[reich]
Wilhelm Reich (1897-1957) um dos pensadores que,
de uma forma ou de outra, mais influenciou nossa cultura. Na atualidade,
muitas de suas descobertas, idéias, e hipóteses são abordadas como senso
comum.
Iniciou seu trabalho na década de 20, começando
pela psicanálise e seguindo em direção a um conhecimento mais amplo dos
processos que influenciam o funcionamento do ser humano. Como médico
psiquiatra e cientista natural, Reich desenvolveu, por quase quarenta
anos, uma ampla pesquisa sobre os processos energéticos vitais.
Durante esse percurso, e com base nele, Reich
elaborou três técnicas terapêuticas: a
análise
do caráter (1923-1934), a
vegetoterapia
caráctero analítica (1934-1939) e a
orgonoterapia (1939-1957). Com as quais Reich é tido como o pai
das terapias corporais do Ocidente.
Seu grande objeto de estudo e de investigação foi
o funcionamento emocional humano e a
partir deste foi estabelecendo relações com as demais áreas do
funcionamento e da ciência do homem.
De sua compreensão do funcionamento emocional
humano deduziu, descobriu e comprovou e existência de uma energia
biológica específica que denominou de bioenergia.
O encaminhamento lógico e experimental desse
trabalho levou Reich a concluir que a mesma força física que atua como
bioenergia nos seres vivos, atua também no cosmos.
Neste sentido Reich inverteu os pressupostos mais
básicos da ciência vigente. Ele não emprestou as leis da física e da
química para investigar o funcionamento emocional humano a partir de
hipóteses eletrônicas ou atômicas; mas postulou uma nova força
energética que operava como uma identidade funcional com o funcionamento
emocional e que se move na velocidade das
emoções e não na velocidade do pensamento ou na velocidade da
luz. Postulou também que esta mesma energia biológica existe em todo
planeta e fora dele como uma energia livre de massa, independente da
matéria viva ou da matéria não viva. Essa força foi experimentalmente
comprovada por Reich no período 1939-1940 e, então, nomeada como energia
orgone cósmica.
Assim nasceu a
orgonomia
– a ciência que se dedica ao estudo das manifestações da energia orgone
no micro e no macro cosmos, no vivo e no inanimado. O termo orgonomia,
além de indicar e nomear esta nova ciência (vasta e promissora)
desenvolvida por Reich, também evidencia o conjunto da produção
científica reichiana. Mais que isso, a Orgonomia expressa em si uma nova
relação entre o Homem e o universo, possibilitando uma nova compreensão
do funcionamento do ser humano. Nesse sentido, a ciência instituída
(incluindo o que o próprio Reich tinha desenvolvido) já não preenchia os
requisitos para a continuação de sua pesquisa. Foi necessário, mais uma
vez, reavaliar todos os conceitos pré-estabelecidos.
Assim, Reich re-elabora seu próprio método de
pensamento, o materialismo dialético para surgir com um novo método de
pensamento o
funcionalismo orgonômico, e
junto com ele desenvolve as mais diversas áreas dentro da Orgonomia:
Orgonoterapia, Biofísica Orgone, Física
orgone, Astrofísica, Pedagogia Orgonômica, Orgonometria, etc.
Apesar da orgonomia enquanto ciência continuar
sendo à parte da obra Reichiana menos compreendida e divulgada, uma
eterna desconhecida, Reich, quando colocou, no centro da mesa de
discussão, o tema da energia da vida como uma unidade que abarcava o
funcionamento do homem, da natureza e do cosmo, abriu as portas da
ciência do homem para o próprio homem. A questão da energia que se
manifesta no vivo é, sem dúvidas, a maior contribuição já feita à
ciência do homem.
Podemos afirmar que a grande carência da cultura
ocidental é justamente a falta de um pensamento energético presente no
senso comum das pessoas. Os orientais, por exemplo, com sua medicina
cotidiana tradicional, também tem uma forma de pensamento energético
para compreenderem a si-mesmos e os processos externos, e podem aplicar
este mesmo pensamento para orientar inclusive seus negócios (o que nos
deixa muitas vezes surpreendidos e invejosos).
Neste mesmo ocidente (berço de tantas ciências) já
temos atualmente um novo reconhecimento que amplia e modifica a forma
ocidental tradicional de pensar o funcionamento energético da vida,
porém tudo isto ainda é muito novo e ainda não tem o reconhecimento da
comunidade científica como tem a forma mecanicista de pensar. Resta
saber o quanto falta para termos no ocidente os processos energéticos
vivos como parte do senso comum das pessoas.
[obra_de_reich]
1º O método
Psicanalítico Reichiano, a análise sistemática das resistências, que
surgiu da primeira tópica da psicanálise Freudiana.
(Os demais métodos já
foram criados por ele - Reich).
2º O método
caracteroanalítico:
análise do Carácter.
3º O método
vegetoterapêutico: subdividido em dois
procedimentos: a Vegetoterapia caracteroanalítica e a
vegetoterapia
(propriamente dita).
4º O método
orgonoterapêutico: subdividido em dois períodos e 4 procedimentos
terapêuticos.
Primeiro período
orgonômico - descoberta da Energia
orgone.
a)
Orgonoterapia ou, como a chamo,
Vegetoterapia Orgonômica.
b)
Orgonoterapia
(propriamente dita).
c) Orgonoterapia
Física, Medicina Orgonômica.
Segundo período
orgonômico - descoberta da Energia Orgone Mortal {D.
Or.}.
d) A Orgonoterapia das
funções orgonóticas. {Or.
ó
D. Or.}.
Além disso, escreveu
sobre duas metodologias de investigação e pensamento.
1º O Materialismo
Dialético.
2º O
Funcionalismo Orgonômico (-- este criado
por ele--).
Além disso, os mais
diversos temas (investigações e inter-relações entre sexologia,
sociologia, política, antropologia e “que hacer humano”) numa variedade
de livros e artigos.
Seus primeiros livros
voltados a investigações clínicas e terapêuticas foram: “Carácter
Impulsivo” e “Psicopatologia e Sociologia da Vida Sexual”, “Função do
orgasmo I” que tratam de seu período psicanalítico.
Depois, o livro
“Análise do Carácter”, que trata do encouraçamento do carácter, foi
posteriormente acrescido com textos de outros períodos, e, agora,
abrange a análise sistemática das resistências, a
análise do carácter e
a
orgonoterapia propriamente dita, saltando a
vegetoterapia.
Posteriormente, o
livro “Função do Orgasmo (II)”, que completa a
análise do carácter,
introduz a
vegetoterapia e trata do encouraçamento da musculatura.
Até este período temos
os livros “Irrupção da Moral Sexual”, “Materialismo Dialético”,
“Revolução sexual”, “Experimentos Bioelétricos”, “Os Bions” e
“Psicologia de Massa do Fascismo”, que completam a
análise do carácter e
a
vegetoterapia.
O restante do material
da
vegetoterapia se encontra em artigos e revistas editados pelo próprio
Reich.
Além disso, “Gente em
Sofrimento”, que traz novas investigações sociológicas e modificações
em seu posicionamento político (Aqui Reich muda seu posicionamento
marxista para a democracia do trabalho).
Seu próximo livro
sobre terapêutica foi “Biopatia do Câncer”, que trata da descoberta do
orgone, da vegetoterapia orgonômica, da orgonoterapia médica e das bases
da orgonoterapia, mas é anterior à parte da orgonoterapia que foi
incluída no livro Análise do Carácter.
Completando o primeiro
período da
orgonomia, temos os livros:
“Éter, Deus e o Diabo” (que corresponde ao pensamento filosófico de
Reich e embasa a metodologia funcional ou
pensamento funcional
- funcionalismo orgonômico – que também foi
ampliado com uma série de artigos); “Superposição Cósmica”
(sobre a cosmovisão Reichiana); “Escuta Zé ninguém” e “Assassinato de
Cristo”, (sobre a peste emocional da humanidade); “Crianças do futuro”
(sobre uma possível prevenção do desenvolvimento das neuroses das
crianças).
Além disso, temos a
física orgone e a biofísica orgone esparramadas entre livros e artigos
de revista editados pelo próprio Reich que completam a primeira fase da
orgonomia.
A segunda fase da
orgonomia diferencia as funções da energia
orgone em funções {Or.}.
(direção vida, movimento, metabolismo) e funções {D.
Or.} (direção morte, estagnação, transmutação).
Nesta segunda fase,
temos o texto “Projeto Oranur”, o livro
“Contacto com o Cosmo” (que trata de encouraçamento energético e
introduz várias reformulações terapêuticas na orgonoterapia e
orgonoterapia física, especialmente sobre o metabolismo energético no
funcionamento da couraça, sobre a formação dos desertos e sobre o
deserto emocional humano).
Desta fase da
orgonomia, também existe uma quantidade de artigos sobre meteorologia
orgonômica e funções pré-físicas e pré-químicas da natureza, que
completam esse incompleto e incompreensível panorama.
Desta ultimas fase do
trabalho de Reich se sabe muito pouco ou quase nada.