Em contextos mais específicos podemos encontrar o termo
autopercepção sendo usado como sinônimo de autoconsciência, insight, self e
outros conceitos que se referem à percepção de nós-mesmos como uma unidade.
Nas teorias modernas
relacionadas à linguagem enquanto a percepção do meio ambiente é uma propriedade
da cognição presente em todos os níveis da vida; a autopercepção se manifesta
apenas nos animais superiores, porém só se desenvolve de maneira plena na mente
humana. O desenvolvimento da autopercepção no homem está estreitamente ligado à
linguagem e a comunicação. A autopercepção caracteriza um nível da mente ou da
cognição, uma faculdade especial que reflete ou se manifesta como
consciência de si-mesmo. “Enquanto seres humanos;
não estamos apenas cientes de nosso meio ambiente; também estamos cientes de nós
mesmos e do nosso mundo interior. Em outras palavras, estamos cientes de que
estamos cientes. Não somente sabemos; também sabemos que sabemos”. O que
significa dizer que para as teorias modernas a autopercepção é uma manifestação da
consciência.
De acordo com a
orgonomia; a
autopercepção é uma função
perceptiva global que se manifesta como uma função mental; é anterior â
consciência; sendo a consciência um desenvolvimento da autopercepção. A
autopercepção se desenvolve diretamente do funcionamento emocional bioenergético ou biofísico (movimento plasmático) e dele
depende; isto é, ela se encontra na relação entre o movimento plasmático de cada
órgão e seu próprio campo de energia. Um
organismo unicelular ou uma célula simplesmente percebem; porém num organismo
multicelular superiores os seus órgãos se autopercebem; sendo que esta
autopercepção funciona de acordo com a especificidade de cada organismo ou
órgão. Agora, a autopercepção de um organismo multicelular complexo não é a
somatória da autopercepção de todos os seus órgãos, mas sim a autopercepção do
organismo como um órgão unitário que contém nele a autopercepção de seus órgãos
individuais. Por isto autopercepção dos órgãos.
De acordo com
Reich, numa criança recém-nascida a
autopercepção
já existe e funciona plenamente, mas não de forma coordenada e unitária. A
autopercepção depende diretamente do movimento plasmático, portanto, a
autopercepção na existência uterina e pós-uterina, de acordo com a separação dos
movimentos orgânicos plasmáticos, se manifesta dividida em muitas experiências
separadas do self. Somente nos primeiros meses de
vida, com a crescente e gradual coordenação dos movimentos e das percepções, uma
a uma, até chegar ao ponto que o organismo se move de forma coordenada, como um
todo; é que as muitas percepções diferentes do self se unem em uma percepção
global do self que se move. Para Reich, a autopercepção global seria então a
percepção que um indivíduo tem de seu próprio movimento, quando ele já ocorre de
forma coordenada e unitária.
Agora, o que era mesmo a autopercepção e quais as suas
funções, principalmente quais as funções que a autopercepção global ficou depois
do desenvolvimento da consciência; continuava sendo uma zona das mais obscuras.
E continuou obscura, pela menos
para mim, até que consegui enxergar e orientar a pergunta, como também eu devo
ter respondido isto muitas vezes sem notar a resposta, pois não encontrava um
lugar, um contexto para fazer a pergunta.
A
autopercepção
se encontra num vasto território entre a percepção primitiva mais direta e a
consciência menos direta. De acordo com Reich; a autopercepção é um reflexo
disto, daquilo e daquilo outro; isto é um reflexo perceptivo, entre a percepção
primitiva unitária (aonde o movimento plasmático e o perceber sentindo é uma
unidade) e a consciência (que pode formar uma imagem, um conceito); isto, a
consciência costuma operar com uma representação dos fatos de forma distante ou
independente dos fatos e isto pode ser com mais
contacto
ou não. Sendo que a autopercepção apesar de ser um reflexo perceptivo ela está
mais próxima dos fatos e o contacto é uma pré-condição. Pode se falar de
consciência sem contacto, mas não pode se falar de autopercepção sem contacto.
Portanto; a pergunta ou a questão inadvertida aqui é o que
mesmo pode ser um reflexo perceptivo.
Reflexo: Que se volta sobre si
mesmo; reflexivo. Que se faz por meio de reflexão. Que não atua diretamente;
indireto. Que sofreu reflexão; refletido: “À luz escassa do sol poente, que,
reflexa em ângulo obtuso na caiada parede”. Luz refletida, ou o efeito dela.
Cópia, reprodução, imitação. Aquilo que evoca a realidade de maneira imprecisa
ou incompleta: ”Em seus traços ainda se podia ver um reflexo da beleza passada”.
Manifestação indireta de uma circunstância, de um fato. Aquilo que manifesta ou
que revela um sentimento, uma idéia. Atividade
involuntária de um órgão, como resposta a uma estimulação deste.
O que se sabe é que este tal reflexo perceptivo anda junto
com as impressões sensoriais dos órgãos; e que
tanto um conceito como o outro, se afastam do estímulo em si e da sensação em si. Por isto o elemento fundamental
para compreender e lidar com a autopercepção é o sistema de
ressonâncias ecoantes.
Jogue uma pedra num lago calmo
e observe as ondas provocadas pelo cair da pedra no logo. Agora se este lago é
um ser vivo; o receber a pedrada é sensação perceptiva; o perceber as ondas é
autoperceptivo.
O difícil agora é entender como a autopercepção (com suas
impressões sensórias) pode ser mais direta e
próxima da realidade do que a consciência (com as percepções objetivas); e, ao
mesmo tempo compreender porque se fala que a
percepção objetiva e mais direta do
que a autopercepção.
Na autopercepção este reflexo perceptivo é local, ocorre
no mesmo órgão, e na autopercepção global também é local, pois ocorre no mesmo corpo; e não do tipo um órgão aqui percebendo e
coordenando o que está acontecendo no outro órgão lá (pois este é um atributo da
consciência, apesar de que a consciência, graças aos céus, também pode funcionar
como alguns atributos da autopercepção, isto é, sentindo ou se conectando com os
fatos).
Porém a
consciência não
apareceu do nada e nem do dia para noite; mas sim da unidade dos órgãos dos
sentidos que já vinham se desenvolvendo desde os
organismos unicelulares, principalmente dos sistemas perceptivos encarregados de
alcançar os estímulos do mundo com precisão e detalhes, e cada vez mais rápidos.
Quando alguém escuta um ruído ou vê um a coisa ou objeto; a pessoa não para
perceber por quantos filtros está passando as informações que ela está
recebendo; o processo perceptivo passa de maneira tão rápida que pessoa tem a
impressão de estar recebendo as informações da coisa ou do objeto diretamente e
imediatamente. Por isto os canais condutores dos estímulos pelo espaço e pelo
corpo. Por isto se diz que este é um tipo de percepção direta.
Na autopercepção é diferente; a
pessoa percebe nela o que esta acontecendo com ela e com seu mundo exterior;
caso a pessoa queira melhorar a percepção de algo externo ou interno ela deve aumentar a
noção dela mesma. Quando uma coisa ou objeto se
move, emite ondas, estas ondas caminham pelo campo (estimulam o campo e são
estimuladas por ele); e tocam a pessoa produzindo novas ondas que são percebidas
pela pessoa em seu próprio corpo e assim vamos. Por isto se diz que é uma
percepção indireta e que opera como ressonâncias,
como uma linguagem de ecos.
Agora, um fenômeno percebido
objetivamente tem mais especificidade e é mais reduzido; um fenômeno percebido
autoperceptivo é mais global e mais profundo, como se o que fosse capitado fosse
à natureza ou a essência do fenômeno. Por isto se diz que a autopercepção se
aproxima mais da verdade do fenômeno do que a consciência.
Na
Arte Org, seguindo os passos de Reich, nós propomos que
a consciência da consciência de si-mesmo é um atributo da consciência e não da
autopercepção. Sendo a consciência (incluindo a autoconsciência) o atributo ou a
maneira de perceber que justamente diferencia ou que marca a passagem dos
animais superiores para o animal humano; a autopercepção seria justamente a
consciência primitiva que acompanhou e estimulou o desenvolvimento perceptivo
dos animais inferiores para os animais superiores e destes para o homem.
Portanto, tanto nos animais como nos homens; é a autopercepção quem acompanha e
estimula o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos
até que estes entrem a operar como consciência.
Neste caso, na Arte Org, na definição da autopercepção nós
devemos tomar o outro significado do antepositivo “auto”: 'por si próprio',
instantaneamente, que funciona de forma automática. E neste caso
instantaneamente não significa com maior velocidade, pois se a autopercepção é o
exercício perceptivo de acompanhar e coordenar os movimentos de excitação
(biofísica; bioenergética; emocional; equivalente aos movimentos do plasma ou do
protoplasma) pelo corpo como no caso das
emoções
bioenergéticas, ela é definitivamente mais lenta do que a consciência.
Da mesma maneira que podemos dizer que a autopercepção
leva consigo um elevado grau de
percepção de si-mesmo, porém, neste caso, o
individuo não se separa de si mesmo para perceber a si mesmo; não se desdobra;
não se sobrepõe; não associa e nem se abstrai (pois estas são funções da
consciência) e, principalmente não se separa do sentir;
isto é, na autopercepção o perceber e o
sentir operam como uma unidade. E mais,
quando ocorre qualquer uma das separações mencionadas acima no domínio da
autopercepção, já estamos diante de uma possível desorganização da
autopercepção. Por isto a consciência de estar consciente de si mesmo é um
atributo da consciência. Sendo que a autopercepção dos órgãos e a autopercepção
global se desenvolve antes do desenvolvimento da fala e permanece em grande
parte de seu funcionamento fora do domínio da linguagem falada.
A autopercepção como toda
percepção pode perceber tanto em direção para dentro, como em direção ao meio e
opera de acordo com o conjunto simples e primitivo das
impressões sensórias de órgãos; nela nós incluímos como uma de suas
principais funções; o sistema de ressonâncias
perceptivas ou percepções ecoantes que se dá e se desenvolve justamente com
capacidade de acompanhar o movimento da excitação no corpo acompanhando o rastro
sensorial deixado por este movimento.
A autopercepção difere da
consciência por que está é uma organização das
percepções e
sensações à
distância; tanto no organismo como fora dele, na consciência o que temos em
termos mais simples, é algo aqui percebendo algo que está ocorrendo ali.
Apesar de que na consciência,
principalmente quando esta se encontra relacionada com o sistema perceptivo
ligado aos órgãos dos sentidos, também pode ser
encontrado um fenômeno de percepção local. Por exemplo, quando vemos uma
composição especial de cores e esta excita os nossos olhos, promovendo e
qualificando outras sensações envolvidas nesta percepção. Mesmo assim, ela está
diretamente relacionada com a informação colhida ou alcançada a distância.
Enquanto na autopercepção;
tanto no organismo como fora dele, o perceber está restrito ao próprio local
onde o fenômeno se encontra. Neste sentido, apesar da autopercepção ser
considerada uma função da mente, podemos dizer que é a menos mental das funções
mentais, e mais, somente pode ser considerada como uma função mental se nós
consideramos a mente não como um atributo específico do cérebro. Caso contrário;
estaríamos colocando de fora do domínio da autopercepção toda a percepção
diretamente relacionada com o movimento da excitação plasmática dos órgãos
individuais e sua correspondente percepção, inclusive a do cérebro como um órgão
e a do corpo como um todo como um organismo. Isto é; estaríamos colocando fora
do contexto perceptivo à percepção e o desenvolvimento perceptivo de cada célula
e de cada órgão, que seria o mesmo que afirmar que a percepção somente existe
depois do desenvolvimento do sistema nervoso.
Quanto à separação das funções
da autopercepção com as funções da percepção dos órgãos dos
sentidos em si mesmo
é mais difícil de estabelecer considerações, pois é o mesmo que diferenciar
quando uma sensação ou impressão de órgão se
refere ao órgão em si mesmo ou ao que ele está recebendo como ondas externas e
ressoando a elas. Por exemplo, quando as sensações e
impressões experimentadas nos olhos estão relacionadas com o que os olhos
estão vendo ou estão relacionadas com a contração ou expansão dos olhos. Caso
possamos estabelecer está diferença, podemos dizer que as sensações relacionadas
com o ver são atributos da consciência e as relacionas com as
sensações e
impressões do órgão olho são atributos da
autopercepção, mesmo que estas sejam atributos da faculdade de olhar vendo. Que
é o mesmo que dizer que nos órgãos da percepção a consciência se sobrepõe a
autopercepção inclusive quando se relaciona com a coordenação de movimentos (Que
é verdade somente até certo ponto; pois sabemos que a consciência bem pode
impedir a manifestação da autopercepção e para isto só é preciso permanecer
ativa; porém, depois que a consciência se rebaixa e a autopercepção aflora, o
domínio bioenergético se manifesta e neste caso as regras são outras.).
Para entender isto é só tomar em consideração a respiração quando ocorre
de forma espontânea e a mesma respiração quando coordenada pela consciência. O
grande problema aqui é que a
couraça pode
transformar um tipo de respiração padronizada conscientemente num funcionamento
automático e involuntário; e temos uma couraça muscular do tipo do carácter
neurótico; que também pode atuar diretamente no movimento plasmático cindindo e
dividindo o movimento da excitação plasmática do órgão de sua própria percepção;
e temos um encouraçamento biofísico ou uma desorganização da autopercepção do
tipo da esquizofrênica.
Agora, do ponto de vista das
expressões e suas correspondentes atitudes corporais, e da experiência ou
vivência da pessoa; é possível diferenciar a quando a pessoa está percebendo a
partir de suas percepções objetivas ou de suas
percepções difusas; ou quando está se afastando
da consciência para entrar no mundo autoperceptivo e vice-versa.
Em termos práticos; o que sabemos é que a autopercepção
como um todo se manifesta de forma antagônica e contraditória ao estar
ausente.
E não é como o estar presente (que também é antagônica e contraditória a
ausência), pois a presença corporal é um atributo
da
corporalidade (e a corporalidade tem atributos
autoperceptivos e atributos da consciência); mas não é em si autoperceptiva. Na
presença (atributo da corporalidade) os sentidos perceptivos se aguçam como um
todo (a consciência objetiva e o corpo também); e na autopercepção os sentidos
(como um todo) se rebaixam (inclusive a consciência); entrando em operação
outras funções perceptivas ligadas ao sentir e as
impressões e
sensações; mais ligados aos órgãos do corpo e ao corpo e
mais separados da consciência.
Em termos metodológicos a
autopercepção não é como a
percepção difusa ou a
percepção objetiva que podem
ser alcançadas através de um “como” mais direto; o que significa que, em termos
gerais, a reorganização da autopercepção é indireta. Porém, a metodologia da
Arte Org descobriu quatro formas mais diretas que podem entrar (indiretamente)
no domínio da autopercepção. A primeira delas é corporal e vem depois da
presença da corporalidade, foi chamada de
volume
corporal. A segunda é perceptiva, foi chamada de volume autoperceptivo e seu
acesso se dá pelo volume corporal e pelas pautas autoperceptivas relacionadas
com o
campo perceptivo e com a percepção do
volume. A terceira está no escuriar
o campo do lugar. A quarta pelo sistema de
ressonâncias.
Agora; é importante esclarecer
que a autopercepção é antagônica a
ausência;
portanto, a pessoa precisa estar num espaço intermediário, entre a ausência e a
corporalidade, mas sem ser nem voltando da ausência para o aqui agora (pois isto
costuma ativar uma quantidade infinita de defesas do voltar para si-mesmo), nem
se ausentando e nem retomando o aqui e agora (pois isto ativa a
percepção
objetiva e a consciência objetiva; ambas antagônicas a autopercepção). E mais; a
corporalidade e a percepção de campo necessitam estar relativamente organizadas
e os exercícios procedimentos que acompanham este processo precisam ser
literalmente corporais e “esgotadores” a ponto de colocar os controles de
férias; e mais, precisam manter a periferia do organismo ativa como um todo.
Quanto à importância que isto
tem é só se lembrar que a autopercepção está na base da organização e da
desorganização da loucura, na base da organização e da desorganização da
identidade mais profunda (o eu-profundo ou o self);
é idêntica ao movimento plasmático do corpo; e é o sistema mais organizador do
caos
virtual como um todo.
Veja também:
Sobre o volume corporal, o volume autoperceptivo e o volume perceptivo.
Sobre o avolumar.
Sobre o volumear.
Sobre as ressonâncias.
Sobre o escuriar.
Sobre a consciência.
[volume]
Foi mesmo trabalho da
Arte Org com a
ausência quem nos revelou dois tipos de
organização funcional relacionados com a
autopercepção
(e contraposto à
ausência); um ligado ao corpo que foi denominado de volume
corporal; e outro ligado ao autoperceber que foi denominado de volume
autoperceptivo.
Da mesma maneira que a
corporalidade (com sua
noção de presença corporal); eu não sei se o volume corporal e o volume
autoperceptivo (com suas
sensações,
impressões ou noções) estavam presentes no
funcionamento neurótico antes do advento do
funcionamento virtual.
Eu penso que o carácter
neurótico estava e existia no corpo, porém sua percepção disto era exatamente o
que sua couraça caracterológica e muscular permitiam.
De acordo com
Reich a
autopercepção estava presente no caráter neurótico, porém como a couraça
consome a produção de energia, sua manifestação era fraca. Também estava
presente de maneira mais clara e forte na esquizofrenia (uma vez que esta não
apresenta inibição da excitação), mas neste caso se apresentava de forma
desorganizada.
[presença_corporal]
Neste sentido a sensação de
presença que aparece como oposição ou antagonismo ao estar
ausente é uma
novidade. E mais, ela está embasada num tipo especial de vibração corporal
suave; que pode ocorrer no corpo como um todo ou em partes dele; que pode ser
percebida ou se manifestar como um fenômeno corporal ou somente como uma
ressonância perceptiva deste fenômeno; porém, o assunto aqui é que quando a
pessoa consegue voltar de sua ausência relativamente organizada seu corpo vibra
suavemente; e a sensação ou o
sentimento que
nasce desta vibração é o de estar presente. Esta noção
de presença também pode aparecer depois que a pessoa faz um exercício corporal
forte; e é diferente das diferentes noções do corpo que as pessoas apresentam
andando pela vida. Quando este estado vibrátil se manifesta como um todo; ele é
percebido como uma ressonância do tipo de uma onda muito suave, relativamente
quente e úmida, que às vezes se parece como uma brisa; que se move no corpo no
sentido longitudinal em direção aos pés a as mãos e é caracterizado como sendo
uma sensação, um sentir,
uma noção e um estado, como uma suave
emocionalidade (sentimento) e a idéia mais comum
que nasce deste fenômeno é a de ter voltado para o corpo.
Agora, o volume corporal e o volume autoperceptivo se
constituem numa outra conversa bem mais difícil de ser explicada por palavras.
Em primeiro lugar não é a
pessoa ou o corpo da pessoa percebendo uma vibração, uma sensação, ou um
sentimento que acontece no corpo como no caso da consciência; na autopercepção a pessoa é o seu corpo.
Em segundo lugar este estado
não pode ser caracterizado como sendo uma consciência do corpo, nem para dentro
do corpo, nem para fora do corpo; isto é, não é como
tomar consciência de uma parte do corpo ou do corpo como um todo, não é
consciência do movimento corporal interno ou do deslocamento do corpo no espaço;
nem como tomar consciência de uma postura corporal ou de uma
sensação,
emoção ou
estado. Mas sim é como uma
autopercepção no mínimo tridimensional; e a palavra que mais se aproxima aqui é
uma autopercepção como sendo um volume; onde todos os
sentidos funcionam como um
“sentido” mesmo; e mais, vários
sentidos juntos e
como uma unidade. Inclusive o pensamento se modifica e participa desta unidade;
como se a pessoa tivesse perdido a capacidade de representar e saísse pensando
diretamente a partir de suas
impressões, que
neste caso deixa de ser
impressões para se constituir na realidade em si mesma.
Conforme este tipo de autoperceber vai ficando mais completo; a pessoa quando
direciona seu sentido perceptivo para um elemento externo ou interno, o elemento
não se separa de seu contexto e a pessoa percebe o mundo como se o mundo
estivesse acontecendo dentro dela e ela dentro do mundo, e ao mesmo tempo a
pessoa e o mundo ao seu redor são diferentes. A outra coisa que está mais ou
menos clara é que conforme o volume corporal ou o volume autoperceptivo vão
aparecendo e se aprofundando, as funções da consciência diminuem, o raciocínio
muda e com ele e capacidade de associar, de