe ou personalidade fronteiriça ou todas as demais formas de estruturas que nascem ou são decorrências da desorganização do funcionamento virtual.

Veja que o conceito de estrutura que estamos usando aqui trata justamente da tentativa desesperada de fechar a organização em torno de alguns aspectos, tornando estes aspectos repetitivos; pegados ou fixados (muito parecido com o encouraçar-se; porém que não é efetivo nem organizado como uma couraça corporal ou perceptiva propriamente tal); do ponto de vista do funcionamento virtual, as estruturas virtuais são pseudo-estruturas que não se cristalizam ou não se sedimentalizam como uma estrutura propriamente tal. Mesmo assim, elas se revelam como âncoras ou blocos de funcionamento congelado, o que é completamente contraditório com as características abertas ou incompletas, ou com a flexibilidade nativa do funcionamento virtual. O que implica que a conseqüência da desorganização nativa do funcionamento virtual resulta numa tentativa desesperada de se organizar agarrando-se ou fixando-se em aspectos específicos de um pólo ou outro; relacionados de forma geral com o voltar para si mesmo ou para o mundo; e de forma específica com a ressaca virtual.

Sendo que por trás deste conceito temos uma infinidade de quadros psicopatológicos; aonde o que menos se parece com um nome feio é mutante camaleão como si fosse.

Foi depois da década de quarenta que o conceito começou a aparecer nos psicodiagnósticos clínicos constituindo uma nova estrutura que foi denominada personalidade limítrofe ou fronteiriça. Isto é, que vivem na fronteira entre a loucura e a neurose.
Os primeiros termos utilizados pela psicopatologia dinâmica para nomear essas personalidades foram:
borderline, ‘como si’, fatídicos, esquizóides, psicopatas, (sociopatas e caracteropatas), impulsivos, perversos e depois narcísicos, confusionais, ambíguos, abandonados. Tudo isto aglomerado sob o conceito de ego frágil ou fragmentado.

Agora o que precisa ficar claro é que foi justamente a investigação da ausência o que nos permitiu sair do emaranhado que pode ser a investigação específica de cada um destes casos; para poder postular que eles são efeitos secundários de um funcionamento bem mais amplo e abarcador; que é o ausentar-se de si-mesmo e do mundo; e que giram em torno de um processo também mais amplo do que os quadros específicos; a saber, em termos amplos o voltar para si mesmo e para o mundo; e, em termos específicos a ressaca virtual com sua correspondente sobreexcitação de campo.

Deste ponto de vista; o nome estrutura virtual veio não somente para substituir todo este emaranhado de nomes que aparecem para nomear formas de funcionar mais confusas ainda; mas veio como um nome novo - atual; para uma “dificuldade” nova – atual que se relaciona que a forma de funcionar e de viver do homem contemporâneo. Somente que quando esta forma de funcionar (que já fronteiriça e intermediária; descorporificada e difusa) se desorganiza, começam a pipocar mesclas de funcionamentos de todos os tipos.

Como o desenvolvimento do trabalho, conforme vamos conseguindo compreender mais das funções envolvidas no funcionamento virtual como um todo, podemos também ir deixando os conceitos psicológicos de lado, para usar conceitos mais efetivos e coerentes com o funcionamento virtual como é o caso da sobreposição perceptiva ou virtualismo sobreposto que agrega funcionalidade ao conceito de estruturas virtuais. O que significa que na base da desorganização do funcionamento virtual, ou na base da pseudo estruração do funcionamento virtual temos uma sobreposição do campo perceptivo e da sobreexcitação de campo que se compactam e mudam de lugar em direção ao próprio corpo ou ao campo do lugar de tal forma a derrubar o próprio encouraçamento de campo, que leva consigo o próprio campo energético do indivíduo. O que também significa que este mesmo funcinamento dinâmico está também na base da formação das fixações (inclusive as de comportamento) e das pressões.

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

 

 

Sobre o homem virtual...

[homem_virtual]

... O futuro já é aqui e agora...

... O homem contemporâneo já mudou...

... Seu funcionamento se modificou...

... Seus traços, sintomas e doenças se transformaram...

... Seu corpo e suas percepções também se alteraram...

... Seus anseios, suas emoções e sensações se modificaram...

Portanto, seu caráter, a sua couraça, se fez mutante.

A repressão social, a exigência familiar e os tabus sexuais, já são elementos de um passado distante.

Já não somos habitantes do mato e nem do campo, nem dos vilarejos e nem da cidade grande, nem sequer temos fronteiras.

Por mais que nossas idéias e pensamentos teimem em manter nossos dicionários e tratados inalterados...

Por mais que continuemos buscando os motivos de nossas mazelas nos mais remotos reservatórios genéticos...

... Nosso esforço para fugir e escapar de nós mesmos...

... Nosso desespero por acabar com nossos próprios limites...

... Nosso anseio de colocar ou projetar nossa existência ou consciência; muito além do nosso próprio corpo e de nossas possibilidades... ...Já atingiram sua meta.

Nosso homem já rompeu consigo mesmo, com o mundo a qual pertence, com sua cultura, com sua história e com sua natureza.

Já se transformou num eremita no meio de multidões, num mutante perdido nas selvas de seus sentidos, repleta de vazios e desertos carentes de significados.

Seu destino e sua identidade se fundiram em sua própria meta transformando-se numa imagem virtual de si mesmo, que ele venera mais do que a si mesmo.

O homem de nosso tempo perdeu seu norte e, com ele, a possibilidade de alcançar sua própria intimidade, se transformando num caçador de si-mesmo.

Resta saber, quanta humanidade ainda pode ser resgatada neste homem virtual.

Homem virtual. Escrito por Jovino Camargo Junior para o boletim de promoção da Arte Org no Brasil.

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.

 

 

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

[território_virtual]

O território intermediário virtual fronteiriço foi em primeiro lugar um conceito que nasceu com a tentativa de preencher um vazio de conhecimentos relacionado inicialmente com a ausência e posteriormente com todo o funcionamento virtual.

Com o tempo ele (o território) foi tomando corpo, isto é foi deixando de ser um conceito usado para organizar o desenvolvimento teórico da Arte Org para se transformar no nome de uma região funcional que existia de fato.

É parecido com quando falamos de um território perceptivo ou território corporal, neste caso, uma zona intermediária entre o território perceptivo e o território corporal.

Inicialmente este conceito territorial referia-se somente a um tipo diferenciado de funcionamento perceptivo (principalmente da percepção difusa); porém, logo depois descobrimos que nele também estavam presentes elementos diferenciados da corporalidade (tanto da percepção objetiva como do corpo); para logo depois descobrir que também estavam envolvidos elementos diferenciados do funcionamento energético (tanto das funções do campo orgone, como da sobreexcitação, e como da direção {D. Or.}). Isto fortaleceu mais ainda o conceito de território como uma região que por si só podem imprimir uma forma de funcionar; que de acordo com suas características, esta forma de funcionar obedece a leis não lineares e se encontra fora da forma de estruturar presente nas organizações lineares como é o caso da linguagem, do pensamento organizado ou da organização objetiva da percepção.

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre a barreira de si-mesmo.

 

 

Sobre a barreira de si-mesmo.

[barreira_de].

O termo vem sendo usado para definir os limites impostos por um tipo de organização estrutural. Como exemplo nós temos a barreira de si-mesmo que se manifesta na estrutura de carácter que delimita uma faixa de experiências, de ações, de comportamento, de emoções, de pensamentos, onde dentro desta faixa a pessoa continua estruturada como um carácter.

Vale esclarecer aqui que: do ponto de vista estrutural; qualquer estrutura, que seja neurótica, psicótica ou biopática; incluindo as depressivas e neuróticas sintomáticas que se caracterizam como desorganizações estruturais; ou as biopáticas desdobradas como a esquizofrenia ou as biopáticas resignadas como o câncer que se organizem como uma estrutura de funcionamento; apresentam uma barreira de si-mesmo relacionada ao seu próprio funcionamento.

Desde as postulações de Reich sobre o funcionamento da couraça muscular, nós sabemos que as estruturas da personalidade não são somente organizações psíquicas, uma vez que a organização psíquica tem uma base uma correspondência na organização corporal. Para Reich o termo caráter carregava consigo dois aspectos, uma organização perceptiva específica e uma organização corporal específica. E esta unidade como uma organização impunha um limite para as ocorrências, vivências ou experiências que podiam ocorrer dentro do marco permitido pela estrutura. 

Em termos simples, passar pela barreira de si-mesmo significa que a estrutura vigente se colapsou ou vai se colapsar. Significa também que: se a estrutura for rígida (neurótica; psicótica ou biopática); antes existia uma estrutura anterior mais flexível; e, que depois da ruptura, se a pessoa continuar viva, ela vais se reorganizar novamente de uma forma ou outra.

Neste sentido, o funcionamento ausente virtual rompeu a barreira de si-mesmo existente no funcionamento caracterológico impondo a aparecimento de um novo tipo de organização, a estrutura virtual.

Porém, o funcionamento virtual tem como característica sair de um tipo de organização e ir para uma desorganização e desta para uma nova organização e assim por diante, chegando a ponto de serem definidos como sendo uma organização desorganizada. O que significa dizer que eles passam ou podem passar a barreira de si-mesmos muitas vezes.

No caso dos virtuais, passar por sobre si-mesmo e romper a barreira de si-mesmo viram sinônimos; porém sabemos que tanto o passar por sobre si-mesmo como o romper a barreira de si-mesmo cabem no funcionamento virtual; o que nos diz que a pessoa pode passar por sobre ela-mesma muitas vezes sem romper a barreira de si-mesma; o que nos diz que romper a barreira de si-mesmo envolve uma crise maior, uma desorganização maior do que a já presente no funcionamento; envolve um tempo de colapso, envolve uma inversão na direção do funcionamento, e uma nova reorganização.

Na prática terapêutica da ausência nós fomos descobrindo a cada dia muitas formas que os virtuais usam para passarem por sobre si-mesmos; e, continuamos descobrindo de tempo em tempo, uma nova forma usada por este ou por aquele virtual para romper a barreira de si-mesmo; sendo que, basicamente, podemos diferenciar três caminhos que as pessoas costumam seguir para romper a barreira delas-mesmas; o caminho da ausência, o caminho do desgaste cotidiano; e, o caminho das experiências piques, seja por drogas, ou por procedimentos experiências ditas terapêuticas.

Mesmo assim, apesar de termos conhecimento de muitas formas de romper a barreira de si-mesmo, ainda não conseguimos definir com claridade em que consiste a barreira de si-mesmos dos virtuais. Aqui temos somente suposições de como isto acontece; mas não do que ou em que consiste.

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.
 

 

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

[emoções_virtuais]

O conhecimento do funcionamento emocional, com suas correspondentes posturas e atitudes e com suas correspondentes alterações vegetativas acabou sendo um dos principais “nortes” no desenvolvimento de nosso trabalho com os virtuais.

Em primeiro lugar está à camada de sobreexcitação que modifica tudo. Quando a sobreexcitação está no campo temos uma expansão e uma vitalidade aparente mantida pela expansão da sobreexcitação que não tem respaldo da corporalidade (O mesmo que dizer que a expansão não vem de dentro, que enquanto o campo se amplifica o corpo se contrai). Quando está no corpo temos uma indução na corporalidade de sensações de cansaço e letargia a caminho das dores musculares e ósseas que se sobrepõe a motilidade corporal.

Quando a pessoa consegue diminuir seu índice de sobreexcitação de campo é que podemos encontrar as manifestações do que seria o funcionamento emocional dos virtuais. Na maioria das expressões emocionais, o corpo se manifesta antagonicamente à emoção correspondente. (Que é o mesmo que dizer que enquanto a percepção emocional se move numa direção, a motilidade corporal se move em outra) Este antagonismo se manifesta tanto na musculatura profunda como na periferia (pele e músculos superficiais, musculatura fina). O mais louco disto e diferente do carácter neurótico é que o sentimento emocional existe de fato. Quando uma pessoa diz que esta com pânico, ela esta percebendo e sentindo pânico. A única contradição é que sua periferia corporal não participa disto e está exatamente em seu oposto, na expansão. Se fôssemos pelo corpo à pessoa estaria sentindo prazer ou raiva. O mesmo é verdade para as situações integradoras e prazerosas. Quando a pessoa diz que esta bem, feliz, integrada e que a situação que esta vivendo é prazerosa; se fôssemos pelo o que nos esta comunicando sua periferia periférica (pele, corpo), ela deveria estar angustiada ou com medo.

Em todo caso, isto não é assim em todos os casos, e nem mesmo em todas as situações vividas pela mesma pessoa, pois se fosse, nós teríamos uma situação emocional fixa, portanto uma couraça estruturada por trás. Mas sim podemos supor que é uma tendência que nos permite dizer que no funcionamento virtual; (a maioria) os sentimentos emocionais, juntamente com uma grande parte das sensações corporais são, de acordo conosco, inundações; que são percebidas de forma emocional e não corresponde ao metabolismo corporal tensão => carga => descarga => relaxamento. É como se tivéssemos uma descarga e por trás não tivéssemos uma carga e pela frente não tivéssemos relaxamento.

Esta incoerência funcional se modifica quando as pessoas conseguem retomar a sua organização virtual saindo da pressão emocional em direção aos sentimentos; como por exemplo, o anseio triste e outros sentimentos mais globais que são mais coerentes com a ausência. Neste caso tanto o metabolismo pode se completar como aparece uma maior coerência entre o corpo e percepção. O que significa dizer que o funcionamento emocional dos virtuais está mais próximo dos sentimentos afetivos do que das emoções propriamente ditas. Em termos de estratificação do funcionamento virtual; significa que em primeiro lugar devemos encontrar os correspondentes sentimentos das emoções como é o caso da tristeza para a pena emocional; do susto ou apreensão para o medo; da indignação ou enfurecimento para a raiva; da aflição para a angústia e todo o resto que se combine com as impressões sensórias e que estejam mais próximos dos anseios; antes de entrar no funcionamento emocional propriamente dito. Sendo que neste caso; a prioridade está na capacidade de contenção no sentido de respaldar, de manter a conexão com o sentimento e de continuar em movimento junto como o sentimento e apesar dele que são funções da motricidade fina (antiimpulsividade); isto é, a capacidade de graduar e de lidar com o sentir e com os sentimentos é prioritária ao entregar-se e prioritária ao funcionamento e a expressão emocional. Inclusive a espontaneidade e o entregar-se passam por uma etapa prévia que tem o sentido de aceitar-se e de ceder para si-mesmo.
É evidente que tudo isto se encontra no exato oposto da direção da
pressão virtual que é se lançar na experiência e explodir ou implodir com ela. O que significa que no caso das estruturas virtuais, a emoções aparecem como uma sobreposição fixada que se manifesta como impulsividade, ou mesmo ataques de ira ou estado de pânicos de todos os tipos, ou ainda uma total ausência afetiva. Resulta que nenhum destes casos resiste ao menor confronto com o funcionamento emocional corporal real, são sobreposições emocionais representadas como emoções; incoerentes e contraditórias com a própria funcionalidade corporal; que só podemos nomear como emoções se nos esquecemos completamente ou negligenciamos as funções mais básicas de como as emoções se manifestam no corpo.

O antagonismo entre os sentimentos emocionais e a corporalidade foi um dos principais motivos que nos levou a deslocar-nos do território emocional para trabalhar com o território difuso, pois neste os sentimentos e a corporalidade pode operar de forma mais integrada.

Veja também:

Sobre as emoções.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

 

Sobre a ressaca e os ressacados.

[ressaca]

De acordo com nosso Aurélio eletrônico:
Refluxo de uma vaga, depois de se espraiar ou de encontrar obstáculo que a impede de avançar livremente.
A vaga que se forma nesse movimento de recuo. 
O encontro dessa vaga com outra (a saca), que avança para a praia ou para o obstáculo.

Brasileiro.  Investida fragorosa, contra o litoral, das vagas do mar muito agitado.
Fluxo e refluxo; inconstância, versatilidade, volubilidade.
Brasileiro.  Figurado.  Indisposição de quem bebeu, depois de passar a bebedeira.
Brasileiro.  Figurado.  Enfado, cansaço provocado por noite passada em claro. 

De acordo como nosso Houaiss eletrônico:

Forte movimento das ondas sobre si mesmas, resultante de mar muito agitado, quando se chocam contra obstáculos no litoral. A vaga que se forma nesse movimento.
Regionalismo: Brasil. Uso: informal: Mal-estar causado pela ingestão de bebidas alcoólicas.
Regionalismo: Brasil. Uso: informal: Mal-estar produzido por uma noite passada em claro.
Derivação: sentido figurado. Inconstância, volubilidade.

Etimologia: do espanhol, saca e ressaca 'retrocesso das ondas', que se aplicavam ao fluxo e refluxo do mar, quando este lança e torna a sugar os objetos que estão junto à orla.

Veja que vaga, além de significar “andar vagando por aí”; “lugar vazio; vago; lugar disponível”; significa também “ondas ou cada uma das compridas elevações da superfície de oceano ou mar, que se propagam em sucessão umas às outras”. E, além disto, como sentido figurado: “multidão que se espalha ou invade em desordem”, ou “ataque como turba lançada contra forças inimigas”. E, que saca além de ser o “ato ou efeito de sacar” significa também a “onda que avança para a praia” e o “ato de transportar gêneros ou mercadorias de um lugar para outro”.

Veja também que ressacado além de significar que foi sacado novamente; significa também: “tonto, doído, nauseado, por causa de uma bebedeira”; ou, “fatigado por uma noite passada em claro”.

Eita Lele. É assim que a linguagem vai voltando a fazer algum sentido. Aqui temos dois sinônimos para onda. Quer dizer então que em primeiro lugar temos uma onda chamada de vaga do tipo saca que ataca e investe em direção a praia; que é obstruída de seguir adiante e retorna como uma onda do tipo ressaca e nisto, se encontra com outra onda do tipo saca formando uma ressaca do tipo revoltura. Sendo que é característica ou costume de cada uma destas ondas a ação de levar consigo-mesma uma infinidade de elementos de todos os tipos.

Se eu não soubesse que estas definições datam do século XIV eu diria que foram os virtuais que andaram definindo isto.

Fazem parte da ressaca, além das características sensações de desorganização biofísica parecida com a febre, que costumam acompanhar as bebedeiras e as noites sem dormir, temos ainda, todas essas sensações velhas e conhecidas de peso, de cansaço etéreo, de insatisfação; de inundação de sensações de órgão, de sobreexcitação de campo. Todo esse mal estar em que ao vermos uma pessoa, dizemos: “Acabou de passar por uma guerra de campo”.

São próprios da ressaca, os castigos a si-mesmo. Esses procedimentos meio destrutivos, que ninguém sabe de onde vieram e que acontecem por ter-se quebrado algum pacto muito importante consigo-mesmo. E o castigo: alguns dias, semanas, meses ou anos sem o sentimento de Eu; ou dias e dias opacos e sem brilho, com gosto de solidão. Faz parte deste quadro o isolamento, fechamento ou ensimesmamento ou qualquer uma destas situações com as quais a pessoa se obriga a ficar enclausurada.

Agora, como era de se esperar, pelo que já dissemos, na ressaca, no bode, temos também a projeção para o futuro. Essa capacidade de transladar-se para o amanhã, e declarar-se incapaz e não merecedor de viver melhor no amanhã, e paralisar o presente por isso. Nesse caso, a ressaca está no agora e seus motivos estão no futuro.

A sensação biofísica básica para a ressaca é a dessincronia entre o corpo e o campo sobreexcitado. Manter a periferia aquecida (sobreexcitação) quando o que necessitamos é um esfriamento, ou resfriamento, periférico.

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

 

 

Sobre a sobreexcitação virtual

[sobreexcitação_de_campo].

O conceito de sobreexcitação é o mesmo tanto para o período orgonômico de Reich como para o funcionamento virtual proposto pela Arte Org. Mesmo assim, como no funcionamento virtual a sobreexcitação está intimamente relacionada com a ressaca virtual, na Arte Org, quando se faz necessário estabelecer diferenciações, o termo usado para a sobreexcitação dos virtuais é sobreexcitação de campo.

O fenômeno da sobreexcitação foi descoberto por Reich, junto com as investigações do projeto oranur e com a descoberta da doença {D. Or.}.

Costumamos compreender a sobreexcitação como sendo um aumento da carga ou excitação do campo energético, porém isto não é bem assim, pois a sobreexcitação de campo se manifesta como sendo um aumento na velocidade do movimento da energia interna a um sistema, é uma questão qualitativa e geralmente é acompanhada de diminuição da carga.

A sobreexcitação de campo é um dos primeiros sinais do encouraçamento do campo. Apesar de que alguns níveis de sobreexcitação promovem uma parada, uma estagnação do campo como um “todo”; na sobreexcitação, enquanto o campo está parado num determinado lugar, internamente ele esta sobre movendo-se.
Como exemplo: temos a
sobreexcitação de campo, com sua correspondente paralisia da descarga do campo e da pele.

Costumamos compreender a sobreexcitação como sendo um aumento da carga ou excitação do campo, porém isto não é bem assim, pois a sobreexcitação de campo se manifesta como sendo um aumento na velocidade do movimento da energia interna a um sistema, é uma questão qualitativa e geralmente é acompanhada de diminuição da carga.

A sobreexcitação de campo é um dos primeiros sinais do encouraçamento do campo. Apesar de que alguns níveis de sobreexcitação promovem uma parada, uma estagnação do campo como um “todo”; na sobreexcitação, enquanto o campo está parado num determinado lugar, internamente ele esta sobre movendo-se.
Como exemplo: temos a
sobreexcitação de campo, com sua correspondente paralisia da descarga do campo e da pele.

O termo sobreexcitação se refere a um aumento da velocidade de movimento do campo energético que ultrapassa a capacidade de descargas de energia coligada a matéria (Ex: O chorar e o suor não descarregam mais).
Esta perda da capacidade de descarga funciona por camadas e em primeiro lugar alcança as funções energéticas e emocionais. Apesar de a pessoa continuar chorando com lágrimas e suando com gotas, ela não sente mais a
sensação de descarga. Depois o processo alcança o próprio chorar e suar em si mesmo, acabando com as lágrimas e com o suor concreto.
A sobreexcitação não se refere à ansiedade ou a hiperatividade corporal ou perceptiva, muito pelo contrário, se parece com densidade, cansaço, irritação, picação, e, a maior parte das vezes, é acompanhada de um estado corporalmente largado. Também não envolve necessariamente um aumento de carga, pelo contrário, a concentração de carga é menor.
Seu
sentimento correspondente, além das freqüentes irritações dores corporais, de veias e de ossos, é de um vazio seco ou desértico, de alma esgotada ou consumida, de alma queimada por dentro, vazia e desértica.
A sobreexcitação se apresenta como um conjunto de alterações do metabolismo energético que se manifestam tanto biofisicamente como no funcionamento corporal e emocional das pessoas, com a angústia quente, e algumas disfunções metabólicas, inicialmente como uma secura quente, como uma sensação de calor seco fora do corpo em conjunto com uma gradativa diminuição da função de suar.
Geralmente toma o caminho para dentro do corpo passando pela pele e pelos músculos em direção aos ossos, ou se dirigindo para o centro do organismo, barriga ou subindo para a cabeça. Em seu caminho promove as mais variadas modificações do metabolismo do organismo chegando a produzir as mais diversas alterações do pH organismo e da temperatura corporal (pés e mãos gelados versus cabeça quente).

Durante todos estes anos, apreendemos na prática, e a duras penas, que, enquanto a sobreexcitação estiver presente entre o corpo e o campo, nenhum trabalho emocional é eficiente e verdadeiro.
Também aprendemos que apesar de ser possível remover grandes quantidades de
sobreexcitação de uma vez, o procedimento é inviável, pois a pessoa, depois que sua sobreexcitação é descarregada, pode fazer qualquer coisa para retomar a sobreexcitação inclusive passar horas diante de um televisor ou computador ou mesmo nos shopping.
Com isto descobrimos que as pessoas quando descarregam sua sobreexcitação, podem ficar realmente sem
defesas de campo e isto promove uma gama de reações, que podem ir do imediato sentimento de ser abandonado até os mais diversos tipos de pânicos.
Em termos práticos, a sobreexcitação não pode seguir onde está, pois impede a continuidade de qualquer processo terapêutico e não pode sair completamente de onde está, pois isto coloca a pessoa completamente exposta e desorganizada. O que nestes termos significa dizer que a sobreexcitação anda de mãos dadas com a
couraça de campo.

Agora o mais importante; na Arte Org se usa o termo sobreexcitação do campo justamente para diferenciar a dinâmica envolvida na sobreexcitação virtual da dinâmica envolvida na sobreexcitação energética. Em termos dinâmicos a sobreexcitação de campo não costuma ficar parada no mesmo lugar. De acordo com a Arte Org ela é precipitada do corpo para o campo e do campo, (apesar de poder ser descarregada para fora); ela costuma voltar e tomar a direção do corpo promovendo esta quantidade de sensações e sintomas densos já referidos; e neste caso o seu nome já começa a se modificar para ser chamado de {D. Or.}. Logo pode ser direcionada para a terra abrindo todo um espaço de conexões densas relacionadas à profundidade.

Porém uma coisa é certa, durante o processo terapêutico precisamos de procedimentos que coloquem a sobreexcitação em movimento, procedimentos que ajudem a reciclar a sobreexcitação.
Isto não significa que estes procedimentos devam ser orientados para lidar com sintomas que aparecem ligados a sobreexcitação. Isto seria se meter no território das doenças funcionais e isto é um atributo dos médicos ocidentais ou orientais, dos terapeutas especializados, dos naturalistas práticos, etc.
Nossa preocupação está direcionada ao funcionamento geral e sistêmico da sobreexcitação e não com sua sintomatologia adjacente. É lógico que colocar em movimento a sobreexcitação alivia a sintomatologia adjacente, mas este não é o nosso objetivo, isto são conseqüências e faz parte de um trabalho de prevenção e não da atuação terapêutica direta.
É evidente que as pessoas buscam ajuda para aliviar seus sintomas como é evidente que qualquer trabalho terapêutico deve levar isto em consideração, mas centrar os procedimentos para colocar em movimento a sobreexcitação em seus sintomas secundários é perder a
sobreexcitação de vista, ou pior, é manter a sobreexcitação fixada nos sintomas. O melhor que os terapeutas orgs podem fazer pela pessoa é lidar com a situação global e os sintomas e particulares devem ser lidados por outros especialistas.

O outro lado desta questão, é que o mesmo processo de sobreexcitação, nos desvia da atenção do “si mesmo”, isto é, da ausência de si mesmo.
De acordo com nossos conhecimentos orgonômicos, a
sobreexcitação energética deveria ser uma reação da energia organísmica contra fortes fontes de irritação do campo energético na atmosfera (radiação nuclear, indução eletrostática, etc.) que interfere no próprio metabolismo energético do organismo. E, isto, aponta diretamente para o meio ambiente.
Naturalmente, quando as pessoas estão sobreexcitadas e descobrem isto, imediatamente começam a buscar as razões de sua sobreexcitação no meio ambiente e nos outros. Neste caso, a carga sobreexcitada vem dos outros e nunca de si-mesmo.
Acontece que quando conseguimos ir seguindo terapeuticamente o caminho da ausência, outra relação foi aparecendo. A sobreexcitação se mostrou como a contra parte da ausência e aparece numa identidade com a direção de voltar para si-mesmo e para o mundo; Isto é, a sobreexcitação se mostrou como sendo a
defesa da ausência.

Nestes termos, por mais que o meio ambiente esteja emanando sobreexcitação, o mecanismo de se sobreexcitar como um procedimento defensivo dos virtuais coloca a sobreexcitação no âmbito da relação da pessoa consigo-mesma.
A grande pergunta aqui é o que está fazendo um sistema defensivo especializado em reações automáticas de natureza energética, por exemplo, como no caso de radiações nucleares, interagindo com funções perceptivas difusas, como é a caso da ausência de si-mesmo?

Em outras palavras, algo estava acontecendo energeticamente com o “meio ambiente” das pessoas, mais especificamente no território mais intimo das pessoas, ou melhor, no organismo das pessoas. E este algo; quer seja provocado pela ausência ou quer esteja aparecendo junto com ela, quer seja uma ação defensiva ou uma reação ressacosa; faz com que as pessoas reajam se sobreexcitando.

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.
 

 

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

[estados_de_densidade]; [estado]; [estado_denso]; [estado_sobreexcitado].

Muitas vezes o conceito de sobreexcitação de campo é usado como sendo um dos elementos da ressaca virtual, outras vezes eles são usados como sinônimos. Porém nem a sobreexcitação está restrita a ressaca virtual e nem a ressaca é idêntica a sobreexcitação de campo. O que significa que o conceito de ressaca e de sobreexcitação se referem a fenômenos diferentes, de domínios diferentes; porém em algumas características são idênticos.

O conceito de ressaca nomeia e qualifica um estado, sendo que este estado, muitas vezes, se funde com sintomas e formas de comportamento como é o caso da loucura virtual, da depressão virtual, do masoquismo virtual e da destrutividade contra si-mesmo.

Já a sobreexcitação é um conceito relacionado à excitação do campo energético que se refere à qualidade da excitação da energia orgone e também pode se apresentar como um estado como é o caso da densidade e da letargia ou mesmo da irritação.

Quanto a temo estado, apesar de sua amplitude de significados, o próprio contexto dos temas que estamos tratando restringe o conceito em torno dos modos de ser ou estar; e, estão relacionados com uma freqüência, com uma sensorialidade e com uma emocionalidade.

Sendo que neste caso (funcionamento virtual) deveria ser mais modo de estar do que modo de ser.

De acordo com a Arte Org esta diferenciação não abarca somente a linguagem; os virtuais são propensos a confundir e mesclar seu estar com o seu ser; e, costumam pressionar o seu estar justamente tentando modificar o seu ser. Em alguns casos, como por exemplos nos estados ressacosos, para que a pessoa possa reconhecer sua ressaca como um estado, como um estar passageiro, ela já precisa estar saindo de sua ressaca virtual.

Deste ponto de vista o conceito de estado se refere a uma situação ou disposição em que se acham as pessoas ou as coisas em um momento dado: estado de saúde; estado de espírito; estado de abandono; (o conjunto) as qualidades ou características com que as coisas se apresentam; (o conjunto) as condições em que a pessoa se encontra em determinado momento (estado de deterioração); condição física de uma pessoa ou animal, ou de alguma parte de seu corpo (estado de coma); condição emocional, psicológica ou moral de um indivíduo em dado momento, que influencia seu modo de encarar as situações, os acontecimentos etc. (estado de espírito; estado de choque).

O que nos coloca numa situação bastante interessante ou inédita; no funcionamento virtual: os estados (seja ele o um estado de espírito; um estado sensorial ou estado afetivo; um estado emocional; um estado perceptivo; um estado alterado de consciência; um estado ausente; um estado confuso ou difuso; um estado de ressaca, um estado de sobreexcitação; um estado denso; um estado pressionado no “aqui”, fixado; um estado fechado, profundo ou afundado) são na verdade os verdadeiros qualificadores do funcionamento virtual. O que significa dizer que o funcionamento virtual é coordenado pelos estados que se encontra o indivíduo (para o funcionamento virtual: equivalentes, portanto, ao carácter ou a maneira de ser e de estar de um indivíduo; os verdadeiros qualificadores da identidade); sendo que estes estados dependem exclusivamente de onde o indivíduo se encontra em sua polaridade ausente (ou em direção ao distanciamento de si-mesmo e do mundo ou em direção ao voltar para si-mesmo e para o mundo) e do nível de organização corporal e perceptiva do indivíduo num determinado momento. Sendo que os demais motivos e motivações externas se constituem em relações que o indivíduo faz com seus próprios estados.

Agora, tanto a sobreexcitação de campo presentes nos virtuais como o encouraçamento de campo dos virtuais, fogem a regra que é operar de acordo com princípios energéticos, ou funcionam de acordo com outras regras que combinam princípios energéticos com funcionamento perceptivo e corporal.

Esta relação entre os estados emocionais, os estados de sobreexcitação e os estados de ressaca nos permite formular uma pergunta histórica relativa ao próprio desenvolvimento da Arte Org: Porque os terapeutas emocionais tinham que andar preocupado com a sobreexcitação do planeta e das pessoas?

E a resposta era simplesmente porque a sobreexcitação alterava o metabolismo da descarga dos indivíduos.
Em outras palavras não existe terapia emocional que resulte numa pessoa sobreexcitada, pois a estratificação das
emoções simplesmente necessita do fator de descarga. Era justamente a descarga de uma emoção como defesa quem permitia uma próxima volta no metabolismo emocional com mais carga disponível que permitia revelar o contacto oculto (função de contacto modificado pelo contacto substituto ou forma de contacto como defesa) que por sua vez, conforme recebia mais carga se transforma na próxima defesa.

O relevante aqui é que já naquela época (primórdios da Arte Org) a maioria das pessoas que buscavam terapia apresentava uma oscilação entre sobreexcitação e ausência; apresentando de forma mais ou menos clara o que podia ser classificado como sintomas da doença {D. Or.}. O que significava que este quadro {D. Or.} proposto por Reich (na década de cinqüenta) estavam presentes nos quadros atuais dos virtuais sobreexcitados (década de 90); sendo que a sobreexcitação era um tipo de reação da excitação bem anterior à reação {D. Or.} e a presença da sobreexcitação de forma generalizada indicavam que a sobreexcitação tinha crescido enormemente, tinha se tornado mais ampla, mais severa e mais próxima da reação {D. Or.} (nos últimos quarenta anos).

Courtney Backer (jornal de orgonomia) tinha chegado à mesma conclusão comparando os testes de sangue feitos por Reich e por ele mesmo numa investigação das biopatias flogísticas (inflamatórias).
Courtney encontrou que o campo energético das células sanguíneas dessas pessoas com biopatias inflamatórias era maior do que o campo das células sanguíneas das pessoas normais; porém, contraditoriamente e apesar disto o tempo de deterioração destas células em formações de bions era equivalente das pessoas com biopatia carcinomatosa.
A conclusão de Courtney foi que a excitação do planeta tinha se modificado, simplesmente atmosfera do planeta já apresentava mais {D. Or.} que na época do Reich e que isto estava mutando o funcionamento celular das pessoas. 

A nossa conclusão (com a descoberta da sobreexcitação de campo) foi que a estrutura de funcionamento das pessoas em geral tinha se modificado. Além disto, a sobreexcitação e o {D. Or.} tinham a capacidade de anular qualquer possibilidade de seguir as reações emocionais de forma estratificada. Tanto a ausência como a sobreexcitação anulavam a efetividade das terapias em geral para lidarem com o funcionamento virtual.

É evidente que neste tempo, nos primórdios da Arte Org, ninguém tinha a menor idéia que logo, logo os executivos e depois os fixados no trabalho iriam arrumar uma alternativa para a doença {D. Or.}, o queimar-se por dentro, ou o secar-se.

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

 

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

[ressaca_sobreposta]

O próprio funcionamento da ressaca virtual se manifesta como uma defesa do “pôr-se ido” distante. Sendo que, de acordo com a Arte Org, a ressaca de campo ou virtual engloba a sobreposição de ressacas que inclui a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo; e muitas outras fixações mais.

Do ponto de vista terapêutico, o caminho proposto pela Arte Org não é adentrar-se em nenhum destes funcionamentos especificamente; pelo contrário, é sair deles reorganizando a percepção e a corporalidade e retomando o funcionamento normal da ausência simples. Porém, para que isto seja possível, o elemento comum entre eles é a ressaca corporal e perceptiva, energética (quando a sobreexcitação de campo já se moveu do campo para o corpo); o que significa dizer que neste caso precisamos de procedimentos especializados para mover a sobreexcitação de volta do corpo para o campo; como os exercícios procedimentos que se encontram localizados na fase (ou ciclo) da ressaca. Que são efetivos para quando o funcionamento do indivíduo não seja tão grave. Com todos os cuidados necessários evidentemente, pois se adentrar no funcionamento da ressaca já é especificar muito.

Agora, para a compreensão dos processos e procedimentos envolvidos na ressaca virtual sim precisamos saber diferenciar e reconhecer as funções depressivas, a loucura, e o masoquismo. Apesar da depressão propriamente dita, do desdobramento esquizofrênico e do carácter masoquista propriamente dito, serem estruturas de funcionamento em extinção, ainda precisamos saber como diferenciar estas antigas estruturas de seus correspondentes funcionamentos virtuais.

Um virtual masoquista funciona tal qual um carácter masoquista em sua plenitude. Com a diferença de que o carácter masoquista tem seus traços integrados com a sua forma de relacionar-se com o mundo, e serve como defesa dos perigos do funcionamento do mundo e dos perigos da angústia interna, e, além disso, como a “maneira” de estabelecer contacto com o mundo. Os traços masoquistas têm a função específica de consumir a angústia ou energia estásica.

Agora, o virtual, quando masoquista, vai continuar se defendendo do mundo da maneira virtual e a se defender do “nenhum-lugar”, em geral, e da “ausência”, em especial, da maneira masoquista. Vai continuar se relacionando com o mundo da maneira virtual, porém revestido da queixa masoquista; porém, sua angústia estásica é consumida pela ausência desconectada.

O mesmo é válido tanto para as estruturas depressivas e para o desdobramento esquizofrênico.

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

 

Sobre a divisão, a cisão, a mescolância e o desdobramento.

[função_de_dividir][divisão]; [separação]; [sobre_posição] [cisão]; [desdobramento]; [mescolância]; [fusão].

Aqui cabe esclarecer que o mais comum é encontrar estes termos como sinônimos. Sendo que algumas traduções de Reich usam o termo cisão enquanto outras traduções usam o termo desdobramento.

Para a Arte Org, não importa qual termo o conceito vai ser usado, mas sim importa a diferença funcional entre uma situação e outras, e neste caso se trata de quatro processos funcionalmente diferentes.

Em primeiro lugar, divisão ou separação (separação de um processo unitário em duas ou mais tendências autônomas, antagônicas, porém inter-relacionadas).

Em segundo lugar, sobreposição, divisão, ou cisão (separação com ruptura de um processo unitário em duas ou mais tendências autônomas, antagônicas, alternadas ou sobrepostas. Duas ou mais funções sobrepostas de forma separada ou mesclada).

Em terceiro lugar, sobreposição ou mescolância (fusão parcial de tendências divididas ou cindidas, tendo como base a inundação de territórios funcionais).

Em quaro lugar, cisão e desdobramento (alternância territorial da cisão e fusão numa única experiência).

Por isto podemos falar que a pessoa se dividiu; cindiu-se ou se desdobrou para dizer que a pessoa se percebeu em algum lugar onde o corpo não estava ou quando percebeu a si-mesma ou seu próprio corpo estando fora do seu corpo real; ou se dividiu ou cindiu quando apresenta diferentes personagens ou personalidades; ou mesmo que está cindida e desdobrada para quando está em surto; ou de cisão ou desdobramento para o processo esquizofrênico e seus delírios.

Em termo simples, os virtuais inclusive os (virtuais) desorganizados; costumam dividir, separar, sobrepor e logo mesclar; porém não alcançam o status de cindidos ou desdobrados quando este conceito significa fundir-se numa mesma experiência apesar de estarem intencionalmente apontando para esta direção; e quando isto ocorre entram no domínio da loucura. E isto não costuma ocorrer justamente porque a ausência separa a experiência perceptiva da corporalidade e o restante do processo; mesmo a fusão fica restrita ao domínio difuso. O propõe que o perigo se encontra no voltar para si mesmo quando a percepção volta a se aproximar da corporalidade; ou então quando o próprio campo energético (sobreexcitação) entra na fusão.

Além disto, estamos diante de uma situação que os conceitos são parecidos e indefinidos, portanto, o melhor aqui é qualificar e contextualizar a própria frase; usando, por exemplo, divisão perceptiva para as situações duplas e sobrepostas ou desdobramento esquizofrênico qualificando o processo, que deixou de ser simplesmente desdobrado para ser delirante.
 

 

Sobre o encouraçamento do campo e a sobreexcitação nos virtuais.

[couraça_de_campo]

Seu nome mais apropriado seria couraça do campo virtual; mas isto confunde, pois pensaríamos que estamos lidando com um tipo de couraça de campo como se fosse uma representação do encouraçamento do campo real; e não é assim, não é somente a percepção de campo real e a percepção de campo sobreposta que se encouraça, mas o campo real também. Neste caso vamos usar o nome longo encouraçamento de campo dos virtuais para evitar confusões.

Que no caso do funcionamento virtual significa que ele não só derrubou o encouraçamento normal presente no carácter incluindo o encouraçamento muscular como criou uma nova versão do encouraçamento; um encouraçamento de campo a partir da sobreexcitação, porém também temos outros elementos além da sobreexcitação operando na composição da couraça de campo.

Nossa hipótese para o encouraçamento de campo dos virtuais é que essa couraça de campo virtual unifica cinco processos diferentes. O próprio campo pessoal (campo de energia real), o funcionamento desvairado da percepção difusa, o campo perceptivo, o campo perceptivo virtual (sobreposto) e a sobreexcitação propriamente dita. Diante de todas as traquimanhas que já conhecemos da couraça de campo e das que não conhecemos ainda; a sobreexcitação é o mais fácil de ser abordado (porém sabemos que a sobreexcitação não á abarca nem uma parte do que está em jogo) o restante ainda está em compasso de espera para ser mais bem compreendido.

Sendo que, de acordo conosco, a sobreexcitação é coordenada desde a, ou através da corporalidade; por sua vez, a couraça de campo dos virtuais é mantida constantemente pela ação da percepção difusa em movimento e pela sobreexcitação de campo emanada do próprio corpo para o campo.

Até onde sabemos a diferença entre o encouraçamento energético (do campo do planeta; do campo da atmosfera; ou do campo dos seres vivos em geral) do encouraçamento de campo dos virtuais é que nestes, não é necessária uma fonte de irritação energética externa; isto é, pode ser assim, mas não necessariamente.

Nossa primeira explicação para o funcionamento virtual, é que nesse caso temos o campo pessoal contraposto à paralisia periférica (pele) (certo tipo de anestesia criada pelo próprio ausentar-se e ampliada pelas desconexões; inclui a torpeza ou descoordenação da periferia comum a todos os virtuais; tem a função de possibilitar o ausentar-se); contraposta também contra as energias livres de massa que inventam de entrar em movimento não sincrônico pelo campo pessoal. Porém, o antagonismo mais importante se dá entre a função ausente (ido-distante) e a sobreexcitação.

O que significa dizer que ou é a própria ausência; ou um determinado nível de ausência quem acaba de alguma forma estimulando ou provocando a sobreexcitação (de campo); isto é provocando a liberação da sobreexcitação do corpo para o campo; ou é o próprio movimento da percepção difusa ou um tipo de movimento específico desta percepção (energias livres de massa) envolvida na ausência quem sobreexcita o campo pessoal; de forma direta no campo pessoal ou no campo do lugar, ou indiretamente através das emanações de sobreexcitação desde o corpo para o campo. Postulamos que a corporalidade (Mim) cumpre um papel ativo neste processo; que ele de um momento para o outro assume a posição de defesa e libera a sobreexcitação para o campo; mas isto só aparece enquanto quando a dinâmica das defesas pode aparecer na superfície; pois até este momento o processo parece ser aleatório e automático; mais parecido com a ressaca; bebeu além da conta; tome ressaca.

E, até onde podemos acompanhar estes processos praticamente, podemos afirmar que a sobreexcitação de campo não ocorre em todos os casos concomitante com a ausência ida, mas um pouco depois, a não ser que a pessoa tente se ausentar quando já está sobreexcitada. É como se a pessoa começasse a emanar sobreexcitação do corpo para o campo logo depois da ausência. Portanto, a sobreexcitação se encontra mais próxima do voltar para si-mesmo do que do ausentar-se de si mesmo. Parecido com um polvo que laça na água sua tinta para distrair os seus inimigos.

Deste ponto de vista a sobreexcitação encontra-se no princípio de toda e qualquer ressaca virtual e se manifesta como sendo a principal defesa contra a própria ausência (ido-distante-desconectado). Também se encontra presente como um dos principais fatores do encouraçamento de campo; e, foi o processo mais investigado. Isto não significa dizer que o processo já está satisfatoriamente compreendido; pois ainda faltam muito para compreender do funcionamento da sobreexcitação em si e da couraça de campo em particular.

É importante esclarecer aqui que estamos falando de um processo com muitas e muitas camadas sobrepostas e fundidas e que aqui estamos colocando somente um esboço das forças e contra forças nele envolvido. Para começar, é muito difícil investigar o desenvolvimento tanto da sobreexcitação de campo como da ausência, quando as pessoas já se encontram desorganizadas (além da desorganização normal presente em todo e qualquer funcionamento virtual) ou mesmo ressacosas, estressadas e com desconexões por todos os lados. Para esta investigação, o nosso ponto de partida deveria ser quando as pessoas ainda conseguem se colocarem simplesmente ausentes; e, isto está cada vez mais difícil. Em segundo lugar a pessoa deve estar capacitada a acompanhar perceptivamente e sensorialmente tanto sua ausência como sua sobreexcitação; e isto requer de um largo caminho terapêutico já recorrido.

De acordo com nossa experiência terapêutica, o processo da sobreexcitação de campo pode ser divido em três partes e não necessariamente seqüenciadas ou separadas. A primeira quando se precipita a sobreexcitação no campo pessoal, fora do corpo, ou do corpo para o campo. A segunda, quando o corpo começa a reabsorver a sobreexcitação (do campo para o corpo, seja sugada a partir do corpo ou empurrada a partir do campo). A terceira, o redirecionamento perceptivo da sobreexcitação para o campo do lugar ou para a terra (profundidades).

O que sim temos claro é que conforme a pessoa começa a acompanhar a sua ausência para “nenhum-lugar”; o processo de sobreexcitação fica mais claro e mais ativo, principalmente durante o voltar para si-mesmo e para o aqui do lugar; isto é, sai de sua posição de conseqüência (ressaca) e aparece mais como defesa; ou melhor, como função antagônica da ausência; que poderia ser chamado de presença energética forçada, ou animistamente falando, a forma que a energia (ou a pessoa; ou parte dela) arrumou para forçar a pessoa a voltar para seu próprio corpo.

Também é bom considerar que a nossa política não é atacar a sobreexcitação diretamente, pois ela atua diretamente na formação da couraça de campo, e derrubar a couraça de campo, nem pensar, pois isto costuma ampliar as dificuldades em todos os sentidos e provocar justamente a desorganização do funcionamento virtual. O que significa que a desorganização do funcionamento virtual vai junto com a desorganização da couraça de campo e a pressão do “aqui” também.

Na Arte Org, a flexibilização da couraça de campo deve ser o mais gradativa possível e vai junto com o desenvolvimento do volume corporal e perceptivo que são condições funcionais e energéticas que podem substituir o encouraçamento de campo.

Até onde sabemos; a couraça de campo é extremamente dinâmica e sensível; não é como o encouraçamento do carácter e nem como a couraça muscular que podia ser flexibilizada; aqui a questão da flexibilização é substituída pelas pautas da relação consigo-mesmo e entre elas está o aprendizado de se relacionar com a própria couraça de campo Portanto, a nossa política é ir reciclando a sobreexcitação enquanto conseguimos aprender a lidar com nossas próprias defesas.

E para terminar este assunto, a compreensão mais simples que temos da couraça de campo é que o sistema de contenção, de defesa e de contacto (couraça) se desloca da pessoa para o seu campo pessoal; e deste se coliga ao campo do lugar; sendo que no campo do lugar podemos encontram as nossas coisas; as demais coisas; e, os “outros”.
Dito de uma forma mais direta, no
funcionamento ausente virtual as defesas do “um” se encontram nas “coisas” e nos “outros”.

Uma brincadeira que não é nada interessante certo?

Pois é, que as relações trafeguem pelo mundo das simbioses, dependências e manipulações já é jogo duro; agora, que a couraça defensiva também esteja se deslocando do “um” para o “outro” e vice-versa; eis aqui um assunto que pode colocar eriçado todos os pelos de qualquer Reichiano.

Se o fenômeno que deve ser lidado é com o deslocamento da couraça de campo para fora do campo pessoal ou para dentro do próprio corpo; é melhor começarmos a tomar providências desde o início.

A primeira delas: - por mais justificado e enraizado que estejam os conflitos atuais de um virtual no mundo externo; o assunto “deve” ser resolvido no âmbito da relação da pessoa com ela-mesma e esse é o primeiro procedimento para conseguirmos deslocar o encouraçamento da pessoa