Corporalidade e percepções: emoções; sensações; sentimentos e contacto (autopercepção e consciência).

[corporalidade_e_percepção].

Sobre o paradigma corporal dos terapeutas corporais.

Sobre o corpo e a corporalidade.

Sobre a Percepção.

Sobre a percepção objetiva.

Sobre a percepção difusa.

Sobre o – todo.

Sobre a atenção perceptiva.

Sobre o deslocamento perceptivo.

Sobre o transladar perceptivo.

Sobre a autopercepção.

Sobre o volume corporal, o volume autoperceptivo e o volume perceptivo.

Sobre o avolumar.

Sobre o volumear.

Sobre as ressonâncias.

Sobre o escuriar.

Sobre a consciência.

Sobre as emoções.

Sobre o sentimento afetivo (sentimentos e afetos).

Sobre o contacto.

Sobre o contacto animista.

Sobre a desconexão.

Sobre os anseios, as angústias de contactos e o vazio.

Sobre a Sensação.

Sobre a cinestesia, a cenestesia e a sinestesia.

Cinestesia

Cenestesia.

Sinestesia.

Sobre o matiz perceptivo.

Sobre as impressões.

Sobre as impressões sensoriais de órgãos.

Sobre as impressões sensoriais difusas e as impressões sensoriais.

Sobre os sentidos.

Sobre o entorno do perceber e do sentir.

Sobre o perceber.

Sobre o sentir:

Sobre a apercepção.

Sobre o tomar consciência, o dar-se conta, a noção perceptiva e a noção corporal.

Tomar consciência.

Dar-se conta:

Noção perceptiva:

Noção corporal:

Sobre a noção, a concepção, a consciência, percepção e a imagem de si-mesmo.

Concepção de si-mesmo:

Consciência de si-mesmo:

Imagem de si-mesmo:

Percepção de si-mesmo:

Noção perceptiva de si-mesmo ou noção de si-mesmo:

Sobre a Imitação plasmática.

Sobre a imitação perceptiva.

Do campo real, campo perceptivo e percepções de campo na Arte Org.

O conceito de campo real de energia concreta.

O conceito de campo como entorno perceptivo.

Sobre as funções da percepção de campo.

Funções da percepção de campo sobreposta.

Os escuros dos campos.

O conceito de campo como um domínio.

 

Nesta sessão do glossário da Arte Org, nós colocamos os conceitos relacionados com a corporalidade e a percepção envolvidos com a metodologia da Arte Org.

Esclarecendo: todos os conceitos desta sessão foram extraídos do livro “história e desenvolvimento da metodologia da Arte Org” de Jovino Camargo Junior. Para efeitos legais e éticos; o resultado final tem sua autorização e revisão.

 

 

Sobre o paradigma corporal dos terapeutas corporais.

[paradigma_corporal]

Quando falamos em terapia corporal ou terapeuta corporal abarcamos um âmbito muito amplo que realmente cabe de tudo, desde todo tipo de massagens, passando pela educação física e pela fisioterapia, pela correção das posturas corporais, incluindo a Ioga, alcançando as áreas correlatas e paralelas à psicologia e psicoterapias. O que significa que precisamos especificar de que tipo de terapia corporal nós estamos falando, sendo que muitas delas têm nomes próprios como é o nosso caso.
Além disto, precisamos especificar a orientação que acompanha a prática terapêutica proposta, sendo que aqui a referência é a metodologia utilizada; como é o caso da terapia corporal de orientação reichiana (terapia corporal reichiana).

Quando dizemos terapeutas corporais reichianos, nos referimos não somente a quem trabalha com o corpo, mas principalmente a quem orienta o processo terapêutico pelos processos corporais e que atua terapeuticamente interferindo corporalmente. Isto não se refere às interpretações psicológicas e lingüísticas do corpo, mas sim ao corpo e a sua mobilidade e motilidade.

A principal forma de percepção e de orientação de um terapeuta corporal de orientação reichiana é a imitação plasmática. O terapeuta sente em seu corpo a emoção ou tensão, ou contenção que está por surgir no corpo da pessoa com quem está trabalhando. Portanto é o seu sentir emocional seu principal orientador.

A segunda forma de percepção e orientação é a observação objetiva do corpo da pessoa que temos por diante. Chamamos isto de atitude corporal. Os corpos expressam em suas posturas corporais e atitudes corporais quase tudo referente à sua emocionalidade e a contenção de sua emocionalidade.

A terceira forma objetiva de acompanhar o funcionamento corporal se da com a observação das manifestações periféricas do aparato vegetativo. Sinais que nos dizem do funcionamento simpático e parassimpático do organismo, que por sua vez se encontram na base do funcionamento emocional.

Estas três maneiras de acompanhar o que está acontecendo com o indivíduo a partir de seu corpo, colocam a pauta emocional como tônica; o que significa dizer que neste caso a terapia corporal de orientação reichiana é uma terapia emocional.

Além disto, temos um outro fator que marca e caracteriza a terapia corporal de orientação reichiana; a saber, a organização da couraça e de suas defesas, isto é, o centro do proceder terapêutico está em torno da organização defensiva e sua estratificação; o que significa dizer que a terapia caminha através do funcionamento defensivo com suas correspondente funções de contacto e defesa.

Quando dizemos psicoterapia corporal ou psicoterapia corporal reichiana, estamos dizendo que o modelo usado é o modelo psicológico, psicanalítico ou psicodinâmico; sendo que os três são modelos que giram em torno da linguagem falada, sendo que esta abarca os significados que damos ou podemos dar para os fenômenos a partir da linguagem. Portanto, o que temos aqui é uma compreensão interpretativa do indivíduo ou de seu corpo; ou uma atuação para alcançar o indivíduo através de seu corpo; tendo como referência as leis que regem a linguagem com suas correspondentes interpretações e significados. O que significa dizer; que a psicoterapia corporal é aquela que atua no indivíduo a partir do significado que damos para o que está ocorrendo em seu corpo.

A Arte Org terapia não é uma terapia lingüística como não é uma terapia psicológica, nem sequer uma psicoterapia corporal; mas sim é uma metodologia terapêutica ou uma terapia corporal de orientação arteorguiana que abarca tanto a organização da corporalidade como a organização da percepção; incluindo a percepção difusa e a percepção de campo. Seu corpo de procedimentos terapêuticos (em sua grande maioria; ou em 99% dos casos) são chamados de exercícios-procedimentos (cada qual com uma ou mais pautas); portanto, na prática, o que temos como procedimentos terapêuticos são movimentos corporais e perceptivos relacionados com a arte de se mover por si-mesmo. Na Arte Org terapia inclusive a compreensão passa (em parte) pela arte de se mover ou está a ela relacionada.
A
Arte Org terapia está centrada na relação da pessoa com ela-mesma o que significa que o importante não é que interpretamos ou o significado que damos para qualquer aspecto da pessoa; nem a interpretação ou significado que a pessoa se dá para si-mesma; mas sim como a pessoa sente e se percebe a si-mesma e ao seu entorno, quando está parada e principalmente quando entra em movimento.
Além disto; grande parte do que está envolvido com a
ausência, com a percepção de campo e com a percepção difusa se encontra no limite da linguagem ou além dele.

 

 

Sobre o corpo e a corporalidade.

[corpo_e_corporalidade]; [corpo]; [corporalidade]

Em primeiro lugar, quando falamos de corpo estamos nos referindo funcionalmente ao ramo corporal que também pode ser chamado de corpo, de soma ou de sistema corporal. Sendo que este inclui o [núcleo organísmico (Core); o biossistema; o plasma; as células; a organização segmentária; os órgãos (incluindo os órgãos perceptivos); o sistema ósseo; o sistema sanguíneo; o sistema nervoso central (incluindo o senhor cérebro e a inervação periférica); o sistema nervoso autônomo ou vegetativo; as reações vegetativas (câimbras, tremores, clonismos, tonismos, cianoses, convulsões, reações febris, escalafrios de todos os tipos, as tonturas, os vômitos, as cólicas e diarréias); a tonicidade vegetativa; o sistema muscular (musculatura lisa e musculatura estriada); o sistema periférico (musculatura estriada na função da motricidade fina, membrana ou pele)]; e as [correntes vegetativas].

Inclui também, do ponto de vista corporal, as emoções (parte do sistema emocional ou pelo menos quando o movimento plasmático a expressão corporal e as emoções se manifestam como uma unidade) e um aspecto do sentir, a motilidade e a motricidade; a expressão corporal [Linguagem corporal, movimento, gestos, posturas e atitudes; a memória corporal (emocional, muscular)].

Do ponto de vista da Arte Org; a partir do funcionamento virtual inclui também a corporalidade. [corporificar, descorporificar], [corpóreo, sem corpo, descorporificado – de corporalidade esponjosa (virtual).]. Terra. [terreno, terrenos (da terra).] e evidentemente a noção de presença corporal.

Quanto ao termo corporalidade, ele se refere à qualidade, propriedade do que é corpóreo; corporeidade. O que significa dizer que a corporalidade é um atributo do corpo, isto é; em primeiro lugar algo passa no corpo para que se manifeste como corporalidade.

Foi seguindo a pista de descorporificação que começamos a usar na Arte Org o conceito de corporalidade. Ele se refere ao ser que é corpóreo (que se corporifica), isto é, que está presente no corpo; logo, que pode existir em seu próprio corpo. Neste caso a corporalidade não era o corpo em si e nem a funções corporais, mas sim todos os elementos ou funções que se encontram direcionados a compor ou manifestar a noção de estar presente e de existir no próprio corpo.

Do ponto de vista estrutural o conceito é sinônimo de corpo, simplesmente porque do ponto de vista estrutural não estava em questão o não existir ou o existir no próprio corpo uma vez que as manifestações do carácter estão enraizadas no corpo, porém, para o funcionamento fronteiriço, o exercício de retomar a corporalidade significa exatamente voltar a habitar o próprio corpo.

O que significa dizer que do ponto de vista virtual; o conceito de corporalidade além de envolver a mobilidade e a motilidade corporal; de envolver a emocionalidade; envolve também a sensorialidade; isto é; ele é sensorial (sentir) e perceptivo (perceber); principalmente no que se referem às percepções objetivas ligadas aos órgãos dos sentidos; portanto, em termos funcionais; sem se esquecer da parte autoperceptiva que lhe corresponde, como é o caso do volume corporal e autoperceptivo e das ressonâncias (que se encontram na base da organização da corporalidade).

Como isto a corporalidade aparece como um princípio funcional que se manifesta diretamente a partir de eventos corporais; mas que escapa da pareação entre corpo e percepção; pois ela apresenta em sua funcionalidade elementos perceptivos desenvolvidos a partir do sentir como é o caso da noção corporal.
A corporalidade como uma função global apresenta elementos tanto do corpo como da percepção com características sensoriais (
perceber sentindo); está mais próxima da autopercepção do que da consciência.
Como função, a pareação se dá entre
corporalidade é as percepções de campo (entre elas a percepção difusa; o campo perceptivo; as percepções de campo; as percepções de campo sobrepostas e a ausência (a qual é antagônica e contraposta a corporalidade). O que significa dizer que a pareação entre a percepção difusa e a percepção objetiva não é direta; que elas pertencem ao mesmo domínio perceptivo, mas não ao mesmo nível; que a percepção difusa é mais ampla e mais profunda do que a percepção objetiva, e que a conexão entre as duas passa pela corporalidade e pela autopercepção.
Num contexto mais amplo, a corporalidade faz parte disto que denominamos de forma ampla... O organismo. Porém, dentro deste organismo seu princípio funcional é a motilidade vegetativa e a autopercepção.

Agora; qual o papel que cumpria a corporalidade nos tempos estruturados do carácter; não temos a menor idéia.

Agora, em termos práticos; não damos um passo em direção a organização da corporalidade do indivíduo se não considerarmos praticamente que: em termos gerais a noção corporal de si-mesmo é corporal; isto é, que envolve o sentir corporal. Em termos específicos; a presença corporal também. Veja que não é como tomar consciência do corpo desde a consciência; mas sim a noção corporal envolvida na corporalidade em geral e na presença corporal em particular emanada do corpo alcança a consciência. Caso contrário é a consciência quem toma noção do corpo à distância e isto não é corporalidade.

Veja também:

Sobre a Percepção.

Sobre a percepção objetiva.

Sobre a percepção difusa.

Sobre o paradigma paralelo dos terapeutas org.

 

 

 

 

 

Sobre a Percepção.

[percepção]

As percepções: Ato ou efeito de perceber.
Adquirir conhecimento de... Por meio dos sentidos.
Ex: <percepção visual> <percepção auditiva> <percepção gustativa> <percepção olfativa> <percepção tátil>
Consciência dos elementos do meio ambiente através das sensações físicas.
Ex: <percepção da temperatura> <percepção das texturas>

Na Arte Org nós usamos o termo percepção para se referir, de forma geral, ao ato de perceber; e, de forma específica (como domínio), para se referir ao grande domínio perceptivo (ramo perceptivo).
Nele incluímos o desenvolvimento do sistema perceptivo; começando pela percepção primitiva; passando pela autopercepção; a consciência objetiva com tudo que lhe corresponde; e, depois do advento do funcionamento virtual a consciência difusa. Logo, fazem parte deste domínio a percepção objetiva e a percepção difusa, o campo perceptivo, as percepções de campo e as percepções de campo sobrepostas.
De acordo com o funcionamento perceptivo em geral temos ainda no domínio perceptivo as percepções: [Os sentidos. O sentir sensorial. As sensações.]; as impressões: [As impressões sensoriais, as impressões sensoriais de órgãos e as impressões sensórias (difusas) de campo], e, um aspecto do funcionamento emocional, os anseios, os sentimentos e os afetos; a imitação: [Imitação plasmática, imitação sensorial difusa e imitação perceptiva.]; o deslocar e o transladar perceptivo. Além disto, as expressões psíquicas. [Atitudes, traços de comportamento].

O conceito de ramo perceptivo vem do pensamento funcional da orgonomia, que fala do organismo como um princípio funcional com dois ramos paralelos; o perceptivo e o corporal; da mesma maneira que usamos o termo corpo tanto para a unidade corporal (corporalidade) como para o grande ramo corporal. Sendo que em termos funcionais, o termo organismo se refere ao princípio funcional entre o corpo (e a corporalidade) e a percepção (incluindo a percepção de campo); o que significa dizer que campo, corpo e percepção constituem a unidade – o organismo.

Sendo assim, o conceito de corporalidade tanto se refere à unidade corporal em si como também é o princípio funcional entre a percepção e o corpo. Em termos práticos, a percepção objetiva também faz parte da corporalidade; porém a percepção difusa e o campo perceptivo escapam do domínio da corporalidade para habitar o domínio do organismo. Sendo que o domínio perceptivo abarca tanto a autopercepção como a consciência incluindo a percepção difusa e a percepção objetiva.

Reich não orgonomia distancia-se da terminologia psicanalista como, por exemplo, psique, inconsciente, etc.; pois acreditava que esta mais confundia a investigação dos processos naturais do que ajudava; foi quando ele começou a usar o conceito de ramo perceptivo e nele tudo o referente às sensações e percepções inclusive a autopercepção, a consciência, o pensamento e a fala.

Em termos das descrições metodologia, colocamos simplesmente dois pares paralelos, corporalidade e percepção e tomamos este percepção como abarcando a percepção em geral. Porém em termos funcionais isto significa; por um lado a corporalidade (incluindo em sua base a presença e o volume corporal e autoperceptivo), a mobilidade corporal, a percepção objetiva, as emoções (incluindo os anseios os sentimentos e os afetos) e o sentir sensorial (incluindo as ressonâncias perceptivas), e, as sensações da ressaca incluindo a sobreexcitação (corporal) e, por outro lado a percepção de campo com a percepção difusa, o campo perceptivo, a percepção de campo, a percepção de campo sobreposta, as impressões sensoriais e os sentimentos difusos. Sendo a motilidade corporal e emocional e a autopercepção o princícipio funcional destes dois ramos. O que signifiva que a percepção que vai pareada com a corporalidade é a percepção de campo.

Em todo caso, é isto que está envolvido na fase organização da corporalidade e da percepção (de campo).

Veja também:

Sobre o corpo e a corporalidade.
Sobre o perceber.

 

 

 

Sobre a percepção objetiva.

[percepção_objetiva]

Em primeiro, é necessário esclarecer que o que se encontra hoje como sendo a organização da percepção objetiva que se passa através dos sentidos está transpassado pela percepção difusa; no mínimo temos uma percepção objetiva que convive com a percepção difusa, o que significa dizer que a percepção objetiva de hoje já não é a percepção objetiva de antigamente.

Em segundo lugar; (na Arte Org) a forma de trabalhar com a percepção objetiva é a da intermediação indireta; dividimos a organização da percepção objetiva da mesma maneira como dividimos a percepção difusa; diferenciamos a percepção objetiva em dois ramos; uma percepção objetiva de conjunto ("todo" objetivo) e uma percepção objetiva das partes (foco, percepção focal). Isto é, a percepção objetiva vai ficando mais nítida, mais específica, mais diferenciada, com maior profundidade; conforme a pessoa pode manter sua percepção objetiva do "todo" e conforme este "todo" pode ir se separando do "todo difuso" e pode ir sendo contraposto com a atividade corporal do corpo como um "todo".

Tão importante como a mescolância do sentir, temos a mescolância do perceber. A própria atenção objetiva, e seu principal correspondente o alerta corporal, fundamental para vida neste planeta, estão completamente inundados pela atenção difusa e pelo alerta difuso. O estado alterado de consciência nada mais é do que uma consciência objetiva que se vê obrigada a se alimentar de tudo transpassado pelo gosto difuso; onde ninguém mais sabe o quão importante e vital é ver com os olhos, escutar com os ouvidos, falar e comer com a boca, cheirar com o nariz, e sentir com a pele. Isto é, o quão importante é para a nossa qualidade de vida o poder voltar com a percepção para suas devidas casas.

Da mesma maneira que hoje as impressões sensoriais difusas se constituem no alimento da alma ou da consciência difusa, o sentir objetivo se constitui no alimento da corporalidade e da consciência objetiva. Uma consciência objetiva que não recebe os estímulos da infinita gama colorida do mundo, com os quais pode se preencher de formas; e dentro destas formas, que se diferenciam por infinidade de cores; e entre estas cores que não possa escolher as que mais lhe tocam; é uma consciência alienada.

Da mesma maneira que a consciência do império do carácter se via obrigada a se alimentar daquilo que lhe permitia a couraça, a consciência do advento virtual se vê obrigada a alimentar-se de pura linguagem e densidade difusa. Uma comia palavras enraizadas em conceitos, a outra come palavras enraizadas no vento. E se fosse brisa úmida e fresca, tudo bem. É denso, pesado, parado e seco.

No ramo corporal; o parceiro funcional ou contraparte antagônica da percepção objetiva é organização do movimento motriz; isto é; a capacidade de se deslocar pelo espaço de forma coordenada; incluindo a motricidade fina; e junto com ela a organização das sensações e do sentir corporal.
Agora; o
funcionamento virtual alterou e bastante estas simples relações.

Para a Arte Org a percepção objetiva está por um lado diretamente relacionada com os órgãos dos sentidos; e, por outro lado; diretamente relacionada com a consciência objetiva; isto é, está justamente entre os órgãos dos sentidos e a consciência objetiva.

Num contexto mais amplo, apesar da percepção objetiva pertencer ao ramo perceptivo, portanto que passou pelo desenvolvimento tanto da autopercepção como da anterior percepção primitiva; no funcionamento virtual seu princípio funcional é a corporalidade (isto é, sua organização depende da organização da corporalidade e passa por ela). O que significa dizer que a relação entre a percepção difusa e a percepção objetiva ou entre a autopercepção (e mesmo da percepção primitiva anterior a autopercepção) e a percepção objetiva não é direta; isto é, passam pela organização da corporalidade como um todo.
A coordenação da percepção objetiva é um atributo da consciência; porém, apesar disto, sua (estreita) relação funcional se dá com os órgãos dos sentidos e estes são anteriores ao desenvolvimento da consciência; o que significa dizer que tanto a desorganização dos órgãos dos sentidos; como a desorganização da corporalidade; desorganizam diretamente e imediatamente a correspondente percepção objetiva; e a desorganização da percepção objetiva desorganiza a consciência objetiva. Mesmo assim, existe certa autonomia entre os órgãos dos sentidos e a percepção objetiva; e uma maior autonomia entre os órgãos dos sentidos e a consciência objetiva; porém, a relação de dependência entre os órgãos dos sentidos e a percepção objetiva é mais direta do que entre a consciência objetiva e os órgãos dos sentidos.

A capacidade da percepção difusa alterar ou inundar a percepção objetiva passa pelos correspondentes órgãos dos sentidos. Para que a percepção difusa atue, ela necessita distanciar a função de seu correspondente órgão. Por exemplo, para que a percepção difusa de ver entre em funcionamento, a função "ver" precisa se distanciar dos órgãos da visão (principalmente dos olhos); sendo que para que a percepção objetiva volta a funcionar adequadamente a função de ver precisa de voltar a estar nos órgãos da visão. De acordo com os princípios da descorporificação; um dos maiores problemas aqui é que a pessoa salta da função de ver difusa para a função de olhar objetivamente sem passar pela correspondente recuperação da presença dos olhos. Sendo que a presença dos olhos depende mais do sentir corporal dos olhos e da corporalidade como um todo do que da função de ver.

Para a Arte Org terapia; de nada adianta estimular diretamente o sentir emocional e afetivo (emoções e sentimentos) e o perceber objetivo; se por um lado, a pessoa não lida com sua percepção difusa em seu próprio território (percepções de campo) e, se por outro lado; ela não aprende a como reorganizar sua corporalidade e sua organização perceptiva (de campo). O mesmo é válido para todo o sentir e o perceber, inclusive para as funções especializadas da percepção como a compreensão, memória e inteligência incluindo o atrofiado pensar e o viciado imaginar.

Quanto à relação funcional entre a percepção objetiva e a percepção difusa; por mais que a percepção difusa tenha aparecido na superfície do funcionamento perceptivo depois que a percepção objetiva; a percepção difusa é mais global e menos específica do que a percepção objetiva; além disto, à percepção difusa é antagônica a percepção objetiva e mais, são de níveis diferentes.

Veja também:

Sobre a Percepção.
 

 

Sobre a percepção difusa.

[percepção_difusa]

O conceito aparece na Arte Org diretamente relacionado com o funcionamento da ausência. Foi descoberta e redescoberta, definida e redefinida muitas vezes até chegar a ser reconhecida como um sistema perceptivo autônomo coordenado pela consciência difusa, sendo que a história de seu desenvolvimento, ou da compreensão de seu funcionamento, acompanha a história do desenvolvimento da Arte Org como processo terapêutico para lidar com a ausência e com o funcionamento virtual.

A percepção difusa também se relaciona com a corporalidade (pois uma corporalidade desorganizada é a porta de entrada para uma percepção difusa reduzida e inundada); mas sua funcionalidade se encontra mais próxima do funcionamento do campo (orgone) de energia livre de massa do que das funções corporais propriamente ditas (ela se amplifica justamente com o afastamento da função perceptiva dos órgãos perceptivos). A percepção difusa via se manifestando de forma mais clara os sentidos perceptivos ou a função de perceber vai se separando de seu órgão correspondente; como é o caso da separação da função de ver dos órgãos olhos. Isto é; a pessoa começa a perceber mais com seus sentidos perceptivos do que os órgãos dos sentidos em si mesmos; e isto é muito parecido com a mesma ausência.

Se nos afastamos de confusão imposta pela ausência, nós podemos dizer que a percepção difusa é a forma que usamos (deveríamos usar ou usariamos) para perceber o campo perceptivo relacionado às impressões ou os estímulos que nascem das modificações, alterações e movimentos do nosso campo de energia e dos campos de energias externos a nós.

Isto significa que a percepção difusa é a forma que usamos para perceber (através do campo perceptivo) as funções de campo a distancia (e não o campo de energia em si mesmo como percepção local, como é o caso da autopercepção). Nisto (percepção à distância) ela é mais parecida com a percepção objetiva (e com a consciência objetiva) do que com a autopercepção. Ela percebe parte dos mesmos elementos percebidos pela autopercepção somente que faz isto de forma parecida com a percepção objetiva e com a consciência objetiva. Ela se relaciona ou compõe o que chamamos de campo perceptivo difuso e não o campo energético em si mesmo, enquanto a autopercepção está mais próxima do campo energético em si mesmo.

A percepção difusa também é de natureza energética, mas a energia que se move como percepção difusa não é a energia orgone em si mesma, mas sim uma ramificação desta energia. Enquanto a percepção difusa continua sendo uma função do perceber, o campo orgone é um substrato de energia; em nosso caso, que é o caso do vivo, o campo de cada ser está completamente ligado à matéria viva; isto é permeia a matéria viva e alcança somente o campo pessoal, e, costuma ser bem menor que o campo pessoal perceptivo.

Da mesma maneira que as percepções objetivas têm em sua base uma cadeia de sensações (do tipo excitação) dos órgãos perceptivos que se relacionam com os estímulos que passam por estes órgãos; a percepção difusa também tem em sua base uma cadeia de impressões sensoriais; somente que neste caso se trata de impressões sensoriais difusas.

Conforme vamos entrando na confusão imposta pela ausência desconectada; a percepção difusa vai se afastando da relação com o campo perceptivo relacionado com o campo do lugar; ao mesmo tempo em que vai se ligando ao campo perceptivo virtual ou sobreposto (criado junto como desenvolvimento do mundo ausente); isto é, ela vai deixando de ser uma percepção direcionada para perceber no campo perceptivo as alterações energéticas internas e externas; para ser uma percepção direcionada ao mundo virtual interno (percepção de campo sobreposta).

A percepção difusa se diferencia e se distancia da organização perceptiva padrão, ou melhor, da percepção organizada, objetiva, que aparece ligada aos órgãos da percepção como é o caso da visão, da audição, do gosto e do tato. Já a percepção objetiva se encontra mais próxima dos órgãos perceptivos (portanto do corpo) do que a percepção difusa. A percepção difusa é mais global e primitiva do que a percepção objetiva; e esta é mais especifica e direcionada do que a percepção difusa. Porém está não é a única diferença; pois neste caso não precisaríamos de um outro nome, pois este seria somente autopercepção. A percepção difusa é diferente da autopercepção (percepção local) precisamente porque atua à distância e usa ou se manifesta também através dos sentidos; neste caso ela é mais parecida com a percepção objetiva. Diferencia-se também da autopercepção por que ela é mais veloz do que a autopercepção que se move na velocidade de movimento do plasma ou do deslocamento do campo pela atmosfera. E diferencia-se da percepção objetiva porque ela é mais lenta do que esta. Agora, quanto à forma de perceber, a percepção difusa é mais próxima da autopercepção (que percebe como ressonâncias ligadas sensorialmente); por impressões; e menos parecida com a percepção objetiva que tem sua percepção relacionada com os estímulos.

No território da percepção difusa não conseguimos diferenciar claramente se estamos percebendo os campos de energia reais ou uma versão virtual perceptiva destes campos. Exatamente por isto falamos de percepção de campo ou campo perceptivo e não somente de campo de energia real. Isto não significa dizer que, em ultima análise, o nosso sistema perceptivo não consegue distinguir o que é real do que é virtual; mas sim que a organização desorganizada cruza e entrecruzam os elementos reais e virtuais que por sua vez se chocam com o esforço da estruturação organizada. Somente diz que no território difuso este tema é mais confuso; o que nos diz que o assunto da diferença entre o real e o virtual é uma questão para a autopercepção; para a ressonância perceptiva e para o contacto; e não para a percepção difusa e nem para a percepção objetiva.

A percepção difusa apresenta diferentes graus de antagonismo com a organização corporal, com a percepção objetiva e com o próprio campo orgone; justamente por isto ela é pareada ao lado do corpo e do campo como funções do organismo (depois da autopercepção, mas antes do que a consciência objetiva); isto é, ao lado ou pareada com a corporalidade.

Do ponto de vista da ausência e do funcionamento virtual; a organização do sistema perceptivo (como percebemos) vem em primeiro lugar; e a especificidade do que estamos percebendo (o que percebemos) vem em segundo lugar; e só tem sentido para um sistema perceptivo já organizado. Isto é, é o sistema perceptivo organizado com a consciência organizada quem costuma criar uma noção perceptiva objetiva mais organizada dos fatos, sendo as compreensões, as reflexões ou mesmo os pensamentos, posteriores a noção perceptiva. Sendo que a consciência difusa e mesmo o pensamento difuso usam uma noção perceptiva difusa mais direta, ligada mais diretamente às vibrações e as ondas, mais animista por assim dizer.

O mais provável é que a percepção difusa seja uma função perceptiva natural que se manteve escondida ou na base da função de perceber objetivamente durante muito tempo (império caracterológico); e que (no advento do mutante virtual) se deslocou para a superfície, se coligando as percepções de campo, invadindo tanto as funções de campo real, como as funções da percepção objetiva e as funções corporais.

A grande questão aqui é que tanto a percepção difusa, como o campo perceptivo e a percepção de campo incluindo a percepção de campo sobreposta interferem com o campo real.

Tal qual a percepção difusa aparece no funcionamento virtual; o mais provável é que o procedimento de ausentar-se ou o próprio desenvolvimento da percepção humana tenha estimulado o desenvolvimento da antiga percepção diluída ou de campo para uma nova forma de organização perceptiva amplificada e abarcadora (percepção difusa); que passou dos seus limites territoriais modificando todo o entorno perceptivo do homem do nosso tempo; e mais, sua capacidade de interagir virtualmente nos mostra que ela é capaz de passar os limites e a barreira de si-mesmo do homem antigo, do homem moderno e do homem pós-moderno.

Deste ponto de vista, a percepção difusa e o território intermediário virtual fronteiriço são sinônimos, mas em termos funcionais e orgonóticos constituem uma sobreposição e fusão de funções.

Nestes termos, a Arte Org terapia nada mais é do que um método que pretende seguir o “como” da percepção difusa, seu caminho.

Em termos metodológicos, a característica fundamental do trabalho perceptivo é seguir o "como" envolvido na percepção; pois é o “como a pessoa percebe” que pode ser transformado em pautas (dos exercícios procedimentos). Sendo que o - "o que" - só é importante para a vivência e para a descrição dos processos. Neste sentido; tudo que estamos propondo como sendo percepção objetiva; percepção difusa; campo perceptivo; percepção de campo e percepção de campo sobreposta tem pelo menos um esboço do “como” envolvido para que possa ser reproduzido como processo; caso contrário à reorganização perceptiva seria inalcançável.

Veja também:

Sobre a Percepção.

Sobre a percepção objetiva.

Sobre o – todo.

Sobre a atenção perceptiva.

Sobre o deslocamento perceptivo.

Sobre o transladar perceptivo.

Sobre o – todo.

[todo]; [todo_difuso].

Em primeiro lugar o “todo”. Na Arte Org, nós usamos o conceito de “todo” para nos referir a uma maneira de perceber de forma global; presente em todo sistema perceptivo; que se contrapõe a percepção focada. No caso do corpo falamos de se mover como um “todo”; no caso da percepção objetiva falamos do “todo” como sendo um contexto (panorâmico) e no caso da percepção difusa o “todo” difuso.

O que significa dizer que todas as funções perceptivas têm um “todo” que lhe corresponde, e algumas vezes têm dois como é o caso da visão que tem um “todo” para os olhos abertos e outro “todo” para os olhos fechados e, a função do “todo” difuso pode alcançar todos eles. O que significa dizer que cada um dos sentidos perceptivos tem um “todo” que é chamado de “todo objetivo”; no caso dos olhos a visão panorâmica; a percepção difusa também tem um “todo”, o “todo difuso”, e a autopercepção também; o “todo” autoperceptivo. Também significa dizer que um mesmo sentido perceptivo tem a capacidade de manifestar três diferentes tipos de “todo”, o “todo” objetivo, o “todo” difuso e o “todo” autoperceptivo. No caso da visão são seis; três para os olhos abertos e três para os olhos fechados.

O “todo” difuso é a função mais ampla, mais abrangente e mais comum da percepção difusa, e, até hoje ainda não conseguimos descrevê-la com palavras. Simplesmente o reconhecemos, em cada processo envolvido no desastre ausente. E mais, para a percepção difusa especificamente e para a ausência em geral a capacidade de perceber como um "todo" é simplesmente fundamental; se contituindo no primeiro atributo que possibilita organizar e acompanhar o processo ausente.

Veja também:

Sobre a Percepção.

Sobre a percepção objetiva.

Sobre a percepção difusa.

Sobre o – todo.

Sobre a atenção perceptiva.

Sobre o deslocamento perceptivo.

Sobre o transladar perceptivo.

 

Sobre a atenção perceptiva.

[atenção_perceptiva]

A atenção perceptiva em primeiro lugar é a capacidade de um sistema perceptivo focar a atenção num aspecto do que está sendo percebido, o que significa que a capacidade de focar pode ser graduada das mais diferentes formas dependendo do contexto perceptivo onde se encontra, e pode perceber como um “todo” ou como uma parte. Neste caso, a atenção perceptiva é um atributo do perceber e está presente em todos os sistemas perceptivos desenvolvidos.

Porém é na percepção difusa que a atenção perceptiva (que neste caso é chamada de atenção perceptiva difusa) se manifesta como um evento especial; sendo que está envolvida no alerta difuso (que quando fixado pode tanto se tornar paranóico como fóbico) e em toda fixação perceptiva difusa (e por decorrência em todos os eventos onde está envolvida o ato de fixar).

A atenção perceptiva difusa fala desta mesma capacidade, porém no território da percepção difusa, e aqui ele é menos específico e mais amplo, pois inclui o movimento que a percepção tem no espaço, quando se desloca de um ponto focal para outro.

Veja também:

Sobre a Percepção.

Sobre a percepção objetiva.

Sobre a percepção difusa.

Sobre o – todo.

Sobre o deslocamento perceptivo.

Sobre o transladar perceptivo.

Sobre o deslocamento perceptivo.

[deslocamento_perceptivo]; [deslocamento_difuso].

O deslocamento perceptivo é em primeiro lugar uma propriedade da percepção que permite deslocar o perceber, o percebido, ou parte dele de um lado para o outro, diminuindo ou aumentado o tamanho, à distância, ou sua localização no tempo e no espaço; opera em todas as percepções desenvolvidas, inclusive na autopercepção. Na percepção difusa aparece como sendo o deslocamento difuso e é capaz de deslocar além do percebido, a própria função de perceber de um lugar para outro, no corpo ou no espaço, no campo perceptivo, no “todo” difuso ou nos escuros dos campos.

O deslocamento perceptivo está intimamente relacionado com o deslocamento do corpo pelo espaço; portanto também tem uma identidade com as funções corporais; e mais está presente no domínio energético; principalmente na sobreexcitação; tanto no caso do deslocamento de ondas de excitação do corpo para o campo e do campo para o corpo. Porém sua relevância só se manifestou como um evento perceptivo principal (que pode deslocar a própria função de perceber de um lado para o outro) no funcionamento virtual, especificamente na percepção difusa onde ocupa um lugar fundamental, pois caracteriza a própria percepção difusa.

Veja também:

Sobre a Percepção.

Sobre a percepção objetiva.

Sobre a percepção difusa.

Sobre o – todo.

Sobre a atenção perceptiva.

Sobre o transladar perceptivo.

 

Sobre o transladar perceptivo.

[transladar-perceptivo]

O sentido de transladar é o comum e corrente encontrado nos dicionários: mudar de um lugar para outro; transferir; transportar; traduzir, copiar, transcrever.

Veja que em alguns casos o transladar perceptivo é idêntico ao deslocamento perceptivo; porém para a Arte Org eles são funções perceptivas diferentes, pois o deslocamento perceptivo se refere ao deslizamento da percepção pelo espaço e o transladar perceptivo se constitui num salto; que salta de um lugar para o outro num mesmo domínio ou de um domínio para o outro.

Quando colocamos a ausência no meio já sabemos que as coisas já não são o que parecem ser, nem o que eram antes. Começando pelo que mais preocupa que é justamente a capacidade ou possibilidade de transladar o próprio sentido ou noção de “eu” da corporalidade ou do organismo para qualquer outro lugar que o corpo não esteja presente em carne e ossos. Este é o transladar da ausência, supomos que coordenada pela percepção difusa.

Logo vem o transladar presente na própria definição de ressaca, quando esta lança e torna a sugar os elementos, os quais já não sabemos bem o que está sendo transladado. Sim sabemos que as ondas da ressaca movem a sobreexcitação de campo de um lado para outro; e, com ela move também elementos indefinidos que quando se definem se manifestam como inundações, pressões e fixações; como também sabemos que o processo da ressaca em parte é coordenado pela corporalidade e em parte pela percepção difusa.

O que significa dizer que a função de transladar tem a capacidade de levar junto consigo outras funções ou características funcionais, do próprio domínio perceptivo ou de outros domínios relacionados como o do sentir; o emocional; o sensorial incluindo as impressões e sensações; inclusive elementos da identidade. E como se fosse pouco, também alcança ou acompanha o domínio energético, pois e capaz de carregar junto consigo elementos da própria sobreexcitação ou de determinadas freqüências.

E entre o transladar da ausência e o transladar da sobreexcitação; ressaltamos alguns elementos que se relacionam, por um lado com a freqüência; ou com a onda emitida ou percebida junto com a conexão com um determinado lugar (que pode ser um lugar virtual); sendo que neste caso a mais preocupante é o transladar da freqüência característica da conexão cósmica (contacto ausente ligado a “nenhum-lugar”) que comumente acaba escapando da experiência da conexão ausente cósmica e toma direção da vida cotidiana, e, isto não faz bem para ninguém. Logo a seguir nós temos o transladar da freqüência da sobreexcitação de campo e da ressaca que podem tomar a direção da conexão cósmica e isto sim pode nos complicar muito a vida, pois costuma inundar a capacidade de se colocar ausente ou direcionar a ausência para o fundo do poço. Neste mesmo balaio de gatos temos as freqüências e as ressonâncias envolvidas com a noção e sentimento do “eu”, ou das diferentes identidades, passando pelas emoções, anseios e sentimentos; e, na base de tudo isto, as impressões sensoriais; sendo que nenhum destes elementos quando nativos em um território fazem bem para a saúde quando estão presentes ou são transladados para outro território.

Com isto podemos dizer que o transladar presente no funcionamento virtual é uma função basicamente perceptiva; particularmente da percepção difusa, mas está presente também na percepção objetiva, na corporalidade e no campo.

Com isto; também podemos dizer que para o funcionamento virtual a função (e o conceito) do transladar é fundamental; simplesmente porque sem ele seria impossível de explicar, de compreender e de lidar com o mais básico dos eventos virtuais: a ausência.

Veja também:

Sobre a Percepção.

Sobre a percepção objetiva.

Sobre a percepção difusa.

Sobre o – todo.

Sobre a atenção perceptiva.

Sobre o deslocamento perceptivo.

 

 

Sobre a autopercepção.

[autopercepção]

A definição de autopercepção não foi encontrada nos meus dicionários eletrônicos; porém o termo sim tem uso comum; sendo comumente usado como sendo perceber ou estar consciente de um aspecto de si-mesmo, geralmente relacionado com a imagem corporal. 
Portanto: Autopercepção. Autoperceber. Ato, efeito ou faculdade de perceber-se. Ato, efeito ou faculdade de perceber a si mesmo. Em inglês; self perception, e se traduzimos self como sendo o si-mesmo, seria literalmente percepção de si-mesmo, e neste caso o antepositivo “auto” significa 'de si mesmo'.

Em contextos mais específicos podemos encontrar o termo autopercepção sendo usado como sinônimo de autoconsciência, insight, self e outros conceitos que se referem à percepção de nós-mesmos como uma unidade.

Nas teorias modernas relacionadas à linguagem enquanto a percepção do meio ambiente é uma propriedade da cognição presente em todos os níveis da vida; a autopercepção se manifesta apenas nos animais superiores, porém só se desenvolve de maneira plena na mente humana. O desenvolvimento da autopercepção no homem está estreitamente ligado à linguagem e a comunicação. A autopercepção caracteriza um nível da mente ou da cognição, uma faculdade especial que reflete ou se manifesta como consciência de si-mesmo. “Enquanto seres humanos; não estamos apenas cientes de nosso meio ambiente; também estamos cientes de nós mesmos e do nosso mundo interior. Em outras palavras, estamos cientes de que estamos cientes. Não somente sabemos; também sabemos que sabemos”. O que significa dizer que para as teorias modernas a autopercepção é uma manifestação da consciência.

De acordo com a orgonomia; a autopercepção é uma função perceptiva global que se manifesta como uma função mental; é anterior â consciência; sendo a consciência um desenvolvimento da autopercepção. A autopercepção se desenvolve diretamente do funcionamento emocional bioenergético ou biofísico (movimento plasmático) e dele depende; isto é, ela se encontra na relação entre o movimento plasmático de cada órgão e seu próprio campo de energia. Um organismo unicelular ou uma célula simplesmente percebem; porém num organismo multicelular superiores os seus órgãos se autopercebem; sendo que esta autopercepção funciona de acordo com a especificidade de cada organismo ou órgão. Agora, a autopercepção de um organismo multicelular complexo não é a somatória da autopercepção de todos os seus órgãos, mas sim a autopercepção do organismo como um órgão unitário que contém nele a autopercepção de seus órgãos individuais. Por isto autopercepção dos órgãos.

De acordo com Reich, numa criança recém-nascida a autopercepção já existe e funciona plenamente, mas não de forma coordenada e unitária. A autopercepção depende diretamente do movimento plasmático, portanto, a autopercepção na existência uterina e pós-uterina, de acordo com a separação dos movimentos orgânicos plasmáticos, se manifesta dividida em muitas experiências separadas do self. Somente nos primeiros meses de vida, com a crescente e gradual coordenação dos movimentos e das percepções, uma a uma, até chegar ao ponto que o organismo se move de forma coordenada, como um todo; é que as muitas percepções diferentes do self se unem em uma percepção global do self que se move. Para Reich, a autopercepção global seria então a percepção que um indivíduo tem de seu próprio movimento, quando ele já ocorre de forma coordenada e unitária.

Agora, o que era mesmo a autopercepção e quais as suas funções, principalmente quais as funções que a autopercepção global ficou depois do desenvolvimento da consciência; continuava sendo uma zona das mais obscuras.

E continuou obscura, pela menos para mim, até que consegui enxergar e orientar a pergunta, como também eu devo ter respondido isto muitas vezes sem notar a resposta, pois não encontrava um lugar, um contexto para fazer a pergunta.

A autopercepção se encontra num vasto território entre a percepção primitiva mais direta e a consciência menos direta. De acordo com Reich; a autopercepção é um reflexo disto, daquilo e daquilo outro; isto é um reflexo perceptivo, entre a percepção primitiva unitária (aonde o movimento plasmático e o perceber sentindo é uma unidade) e a consciência (que pode formar uma imagem, um conceito); isto, a consciência costuma operar com uma representação dos fatos de forma distante ou independente dos fatos e isto pode ser com mais contacto ou não. Sendo que a autopercepção apesar de ser um reflexo perceptivo ela está mais próxima dos fatos e o contacto é uma pré-condição. Pode se falar de consciência sem contacto, mas não pode se falar de autopercepção sem contacto.

Portanto; a pergunta ou a questão inadvertida aqui é o que mesmo pode ser um reflexo perceptivo.

Reflexo: Que se volta sobre si mesmo; reflexivo.  Que se faz por meio de reflexão. Que não atua diretamente; indireto. Que sofreu reflexão; refletido: “À luz escassa do sol poente, que, reflexa em ângulo obtuso na caiada parede”.  Luz refletida, ou o efeito dela. Cópia, reprodução, imitação. Aquilo que evoca a realidade de maneira imprecisa ou incompleta: ”Em seus traços ainda se podia ver um reflexo da beleza passada”. Manifestação indireta de uma circunstância, de um fato. Aquilo que manifesta ou que revela um sentimento, uma idéia. Atividade involuntária de um órgão, como resposta a uma estimulação deste.

O que se sabe é que este tal reflexo perceptivo anda junto com as impressões sensoriais dos órgãos; e que tanto um conceito como o outro, se afastam do estímulo em si e da sensação em si. Por isto o elemento fundamental para compreender e lidar com a autopercepção é o sistema de ressonâncias ecoantes.

Jogue uma pedra num lago calmo e observe as ondas provocadas pelo cair da pedra no logo. Agora se este lago é um ser vivo; o receber a pedrada é sensação perceptiva; o perceber as ondas é autoperceptivo.

O difícil agora é entender como a autopercepção (com suas impressões sensórias) pode ser mais direta e próxima da realidade do que a consciência (com as percepções objetivas); e, ao mesmo tempo compreender porque se fala que a percepção objetiva e mais direta do que a autopercepção.

Na autopercepção este reflexo perceptivo é local, ocorre no mesmo órgão, e na autopercepção global também é local, pois ocorre no mesmo corpo; e não do tipo um órgão aqui percebendo e coordenando o que está acontecendo no outro órgão lá (pois este é um atributo da consciência, apesar de que a consciência, graças aos céus, também pode funcionar como alguns atributos da autopercepção, isto é, sentindo ou se conectando com os fatos).

Porém a consciência não apareceu do nada e nem do dia para noite; mas sim da unidade dos órgãos dos sentidos que já vinham se desenvolvendo desde os organismos unicelulares, principalmente dos sistemas perceptivos encarregados de alcançar os estímulos do mundo com precisão e detalhes, e cada vez mais rápidos. Quando alguém escuta um ruído ou vê um a coisa ou objeto; a pessoa não para perceber por quantos filtros está passando as informações que ela está recebendo; o processo perceptivo passa de maneira tão rápida que pessoa tem a impressão de estar recebendo as informações da coisa ou do objeto diretamente e imediatamente. Por isto os canais condutores dos estímulos pelo espaço e pelo corpo. Por isto se diz que este é um tipo de percepção direta.

Na autopercepção é diferente; a pessoa percebe nela o que esta acontecendo com ela e com seu mundo exterior; caso a pessoa queira melhorar a percepção de algo externo ou interno ela deve aumentar a noção dela mesma. Quando uma coisa ou objeto se move, emite ondas, estas ondas caminham pelo campo (estimulam o campo e são estimuladas por ele); e tocam a pessoa produzindo novas ondas que são percebidas pela pessoa em seu próprio corpo e assim vamos. Por isto se diz que é uma percepção indireta e que opera como ressonâncias, como uma linguagem de ecos.

Agora, um fenômeno percebido objetivamente tem mais especificidade e é mais reduzido; um fenômeno percebido autoperceptivo é mais global e mais profundo, como se o que fosse capitado fosse à natureza ou a essência do fenômeno. Por isto se diz que a autopercepção se aproxima mais da verdade do fenômeno do que a consciência.

Na Arte Org, seguindo os passos de Reich, nós propomos que a consciência da consciência de si-mesmo é um atributo da consciência e não da autopercepção. Sendo a consciência (incluindo a autoconsciência) o atributo ou a maneira de perceber que justamente diferencia ou que marca a passagem dos animais superiores para o animal humano; a autopercepção seria justamente a consciência primitiva que acompanhou e estimulou o desenvolvimento perceptivo dos animais inferiores para os animais superiores e destes para o homem. Portanto, tanto nos animais como nos homens; é a autopercepção quem acompanha e estimula o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos até que estes entrem a operar como consciência.

Neste caso, na Arte Org, na definição da autopercepção nós devemos tomar o outro significado do antepositivo “auto”: 'por si próprio', instantaneamente, que funciona de forma automática. E neste caso instantaneamente não significa com maior velocidade, pois se a autopercepção é o exercício perceptivo de acompanhar e coordenar os movimentos de excitação (biofísica; bioenergética; emocional; equivalente aos movimentos do plasma ou do protoplasma) pelo corpo como no caso das emoções bioenergéticas, ela é definitivamente mais lenta do que a consciência.

Da mesma maneira que podemos dizer que a autopercepção leva consigo um elevado grau de percepção de si-mesmo, porém, neste caso, o individuo não se separa de si mesmo para perceber a si mesmo; não se desdobra; não se sobrepõe; não associa e nem se abstrai (pois estas são funções da consciência) e, principalmente não se separa do sentir; isto é, na autopercepção o perceber e o sentir operam como uma unidade. E mais, quando ocorre qualquer uma das separações mencionadas acima no domínio da autopercepção, já estamos diante de uma possível desorganização da autopercepção. Por isto a consciência de estar consciente de si mesmo é um atributo da consciência. Sendo que a autopercepção dos órgãos e a autopercepção global se desenvolve antes do desenvolvimento da fala e permanece em grande parte de seu funcionamento fora do domínio da linguagem falada.

A autopercepção como toda percepção pode perceber tanto em direção para dentro, como em direção ao meio e opera de acordo com o conjunto simples e primitivo das impressões sensórias de órgãos; nela nós incluímos como uma de suas principais funções; o sistema de ressonâncias perceptivas ou percepções ecoantes que se dá e se desenvolve justamente com capacidade de acompanhar o movimento da excitação no corpo acompanhando o rastro sensorial deixado por este movimento.

A autopercepção difere da consciência por que está é uma organização das percepções e sensações à distância; tanto no organismo como fora dele, na consciência o que temos em termos mais simples, é algo aqui percebendo algo que está ocorrendo ali.

Apesar de que na consciência, principalmente quando esta se encontra relacionada com o sistema perceptivo ligado aos órgãos dos sentidos, também pode ser encontrado um fenômeno de percepção local. Por exemplo, quando vemos uma composição especial de cores e esta excita os nossos olhos, promovendo e qualificando outras sensações envolvidas nesta percepção. Mesmo assim, ela está diretamente relacionada com a informação colhida ou alcançada a distância.

Enquanto na autopercepção; tanto no organismo como fora dele, o perceber está restrito ao próprio local onde o fenômeno se encontra. Neste sentido, apesar da autopercepção ser considerada uma função da mente, podemos dizer que é a menos mental das funções mentais, e mais, somente pode ser considerada como uma função mental se nós consideramos a mente não como um atributo específico do cérebro. Caso contrário; estaríamos colocando de fora do domínio da autopercepção toda a percepção diretamente relacionada com o movimento da excitação plasmática dos órgãos individuais e sua correspondente percepção, inclusive a do cérebro como um órgão e a do corpo como um todo como um organismo. Isto é; estaríamos colocando fora do contexto perceptivo à percepção e o desenvolvimento perceptivo de cada célula e de cada órgão, que seria o mesmo que afirmar que a percepção somente existe depois do desenvolvimento do sistema nervoso.

Quanto à separação das funções da autopercepção com as funções da percepção dos órgãos dos sentidos em si mesmo é mais difícil de estabelecer considerações, pois é o mesmo que diferenciar quando uma sensação ou impressão de órgão se refere ao órgão em si mesmo ou ao que ele está recebendo como ondas externas e ressoando a elas. Por exemplo, quando as sensações e impressões experimentadas nos olhos estão relacionadas com o que os olhos estão vendo ou estão relacionadas com a contração ou expansão dos olhos. Caso possamos estabelecer está diferença, podemos dizer que as sensações relacionadas com o ver são atributos da consciência e as relacionas com as sensações e impressões do órgão olho são atributos da autopercepção, mesmo que estas sejam atributos da faculdade de olhar vendo. Que é o mesmo que dizer que nos órgãos da percepção a consciência se sobrepõe a autopercepção inclusive quando se relaciona com a coordenação de movimentos (Que é verdade somente até certo ponto; pois sabemos que a consciência bem pode impedir a manifestação da autopercepção e para isto só é preciso permanecer ativa; porém, depois que a consciência se rebaixa e a autopercepção aflora, o domínio bioenergético se manifesta e neste caso as regras são outras.).

Para entender isto é só tomar em consideração a respiração quando ocorre de forma espontânea e a mesma respiração quando coordenada pela consciência. O grande problema aqui é que a couraça pode transformar um tipo de respiração padronizada conscientemente num funcionamento automático e involuntário; e temos uma couraça muscular do tipo do carácter neurótico; que também pode atuar diretamente no movimento plasmático cindindo e dividindo o movimento da excitação plasmática do órgão de sua própria percepção; e temos um encouraçamento biofísico ou uma desorganização da autopercepção do tipo da esquizofrênica.

Agora, do ponto de vista das expressões e suas correspondentes atitudes corporais, e da experiência ou vivência da pessoa; é possível diferenciar a quando a pessoa está percebendo a partir de suas percepções objetivas ou de suas percepções difusas; ou quando está se afastando da consciência para entrar no mundo autoperceptivo e vice-versa.

Em termos práticos; o que sabemos é que a autopercepção como um todo se manifesta de forma antagônica e contraditória ao estar ausente. E não é como o estar presente (que também é antagônica e contraditória a ausência), pois a presença corporal é um atributo da corporalidade (e a corporalidade tem atributos autoperceptivos e atributos da consciência); mas não é em si autoperceptiva. Na presença (atributo da corporalidade) os sentidos perceptivos se aguçam como um todo (a consciência objetiva e o corpo também); e na autopercepção os sentidos (como um todo) se rebaixam (inclusive a consciência); entrando em operação outras funções perceptivas ligadas ao sentir e as impressões e sensações; mais ligados aos órgãos do corpo e ao corpo e mais separados da consciência.

Em termos metodológicos a autopercepção não é como a percepção difusa ou a percepção objetiva que podem ser alcançadas através de um “como” mais direto; o que significa que, em termos gerais, a reorganização da autopercepção é indireta. Porém, a metodologia da Arte Org descobriu quatro formas mais diretas que podem entrar (indiretamente) no domínio da autopercepção. A primeira delas é corporal e vem depois da presença da corporalidade, foi chamada de volume corporal. A segunda é perceptiva, foi chamada de volume autoperceptivo e seu acesso se dá pelo volume corporal e pelas pautas autoperceptivas relacionadas com o campo perceptivo e com a percepção do volume. A terceira está no escuriar o campo do lugar. A quarta pelo sistema de ressonâncias.

Agora; é importante esclarecer que a autopercepção é antagônica a ausência; portanto, a pessoa precisa estar num espaço intermediário, entre a ausência e a corporalidade, mas sem ser nem voltando da ausência para o aqui agora (pois isto costuma ativar uma quantidade infinita de defesas do voltar para si-mesmo), nem se ausentando e nem retomando o aqui e agora (pois isto ativa a percepção objetiva e a consciência objetiva; ambas antagônicas a autopercepção). E mais; a corporalidade e a percepção de campo necessitam estar relativamente organizadas e os exercícios procedimentos que acompanham este processo precisam ser literalmente corporais e “esgotadores” a ponto de colocar os controles de férias; e mais, precisam manter a periferia do organismo ativa como um todo.

Quanto à importância que isto tem é só se lembrar que a autopercepção está na base da organização e da desorganização da loucura, na base da organização e da desorganização da identidade mais profunda (o eu-profundo ou o self); é idêntica ao movimento plasmático do corpo; e é o sistema mais organizador do caos virtual como um todo.

Veja também:

Sobre o volume corporal, o volume autoperceptivo e o volume perceptivo.

Sobre o avolumar.

Sobre o volumear.

Sobre as ressonâncias.

Sobre o escuriar.

Sobre a consciência.

Sobre o volume corporal, o volume autoperceptivo e o volume perceptivo.

[volume]

Foi mesmo trabalho da Arte Org com a ausência quem nos revelou dois tipos de organização funcional relacionados com a autopercepção (e contraposto à ausência); um ligado ao corpo que foi denominado de volume corporal; e outro ligado ao autoperceber que foi denominado de volume autoperceptivo.

Da mesma maneira que a corporalidade (com sua noção de presença corporal); eu não sei se o volume corporal e o volume autoperceptivo (com suas sensações, impressões ou noções) estavam presentes no funcionamento neurótico antes do advento do funcionamento virtual.

Eu penso que o carácter neurótico estava e existia no corpo, porém sua percepção disto era exatamente o que sua couraça caracterológica e muscular permitiam.

De acordo com Reich a autopercepção estava presente no caráter neurótico, porém como a couraça consome a produção de energia, sua manifestação era fraca. Também estava presente de maneira mais clara e forte na esquizofrenia (uma vez que esta não apresenta inibição da excitação), mas neste caso se apresentava de forma desorganizada.

[presença_corporal]
Neste sentido a sensação de presença que aparece como oposição ou antagonismo ao estar ausente é uma novidade. E mais, ela está embasada num tipo especial de vibração corporal suave; que pode ocorrer no corpo como um todo ou em partes dele; que pode ser percebida ou se manifestar como um fenômeno corporal ou somente como uma ressonância perceptiva deste fenômeno; porém, o assunto aqui é que quando a pessoa consegue voltar de sua ausência relativamente organizada seu corpo vibra suavemente; e a sensação ou o sentimento que nasce desta vibração é o de estar presente. Esta noção de presença também pode aparecer depois que a pessoa faz um exercício corporal forte; e é diferente das diferentes noções do corpo que as pessoas apresentam andando pela vida. Quando este estado vibrátil se manifesta como um todo; ele é percebido como uma ressonância do tipo de uma onda muito suave, relativamente quente e úmida, que às vezes se parece como uma brisa; que se move no corpo no sentido longitudinal em direção aos pés a as mãos e é caracterizado como sendo uma sensação, um sentir, uma noção e um estado, como uma suave emocionalidade (sentimento) e a idéia mais comum que nasce deste fenômeno é a de ter voltado para o corpo.

Agora, o volume corporal e o volume autoperceptivo se constituem numa outra conversa bem mais difícil de ser explicada por palavras.

Em primeiro lugar não é a pessoa ou o corpo da pessoa percebendo uma vibração, uma sensação, ou um sentimento que acontece no corpo como no caso da consciência; na autopercepção a pessoa é o seu corpo.

Em segundo lugar este estado não pode ser caracterizado como sendo uma consciência do corpo, nem para dentro do corpo, nem para fora do corpo; isto é, não é como tomar consciência de uma parte do corpo ou do corpo como um todo, não é consciência do movimento corporal interno ou do deslocamento do corpo no espaço; nem como tomar consciência de uma postura corporal ou de uma sensação, emoção ou estado. Mas sim é como uma autopercepção no mínimo tridimensional; e a palavra que mais se aproxima aqui é uma autopercepção como sendo um volume; onde todos os sentidos funcionam como um “sentido” mesmo; e mais, vários sentidos juntos e como uma unidade. Inclusive o pensamento se modifica e participa desta unidade; como se a pessoa tivesse perdido a capacidade de representar e saísse pensando diretamente a partir de suas impressões, que neste caso deixa de ser impressões para se constituir na realidade em si mesma. Conforme este tipo de autoperceber vai ficando mais completo; a pessoa quando direciona seu sentido perceptivo para um elemento externo ou interno, o elemento não se separa de seu contexto e a pessoa percebe o mundo como se o mundo estivesse acontecendo dentro dela e ela dentro do mundo, e ao mesmo tempo a pessoa e o mundo ao seu redor são diferentes. A outra coisa que está mais ou menos clara é que conforme o volume corporal ou o volume autoperceptivo vão aparecendo e se aprofundando, as funções da consciência diminuem, o raciocínio muda e com ele e capacidade de associar, de