Em contextos mais específicos podemos encontrar o termo
autopercepção sendo usado como sinônimo de autoconsciência, insight, self e
outros conceitos que se referem à percepção de nós-mesmos como uma unidade.
Nas teorias modernas
relacionadas à linguagem enquanto a percepção do meio ambiente é uma propriedade
da cognição presente em todos os níveis da vida; a autopercepção se manifesta
apenas nos animais superiores, porém só se desenvolve de maneira plena na mente
humana. O desenvolvimento da autopercepção no homem está estreitamente ligado à
linguagem e a comunicação. A autopercepção caracteriza um nível da mente ou da
cognição, uma faculdade especial que reflete ou se manifesta como
consciência de si-mesmo. “Enquanto seres humanos;
não estamos apenas cientes de nosso meio ambiente; também estamos cientes de nós
mesmos e do nosso mundo interior. Em outras palavras, estamos cientes de que
estamos cientes. Não somente sabemos; também sabemos que sabemos”. O que
significa dizer que para as teorias modernas a autopercepção é uma manifestação da
consciência.
De acordo com a
orgonomia; a
autopercepção é uma função
perceptiva global que se manifesta como uma função mental; é anterior â
consciência; sendo a consciência um desenvolvimento da autopercepção. A
autopercepção se desenvolve diretamente do funcionamento emocional bioenergético ou biofísico (movimento plasmático) e dele
depende; isto é, ela se encontra na relação entre o movimento plasmático de cada
órgão e seu próprio campo de energia. Um
organismo unicelular ou uma célula simplesmente percebem; porém num organismo
multicelular superiores os seus órgãos se autopercebem; sendo que esta
autopercepção funciona de acordo com a especificidade de cada organismo ou
órgão. Agora, a autopercepção de um organismo multicelular complexo não é a
somatória da autopercepção de todos os seus órgãos, mas sim a autopercepção do
organismo como um órgão unitário que contém nele a autopercepção de seus órgãos
individuais. Por isto autopercepção dos órgãos.
De acordo com
Reich, numa criança recém-nascida a
autopercepção
já existe e funciona plenamente, mas não de forma coordenada e unitária. A
autopercepção depende diretamente do movimento plasmático, portanto, a
autopercepção na existência uterina e pós-uterina, de acordo com a separação dos
movimentos orgânicos plasmáticos, se manifesta dividida em muitas experiências
separadas do self. Somente nos primeiros meses de
vida, com a crescente e gradual coordenação dos movimentos e das percepções, uma
a uma, até chegar ao ponto que o organismo se move de forma coordenada, como um
todo; é que as muitas percepções diferentes do self se unem em uma percepção
global do self que se move. Para Reich, a autopercepção global seria então a
percepção que um indivíduo tem de seu próprio movimento, quando ele já ocorre de
forma coordenada e unitária.
Agora, o que era mesmo a autopercepção e quais as suas
funções, principalmente quais as funções que a autopercepção global ficou depois
do desenvolvimento da consciência; continuava sendo uma zona das mais obscuras.
E continuou obscura, pela menos
para mim, até que consegui enxergar e orientar a pergunta, como também eu devo
ter respondido isto muitas vezes sem notar a resposta, pois não encontrava um
lugar, um contexto para fazer a pergunta.
A
autopercepção
se encontra num vasto território entre a percepção primitiva mais direta e a
consciência menos direta. De acordo com Reich; a autopercepção é um reflexo
disto, daquilo e daquilo outro; isto é um reflexo perceptivo, entre a percepção
primitiva unitária (aonde o movimento plasmático e o perceber sentindo é uma
unidade) e a consciência (que pode formar uma imagem, um conceito); isto, a
consciência costuma operar com uma representação dos fatos de forma distante ou
independente dos fatos e isto pode ser com mais
contacto
ou não. Sendo que a autopercepção apesar de ser um reflexo perceptivo ela está
mais próxima dos fatos e o contacto é uma pré-condição. Pode se falar de
consciência sem contacto, mas não pode se falar de autopercepção sem contacto.
Portanto; a pergunta ou a questão inadvertida aqui é o que
mesmo pode ser um reflexo perceptivo.
Reflexo: Que se volta sobre si
mesmo; reflexivo. Que se faz por meio de reflexão. Que não atua diretamente;
indireto. Que sofreu reflexão; refletido: “À luz escassa do sol poente, que,
reflexa em ângulo obtuso na caiada parede”. Luz refletida, ou o efeito dela.
Cópia, reprodução, imitação. Aquilo que evoca a realidade de maneira imprecisa
ou incompleta: ”Em seus traços ainda se podia ver um reflexo da beleza passada”.
Manifestação indireta de uma circunstância, de um fato. Aquilo que manifesta ou
que revela um sentimento, uma idéia. Atividade
involuntária de um órgão, como resposta a uma estimulação deste.
O que se sabe é que este tal reflexo perceptivo anda junto
com as impressões sensoriais dos órgãos; e que
tanto um conceito como o outro, se afastam do estímulo em si e da sensação em si. Por isto o elemento fundamental
para compreender e lidar com a autopercepção é o sistema de
ressonâncias ecoantes.
Jogue uma pedra num lago calmo
e observe as ondas provocadas pelo cair da pedra no logo. Agora se este lago é
um ser vivo; o receber a pedrada é sensação perceptiva; o perceber as ondas é
autoperceptivo.
O difícil agora é entender como a autopercepção (com suas
impressões sensórias) pode ser mais direta e
próxima da realidade do que a consciência (com as percepções objetivas); e, ao
mesmo tempo compreender porque se fala que a
percepção objetiva e mais direta do
que a autopercepção.
Na autopercepção este reflexo perceptivo é local, ocorre
no mesmo órgão, e na autopercepção global também é local, pois ocorre no mesmo corpo; e não do tipo um órgão aqui percebendo e
coordenando o que está acontecendo no outro órgão lá (pois este é um atributo da
consciência, apesar de que a consciência, graças aos céus, também pode funcionar
como alguns atributos da autopercepção, isto é, sentindo ou se conectando com os
fatos).
Porém a
consciência não
apareceu do nada e nem do dia para noite; mas sim da unidade dos órgãos dos
sentidos que já vinham se desenvolvendo desde os
organismos unicelulares, principalmente dos sistemas perceptivos encarregados de
alcançar os estímulos do mundo com precisão e detalhes, e cada vez mais rápidos.
Quando alguém escuta um ruído ou vê um a coisa ou objeto; a pessoa não para
perceber por quantos filtros está passando as informações que ela está
recebendo; o processo perceptivo passa de maneira tão rápida que pessoa tem a
impressão de estar recebendo as informações da coisa ou do objeto diretamente e
imediatamente. Por isto os canais condutores dos estímulos pelo espaço e pelo
corpo. Por isto se diz que este é um tipo de percepção direta.
Na autopercepção é diferente; a
pessoa percebe nela o que esta acontecendo com ela e com seu mundo exterior;
caso a pessoa queira melhorar a percepção de algo externo ou interno ela deve aumentar a
noção dela mesma. Quando uma coisa ou objeto se
move, emite ondas, estas ondas caminham pelo campo (estimulam o campo e são
estimuladas por ele); e tocam a pessoa produzindo novas ondas que são percebidas
pela pessoa em seu próprio corpo e assim vamos. Por isto se diz que é uma
percepção indireta e que opera como ressonâncias,
como uma linguagem de ecos.
Agora, um fenômeno percebido
objetivamente tem mais especificidade e é mais reduzido; um fenômeno percebido
autoperceptivo é mais global e mais profundo, como se o que fosse capitado fosse
à natureza ou a essência do fenômeno. Por isto se diz que a autopercepção se
aproxima mais da verdade do fenômeno do que a consciência.
Na
Arte Org, seguindo os passos de Reich, nós propomos que
a consciência da consciência de si-mesmo é um atributo da consciência e não da
autopercepção. Sendo a consciência (incluindo a autoconsciência) o atributo ou a
maneira de perceber que justamente diferencia ou que marca a passagem dos
animais superiores para o animal humano; a autopercepção seria justamente a
consciência primitiva que acompanhou e estimulou o desenvolvimento perceptivo
dos animais inferiores para os animais superiores e destes para o homem.
Portanto, tanto nos animais como nos homens; é a autopercepção quem acompanha e
estimula o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos
até que estes entrem a operar como consciência.
Neste caso, na Arte Org, na definição da autopercepção nós
devemos tomar o outro significado do antepositivo “auto”: 'por si próprio',
instantaneamente, que funciona de forma automática. E neste caso
instantaneamente não significa com maior velocidade, pois se a autopercepção é o
exercício perceptivo de acompanhar e coordenar os movimentos de excitação
(biofísica; bioenergética; emocional; equivalente aos movimentos do plasma ou do
protoplasma) pelo corpo como no caso das
emoções
bioenergéticas, ela é definitivamente mais lenta do que a consciência.
Da mesma maneira que podemos dizer que a autopercepção
leva consigo um elevado grau de
percepção de si-mesmo, porém, neste caso, o
individuo não se separa de si mesmo para perceber a si mesmo; não se desdobra;
não se sobrepõe; não associa e nem se abstrai (pois estas são funções da
consciência) e, principalmente não se separa do sentir;
isto é, na autopercepção o perceber e o
sentir operam como uma unidade. E mais,
quando ocorre qualquer uma das separações mencionadas acima no domínio da
autopercepção, já estamos diante de uma possível desorganização da
autopercepção. Por isto a consciência de estar consciente de si mesmo é um
atributo da consciência. Sendo que a autopercepção dos órgãos e a autopercepção
global se desenvolve antes do desenvolvimento da fala e permanece em grande
parte de seu funcionamento fora do domínio da linguagem falada.
A autopercepção como toda
percepção pode perceber tanto em direção para dentro, como em direção ao meio e
opera de acordo com o conjunto simples e primitivo das
impressões sensórias de órgãos; nela nós incluímos como uma de suas
principais funções; o sistema de ressonâncias
perceptivas ou percepções ecoantes que se dá e se desenvolve justamente com
capacidade de acompanhar o movimento da excitação no corpo acompanhando o rastro
sensorial deixado por este movimento.
A autopercepção difere da
consciência por que está é uma organização das
percepções e
sensações à
distância; tanto no organismo como fora dele, na consciência o que temos em
termos mais simples, é algo aqui percebendo algo que está ocorrendo ali.
Apesar de que na consciência,
principalmente quando esta se encontra relacionada com o sistema perceptivo
ligado aos órgãos dos sentidos, também pode ser
encontrado um fenômeno de percepção local. Por exemplo, quando vemos uma
composição especial de cores e esta excita os nossos olhos, promovendo e
qualificando outras sensações envolvidas nesta percepção. Mesmo assim, ela está
diretamente relacionada com a informação colhida ou alcançada a distância.
Enquanto na autopercepção;
tanto no organismo como fora dele, o perceber está restrito ao próprio local
onde o fenômeno se encontra. Neste sentido, apesar da autopercepção ser
considerada uma função da mente, podemos dizer que é a menos mental das funções
mentais, e mais, somente pode ser considerada como uma função mental se nós
consideramos a mente não como um atributo específico do cérebro. Caso contrário;
estaríamos colocando de fora do domínio da autopercepção toda a percepção
diretamente relacionada com o movimento da excitação plasmática dos órgãos
individuais e sua correspondente percepção, inclusive a do cérebro como um órgão
e a do corpo como um todo como um organismo. Isto é; estaríamos colocando fora
do contexto perceptivo à percepção e o desenvolvimento perceptivo de cada célula
e de cada órgão, que seria o mesmo que afirmar que a percepção somente existe
depois do desenvolvimento do sistema nervoso.
Quanto à separação das funções
da autopercepção com as funções da percepção dos órgãos dos
sentidos em si mesmo
é mais difícil de estabelecer considerações, pois é o mesmo que diferenciar
quando uma sensação ou impressão de órgão se
refere ao órgão em si mesmo ou ao que ele está recebendo como ondas externas e
ressoando a elas. Por exemplo, quando as sensações e
impressões experimentadas nos olhos estão relacionadas com o que os olhos
estão vendo ou estão relacionadas com a contração ou expansão dos olhos. Caso
possamos estabelecer está diferença, podemos dizer que as sensações relacionadas
com o ver são atributos da consciência e as relacionas com as
sensações e
impressões do órgão olho são atributos da
autopercepção, mesmo que estas sejam atributos da faculdade de olhar vendo. Que
é o mesmo que dizer que nos órgãos da percepção a consciência se sobrepõe a
autopercepção inclusive quando se relaciona com a coordenação de movimentos (Que
é verdade somente até certo ponto; pois sabemos que a consciência bem pode
impedir a manifestação da autopercepção e para isto só é preciso permanecer
ativa; porém, depois que a consciência se rebaixa e a autopercepção aflora, o
domínio bioenergético se manifesta e neste caso as regras são outras.).
Para entender isto é só tomar em consideração a respiração quando ocorre
de forma espontânea e a mesma respiração quando coordenada pela consciência. O
grande problema aqui é que a
couraça pode
transformar um tipo de respiração padronizada conscientemente num funcionamento
automático e involuntário; e temos uma couraça muscular do tipo do carácter
neurótico; que também pode atuar diretamente no movimento plasmático cindindo e
dividindo o movimento da excitação plasmática do órgão de sua própria percepção;
e temos um encouraçamento biofísico ou uma desorganização da autopercepção do
tipo da esquizofrênica.
Agora, do ponto de vista das
expressões e suas correspondentes atitudes corporais, e da experiência ou
vivência da pessoa; é possível diferenciar a quando a pessoa está percebendo a
partir de suas percepções objetivas ou de suas
percepções difusas; ou quando está se afastando
da consciência para entrar no mundo autoperceptivo e vice-versa.
Em termos práticos; o que sabemos é que a autopercepção
como um todo se manifesta de forma antagônica e contraditória ao estar
ausente.
E não é como o estar presente (que também é antagônica e contraditória a
ausência), pois a presença corporal é um atributo
da
corporalidade (e a corporalidade tem atributos
autoperceptivos e atributos da consciência); mas não é em si autoperceptiva. Na
presença (atributo da corporalidade) os sentidos perceptivos se aguçam como um
todo (a consciência objetiva e o corpo também); e na autopercepção os sentidos
(como um todo) se rebaixam (inclusive a consciência); entrando em operação
outras funções perceptivas ligadas ao sentir e as
impressões e
sensações; mais ligados aos órgãos do corpo e ao corpo e
mais separados da consciência.
Em termos metodológicos a
autopercepção não é como a
percepção difusa ou a
percepção objetiva que podem
ser alcançadas através de um “como” mais direto; o que significa que, em termos
gerais, a reorganização da autopercepção é indireta. Porém, a metodologia da
Arte Org descobriu quatro formas mais diretas que podem entrar (indiretamente)
no domínio da autopercepção. A primeira delas é corporal e vem depois da
presença da corporalidade, foi chamada de
volume
corporal. A segunda é perceptiva, foi chamada de volume autoperceptivo e seu
acesso se dá pelo volume corporal e pelas pautas autoperceptivas relacionadas
com o
campo perceptivo e com a percepção do
volume. A terceira está no escuriar
o campo do lugar. A quarta pelo sistema de
ressonâncias.
Agora; é importante esclarecer
que a autopercepção é antagônica a
ausência;
portanto, a pessoa precisa estar num espaço intermediário, entre a ausência e a
corporalidade, mas sem ser nem voltando da ausência para o aqui agora (pois isto
costuma ativar uma quantidade infinita de defesas do voltar para si-mesmo), nem
se ausentando e nem retomando o aqui e agora (pois isto ativa a
percepção
objetiva e a consciência objetiva; ambas antagônicas a autopercepção). E mais; a
corporalidade e a percepção de campo necessitam estar relativamente organizadas
e os exercícios procedimentos que acompanham este processo precisam ser
literalmente corporais e “esgotadores” a ponto de colocar os controles de
férias; e mais, precisam manter a periferia do organismo ativa como um todo.
Quanto à importância que isto
tem é só se lembrar que a autopercepção está na base da organização e da
desorganização da loucura, na base da organização e da desorganização da
identidade mais profunda (o eu-profundo ou o self);
é idêntica ao movimento plasmático do corpo; e é o sistema mais organizador do
caos
virtual como um todo.
Veja também:
Sobre o volume corporal, o volume autoperceptivo e o volume perceptivo.
Sobre o avolumar.
Sobre o volumear.
Sobre as ressonâncias.
Sobre o escuriar.
Sobre a consciência.
[volume]
Foi mesmo trabalho da
Arte Org com a
ausência quem nos revelou dois tipos de
organização funcional relacionados com a
autopercepção
(e contraposto à
ausência); um ligado ao corpo que foi denominado de volume
corporal; e outro ligado ao autoperceber que foi denominado de volume
autoperceptivo.
Da mesma maneira que a
corporalidade (com sua
noção de presença corporal); eu não sei se o volume corporal e o volume
autoperceptivo (com suas
sensações,
impressões ou noções) estavam presentes no
funcionamento neurótico antes do advento do
funcionamento virtual.
Eu penso que o carácter
neurótico estava e existia no corpo, porém sua percepção disto era exatamente o
que sua couraça caracterológica e muscular permitiam.
De acordo com
Reich a
autopercepção estava presente no caráter neurótico, porém como a couraça
consome a produção de energia, sua manifestação era fraca. Também estava
presente de maneira mais clara e forte na esquizofrenia (uma vez que esta não
apresenta inibição da excitação), mas neste caso se apresentava de forma
desorganizada.
[presença_corporal]
Neste sentido a sensação de
presença que aparece como oposição ou antagonismo ao estar
ausente é uma
novidade. E mais, ela está embasada num tipo especial de vibração corporal
suave; que pode ocorrer no corpo como um todo ou em partes dele; que pode ser
percebida ou se manifestar como um fenômeno corporal ou somente como uma
ressonância perceptiva deste fenômeno; porém, o assunto aqui é que quando a
pessoa consegue voltar de sua ausência relativamente organizada seu corpo vibra
suavemente; e a sensação ou o
sentimento que
nasce desta vibração é o de estar presente. Esta noção
de presença também pode aparecer depois que a pessoa faz um exercício corporal
forte; e é diferente das diferentes noções do corpo que as pessoas apresentam
andando pela vida. Quando este estado vibrátil se manifesta como um todo; ele é
percebido como uma ressonância do tipo de uma onda muito suave, relativamente
quente e úmida, que às vezes se parece como uma brisa; que se move no corpo no
sentido longitudinal em direção aos pés a as mãos e é caracterizado como sendo
uma sensação, um sentir,
uma noção e um estado, como uma suave
emocionalidade (sentimento) e a idéia mais comum
que nasce deste fenômeno é a de ter voltado para o corpo.
Agora, o volume corporal e o volume autoperceptivo se
constituem numa outra conversa bem mais difícil de ser explicada por palavras.
Em primeiro lugar não é a
pessoa ou o corpo da pessoa percebendo uma vibração, uma sensação, ou um
sentimento que acontece no corpo como no caso da consciência; na autopercepção a pessoa é o seu corpo.
Em segundo lugar este estado
não pode ser caracterizado como sendo uma consciência do corpo, nem para dentro
do corpo, nem para fora do corpo; isto é, não é como
tomar consciência de uma parte do corpo ou do corpo como um todo, não é
consciência do movimento corporal interno ou do deslocamento do corpo no espaço;
nem como tomar consciência de uma postura corporal ou de uma
sensação,
emoção ou
estado. Mas sim é como uma
autopercepção no mínimo tridimensional; e a palavra que mais se aproxima aqui é
uma autopercepção como sendo um volume; onde todos os
sentidos funcionam como um
“sentido” mesmo; e mais, vários
sentidos juntos e
como uma unidade. Inclusive o pensamento se modifica e participa desta unidade;
como se a pessoa tivesse perdido a capacidade de representar e saísse pensando
diretamente a partir de suas
impressões, que
neste caso deixa de ser
impressões para se constituir na realidade em si mesma.
Conforme este tipo de autoperceber vai ficando mais completo; a pessoa quando
direciona seu sentido perceptivo para um elemento externo ou interno, o elemento
não se separa de seu contexto e a pessoa percebe o mundo como se o mundo
estivesse acontecendo dentro dela e ela dentro do mundo, e ao mesmo tempo a
pessoa e o mundo ao seu redor são diferentes. A outra coisa que está mais ou
menos clara é que conforme o volume corporal ou o volume autoperceptivo vão
aparecendo e se aprofundando, as funções da consciência diminuem, o raciocínio
muda e com ele e capacidade de associar, de imaginar, de falar, ou de construir
ou executar qualquer estrutura consciente mais complexa; e, mesmo quando a
pessoa consegue falar neste estado ela fala por palavras e não com frases.
De acordo com o que conseguimos
observar e identificar; todos os sentidos se
modificam, ficam menos específicos, mais amplos, funcionam juntos, e são
infinitamente mais profundos; como se modifica também a estrutura corporal como
um todo, incluindo a postura da pessoa; sendo que os movimentos no espaço ficam
mais lentos; eu não sei se a palavra aqui seria que os movimentos ficam mais
precisos, mas sim sei que são mais intuitivos e automaticamente coordenados e
orientados, e que esta coordenação ou esta orientação é impossível de ser
alcançada somando funções, sensações e movimentos; como se a pessoa não
estivesse fazendo nenhum esforço para se mover ou locomover; e mais, o que sim
sei é que a pessoa não está dentro de si ou enterrada em si mesma, ela está
fora, ocupando o espaço exatamente como se este fosse o seu território, a sua
casa; ou como se ela ocupasse o lugar onde se encontra com propriedade, algo
parecido com ser dona do lugar.
Em terceiro lugar, também, de
acordo com o que conseguimos observar e identificar, este estado de
funcionamento corporal e perceptivo também nasce uma vibração no corpo, mais
especificamente da periferia do campo, com a diferença que aqui não é uma
vibração passando pelo corpo, mas sim é o corpo vibrando junto com a vibração, e
é mais pulso.
Em quarto lugar, o
funcionamento a partir do volume autoperceptivo não pode ser considerado somente
um
estado, pois ele literalmente se constitui numa forma diferente de ser e
perceber, exatamente como se um outro sentido perceptivo começasse de repente a
funcionar; apesar disto eu acho que o nome estado avolumado é um bom nome para
definir o funcionamento a partir do volume corporal e do volume autoperceptivo.
A partir disto, podemos
supor que definitivamente o funcionamento a partir do volume corporal e do
volume autoperceptivo não estava presente no carácter neurótico, simplesmente
porque ele não cabe na couraça muscular e caracterológica, e, se ele aparecia;
era em condições especiais como no orgasmo.
Também podemos deduzir, a partir
do sentido comum, que não é o caso de funcionar constantemente assim; se este
fosse o caso a “natureza” não tinha se dado ao trabalho de continuar o
desenvolvimento, não teria seguido especializando os órgãos dos
sentidos e nem teria desenvolvido a consciência
tal qual é conhecida.
Também sabemos que no
funcionamento virtual; por incrível que possa
parecer; o volume corporal e o volume autoperceptivo estão mais disponíveis,
sendo que supomos que isto tem a ver justamente com a oposição estimulada
pela
ausência que é o anestesiamento da periferia
(pressão por inexistência ou por vazio), e porque o encouraçamento do
virtual é
aberto; isto é, ele não se completa e nem se fecha numa estrutura.
E mais, acreditamos que entrar
por momentos na condição do funcionamento do volume corporal e do volume
autoperceptivo seja curativo e reparador por si mesmo, apesar de que isto não
impede que a pessoa volte a se ausentar, ou volte para o seu funcionamento
normal cotidiano; isto é, também existe um retorno do estado avolumado para as
condições normais e cotidianas, tal qual na ausência, por isto sua contraposição
com a ausência; isto é, tanto o estar
ausente de si-mesmo o do mundo como o
estado avolumado se constituem como eventos fora do viver cotidiano; somente que
na ausência a pessoa está fora do aqui e agora e no estado avolumado a pessoa
está tão no aqui e no agora que vira existência.
O que nos diz que o estado
avolumado é uma situação ou um lugar perceptivo que a pessoa deve visitar
algumas vezes, mas ela não pode e não deve permanecer nele.
E mais, de acordo com o que
conseguimos ir gradativamente compreendendo; todos os sentidos individualmente, e a consciência como um todo; apresentam
aspectos especializados e desenvolvidos desta condição de estado avolumado; como
por exemplo, a própria percepção de profundidade e de volume presente na função
objetiva de ver; e, todas estas formas de perceber
ou de sentir que manifestam aspectos do volume
corporal e autoperceptivo são fundamentais para melhorar as condições de vida da
pessoa neste planeta; e, todas elas podem ser alteradas pela ausência, pelo
funcionamento difuso, pela
sobreexcitação; pela
ressaca;
pelo esgotamento; e pelo funcionamento descontextualizado e indevido das sobre
ações do funcionamento do
super-homem na vida; isto é, são aspectos funcionais
da
percepção objetiva e
da
percepção difusa que podem ser
alterados e consumidos pelo
funcionamento virtual
como um todo.
Sendo que o entrar e o sair na
e da condição de estado avolumado pode reorganizar estas funções; e isto por si
só vale seu peso em ouro, sem falar na ajuda que o volume corporal e o volume
autoperceptivo podem dar ao desenvolvimento da relação da pessoa com ela mesma;
e no estímulo ou reestímulo que ele pode dar em todo funcionamento criativo.
Porém, como tudo que é poderoso
nesta vida, pode se transformar num monstro e bastante perigoso; principalmente
quando a pessoa, por suas razões, precisa se defender deste tal estado
avolumado; ou inventa de manipular a si mesma ou aos outros a partir deste
estado ou para entrar e sair deste estado; de forma manifesta ou inadvertida,
como, por exemplo, entrando na freqüência do volume a partir das drogas ou de
estímulos externos; ou com seu corpo e sua
corporalidade
despreparada ou desgraduada.
Isto significa dizer que o
trabalho com o volume corporal e com o volume autoperceptivo precisa ser
gradativo e contextualizado; sendo que os exercícios e procedimentos usados para
alcançar este estado ou o estar avolumado; precisa ser diferenciado dos
movimentos e procedimentos que aparecem quando a pessoa já está avolumada; e
estes também precisam ser diferenciados dos procedimentos necessários que se
encarregam do sair do estado avolumado e voltar para o funcionamento normal da
vida cotidiana.
Agora; é importante esclarecer que o perceber como volume
(volume perceptivo)
é uma característica autoperceptiva que se desenvolve nas outras organizações
perceptivas como na
percepção objetiva ou na
percepção difusa; o que significa
dizer que estão presentes tanto na consciência objetiva como na consciência
difusa (basta se recordar da imagem corporal, da noção
corporal; do campo perceptivo e do sistema de
ressonâncias); mas neste caso, conforme vão se especificando, elas vão
perdendo suas características autoperceptivas para se manifestarem com
características do sentido perceptivo correspondente ou como autoconsciência. Por outro lado; estas percepções
de características autoperceptivas são justamente as que abrem caminho para
tocar indiretamente a autopercepção.
Por exemplo, no caso do volume; quando estamos nos
referindo somente ao perceber como um volume; nomeamos como sendo o volume
perceptivo sendo que muitas vezes mantemos no termo volume
autoperceptivo para a maioria dos casos justamente para ressaltar o aspecto
autoperceptivo que continua vigente.
Veja também:
Sobre a autopercepção.
Sobre o avolumar.
Sobre o volumear.
Sobre as ressonâncias.
Sobre o escuriar.
Sobre a consciência.
[avolumar]
Verbo. Aumentar em volume;
volumar. Tornar-se volumoso; crescer em volume; avolumar, volumar.
O avolumar um conceito autoperceptivo que se adentra na
consciência como é o caso da autoconsciência. O
que significa que o avolumar aparece como uma qualificação perceptiva para as
outras organizações perceptivas como é o caso da
percepção objetiva e da
percepção difusa.
Veja também:
Sobre a autopercepção.
Sobre o volume corporal, o volume autoperceptivo e o volume perceptivo.
Sobre o volumear.
Sobre as ressonâncias.
Sobre o escuriar.
Sobre a consciência.
[volumear]
Volumear é um verbo construído dentro do contexto da
Arte Org para se
referir à ação de retomar-se a si-mesmo e se orientar através do
volume corporal e autoperceptivo.
Perceber a si mesmo e ao entorno usando a percepção do volume corporal ou do
volume autoperceptivo. Relaciona-se diretamente com as propriedades do volume
corporal e com o volume autoperceptivo.
Veja também:
Sobre a autopercepção.
Sobre o volume corporal, o volume autoperceptivo e o volume perceptivo.
Sobre o avolumar.
Sobre as ressonâncias.
Sobre o escuriar.
Sobre a consciência.
[ressonâncias]
Também chamado de ressonância ecoante se refere à forma
como a
autopercepção humana percebe, portanto um
sistema perceptivo que se desenvolve a partir da autopercepção primitiva.
O conceito foi desenvolvido no âmbito da
Arte Org e se
refere à percepção do movimento de excitação ou mesmo de uma
emoção que quando se move no corpo, deixa um
rastro perceptivo, uma impressão sensorial que é
percebida como sendo uma ressonância, como um eco.
A ressonância é uma maneira especial de perceber através
de impressões sensoriais. Temos ressonâncias em
todos os órgãos ocos do organismo e neste caso elas são chamadas de peristalse.
Também temos ressonâncias em todos os sentidos
perceptivos, sendo as mais importantes, a ressonância visual (pós-imagens),
auditiva (o som do silêncio) e na pele (percepção de si-mesmo através do
volume
corporal e autoperceptivo). Além
disto, temos, por exemplo, o sistema ósseo que também opera como um condutor de
ressonâncias.
O que significa dizer que as
ressonâncias não operam exclusivamente na autopercepção, pois ela entra também
nos sentidos perceptivos mais especializados; portanto na
consciência. Por isto, na
Arte Org se fala das
ressonâncias perceptivas com um sistema perceptivo à parte, de natureza
autoperceptiva, que pode perceber tanto as alterações do
campo real como as alterações do campo
perceptivo; mas que também alcança a consciência se manifestando nela (de forma
mais específica) junto com os sentidos perceptivos (como o som do silêncio e a
peristalse); por ele passam as sensações do tocar
a si-mesmo e do ser tocado por si-mesmo, e que também é capaz de perceber os
eventos energéticos do organismo, entre eles as inundações e
fixações do
funcionamento energético.
Sendo que na relação da pessoa
com ela-mesma o sistema de ressonâncias é simplesmente fundamental, pois trata
justamente de identificar e manifestar a tocar e ser tocado por si-mesmo.
De acordo com isso, poderíamos falar de ressonâncias
autoperceptivas, de ressonâncias perceptivas (ligadas aos órgãos dos
sentidos) e
ressonâncias de campo (ligadas à consciência
difusa); porém isto ficaria sendo apenas uma diferenciação de conceitos, pois é
muito difícil de fazer está diferenciação de forma prática. Por isto, na
Arte Org se fala somente de ressonâncias sensoriais (quando ligadas às
sensações
e impressões)
e ressonâncias perceptivas quando ligadas aos órgãos dos
sentidos.
Veja também:
Sobre a autopercepção.
Sobre o volume corporal, o volume autoperceptivo e o volume perceptivo.
Sobre o avolumar.
Sobre o volumear.
Sobre o escuriar.
Sobre a consciência.
[escuriar]
Verbo construído dentro do contexto da
Arte Org para se
referir à ação de retomar-se a si-mesmo e se orientar através do
volume autoperceptivo. Perceber a si mesmo e ao
entorno usando a percepção do volume autoperceptivo.
Depois foi ampliando como sendo investigar os escuros,
principalmente quando se refere a ver o que está passando com o escuro do campo
do lugar.
O que significa que se pode escuriar com a
noção do volume autoperceptivo,
do volume perceptivo e também se pode escuriar com o sentido da visão e da audição e com a noção de movimentos.
Depois se ampliou novamente para significar a capacidade
de investigar o que estava acontecendo com o campo (campo
real, no campo perceptivo e no campo virtual ou sobreposto) a partir do escuro; o que incluía a noção de pessoa
de si mesmo e de seu entorno; isto é, usando o escuro como veículo perceptivo, o
que também pode ser feito de olhos abertos e no claro.
Veja também:
Sobre a autopercepção.
Sobre o volume corporal, o volume autoperceptivo e o volume perceptivo.
Sobre o avolumar.
Sobre o volumear.
Sobre as ressonâncias.
Sobre a consciência.